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Terça-Feira, 15 de Dezembro de 2009, 07h:56 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:25

ECONOMIA

Sem gás, taxistas e indústrias ficam no prejuízo e protestam

   O governo do Estado e o presidente da MTGás Helny de Paula se veem em apuros com a falta de gás natural em Mato Grosso. O contrato com a Bolívia para recebimento do produto está suspenso. Quem mais sente no bolso são as indústrias e os taxistas, que gastaram mais de R$ 3 mil para fazer a conversão em seus veículos para poder utilizar gás natural e não contam mais com o produto. Restam a eles retomar as opções de álcool ou gasolina para rodar.

  Fernando Ordakowski

Helny de Paula, da MTGás, que não recebe o gás da Bolívia; deputados querem intervenção do governo

   A Companhia Mato-Grossense de Gás foi criada em 2003, no primeiro ano do governo Blairo Maggi (então no PPS e hoje no PR), para captar investimentos em combustível alternativo e de baixo custo para os proprietários de veículos automotores, principalmente taxistas. O hoje presidente da MTGás, ex-vereador Helny de Paula, enfrenta a ira dos empresários por causa da crise do setor, que já estava em “frangalhos” desde a posse de Evo Moraes na Presidência da Bolívia, no ano passado. Esta segunda (14) foi a gota d´água. A Usina Governador Mário Covas (Termelétrica de Cuiabá), explorada pela Empresa Pantanal Energia (EPE),  fez o último fornecimento de Gás Natural Veicular a seis postos de abastecimento em Mato Grosso e à empesa Sadia, que trabalham em média com um estoque de 3 mil m³, o suficiente apenas para dois dias.

   A paralisação no fornecimento foi motivada pela falta de uma empresa que faça o transporte de gás da Bolívia até Mato Grosso. O serviço era feito pela GasOcidente, da EPE, que teve a licença para comercialização extinta em outubro deste ano por decisão judicial arbitral do país vizinho. Empresários do setor em Mato Grosso cobram agora, por meio dos deputados estaduais, a intervenção política do governador Blairo Maggi (PR) junto às autoridades bolivianas. O secretário de Indústria, Comércio, Minas e Energia Pedro Nadaf descarta essa possibilidade e alega que o Executivo já fez tudo que estava ao seu alcance para garantir o abastecimento.

   Apesar do contrato de 10 anos assinado em setembro entre Helny e a estatal do gás boliviano Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), caberia à GasOcidente agilizar o contrato de transporte na Bolívia para trazer o gás a Cuiabá. Devido ao impasse e sem a pressão nos dutos do gás para o enchimento dos compressores do City Gate, no Distrito Industrial de Cuiabá, os 12 funcionários da Usina Governador Mario Covas podem ficar sem emprego. A nova crise também deverá “enterrar” definitivamente o sonho do gás em Mato Grosso.
  
   No início em 2006, o governo do Estado liberou R$ 350 mil para financiar a aquisição de kit´s de conversão à gás por os taxistas da Baixada Cuiabana e, posteriormente, de Rondonópolis. O equipamento, ao custo de R$ 3 mil, podia ser parcelado em até 24 vezes. Hoje existem na Grande Cuiabá pelo menos três mil carros rodando com gás. Destes, cerca de 360 são táxis. O consumo médio por dia de um carro que utiliza gás natural varia entre 16 e 20 metros cúbicos.

    Frustração

    Revendedores investiram cerca de R$ 20 milhões para fornecer o produtos nas bombas de combustível. Há seis postos de abastecimento do GNV no Estado e mais dois em fase de instalação. A campanha pró-gás natural estimulou muitos proprietários de automóveis a fazer a conversão para o uso do gás natural. Com a escassez do produto, a venda do álcool nas bombas já teve aumento considerável no preço. Os taxistas são os mais prejudicados, pois apostaram no baixo custo do gás natural, que tem economia de até 150% em relação à gasolina. O GNV tem vantagens como não poder ser adulterado e nem sonegado, além dos benefícios socioambientais e ainda gerar renda a partir da economia obtida. O metro cúbico está em torno de R$ 1,40. (Andréa Haddad e Flávia Borges) 

(19h50) - Silval e diretor da EPE/GasOcidente asseguram  fornecimento de gás natural 

   Apesar de reconhecer a inviabilidade econômica do transporte do gás natural da Bolívia até Cuiabá, o diretor-presidente da EPE/GasOcidente, Fábio Garcia, e o governador em exercício Silval Barbosa (PMDB) garantem que criarão uma agenda conjunta para buscar soluções a fim de restabelecer o fornecimento do produto. Em nota oficial assinada pelo peemedebista em conjunto com o empresário, ambos se comprometem a manter o funcionamento da Usina Termelétrica de Cuiabá. No documento, Fábio diz que será retomado nos próximos dias o transporte de 20 mil m³/dia de gás natural para abastecer os clientes da MT Gás, incluindo o gás veicular, até 31 de janeiro de 2010, apesar da inviabilidade econômica da operação para a empresa.

Eis, abaixo, a íntegra da nota com 6 tópicos:

   "O Governo de Mato Grosso, a EPE (Empresa Produtora de Energia) e a GasOcidente do Mato Grosso vêm a público informar que: 
  
1) Governo de Mato Grosso, EPE e GasOcidente criarão uma agenda conjunta para buscar soluções para o restabelecimento do fornecimento do gás natural boliviano para a geração de energia na Usina Termelétrica de Cuiabá, para o abastecimento da frota de veículos que utilizam o GNV como combustível em Mato Grosso e para outros clientes da MT Gás;
  
2) Esta agenda priorizará rodadas de negociação com o Governo Federal, por meio do Ministério da Casa Civil, Ministério das Minas e Energia e presidência da Petrobrás;
  
3) O transporte de gás natural para Mato Grosso se tornou inviável economicamente com a paralisação da termelétrica de Cuiabá, que demandava o envio diário de 2,2 milhões de m³ de gás natural. Com a usina sem operar, os volumes demandados pela MT Gás (20 mil m³/dia) são insuficientes para manter a adequada remuneração da GasOcidente.
  
4) Apesar da inviabilidade econômica da operação, a GasOcidente tem garantido o transporte de gás natural à MT Gás até o momento, incorrendo em custo mensal superior a R$ 2 milhões à companhia.
  
5) Atendendo à solicitação do Governo de Mato Grosso, na figura do governador em exercício Silval Barbosa, a GasOcidente irá retomar nos próximos dias o transporte de 20 mil m³/dia de gás natural para abastecer os clientes da MT Gás, incluindo o gás veicular, até a data de 31 de janeiro de 2010, apesar do déficit financeiro mensal já informado.
  
6) Esse é o prazo definido pelas partes para a busca de uma solução definitiva para o problema de abastecimento de gás natural para Mato Grosso. A GasOcidente não poderá garantir o transporte além desse prazo, em função da não viabilidade econômica e operacional da subutilização dos gasodutos com volume tão baixo de gás.
  
Governo de Mato Grosso, EPE e GasOcidente acreditam na sensibilização do Governo Brasileiro sobre a importância da retomada das operações da Usina Termelétrica de Cuiabá e do fornecimento de gás natural a Mato Grosso, beneficiando assim toda a população do estado e conferindo mais segurança e estabilidade ao sistema elétrico mato-grossense." 
Silval Barbosa
Governador em Exercício de Mato Grosso
Fábio Garcia 
Diretor-Presidente da EPE/GasOcidente
Helny de Paula 
Presidente da MT Gás

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Comentários (35)

  • arnaldo | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    tem que meter um processo no governo estadual....essa conversa fiada que tem uma agencia para solucionar a falta de gás, estão fazendo corpo mole, ai suspenderam o preço do alcool para compensar os prejuisos....a mafia dos combustiveis....e o governo não faz nada, cade o ministerio publico?

  • Aliane Costa | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    E AGORA DEPUTADO SÉRGIO RICARDO???COMO FICAM OS TAXISTAS QUE O SENHOR INCENTIVOU TANTO A ADRIR AO GÁS???NÃO ESTOU ASSISTINDO AGORA O SENHOR BRIGAR PELO SEU FILHO O GÁS AUTOMOTIVO

  • marco-analista | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    tudo isso esta acontecendo por falta de interesse do governador maggi em relacao ao assunto, nesse governo nunca ouve uma politica externa visando melhorar relacionamento com os nossos visinhos, isso e falta de visao estrategica,com dialogo e atitude isso seria resolvido facilmente.
    bolivia nao planta e nem compra soja,por isso o blairo nunca foi la. 2010 esta chegando!

  • marques augusto | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    CADÊ O FALASTRÃO E ENGANADOR DO S-E-R-G-I-O R-I-C-A-R-D-O, DEPUTADO FALADOR E QUE AGORA SUMIU. COM ELE A PALAVRA DE QUEM QUIS SER O PAI DA CRIANÇA.

  • Renato santos | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    onde que esta o Deputado Sergio Ricardo?? diz ele que é o pai do gas. cade ele nessas horas???

  • Maria do Socorro | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    A POPULAÇÃO DE MATO GROSSO DEVERIA EXIGIR QUE DO BLAIRO MAGGI E DO EX-VEREADOR HELNY DE PAULA DEVOLVESSE TODO O DINHEIRO RECEBIDO EM FORMA DE SALÁRIO DA MT GÁS.

    ISSO DEVIDO AO FATO DE HELNY DE PAULA NÃO TER CUMPRIDO COM SUA FUNÇÃO.

    MUITOS CUIABANOS E TAXISTAS INVESTIRAM NA CONVERSÃO DE SEUS CARROS PARA O GÁS E ESTÃO A VER NAVIOS, ESTÃO NO PREJUIZO.

    E QUEM VAI PAGAR ESTA CONTA?

  • aguinaldo | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Vetado por conter expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas.
    Queira, por gentileza, refazer o seu comentário.

  • DONIZETE SENA RODRIGUES | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    POR QUE O BRASIL FICA COM MEDO DA BOLIVIA SENDO QUE NOS FORNECEMOS ENERGIA ELETRICA E OUTROS PRODUTOS, ENTAO GOVERNADOR CORTA O FORNECIMENTO DA ENERGIA PARA ELES TAMBEM TOMA LA DA CA, AI FICA DANDO MOLE PARA ESSE BOLIVIANOS /???

  • Pedro Paulo | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Alooooooooooo.... Dante de Oliveira deixou de ser Governador em 31 de dezembro de 2002, como pode ter sido ele o criador da MTGás se ela foi fundada em 2003!!!!!!

  • Jorge do Gás | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Dante de Oliveira 2003 ???

    hahahahahaha....... acooooooooordaaaaaa pra vida!!!!

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