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Quarta-Feira, 24 de Junho de 2009, 12h:01 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:23

COMUNICAÇÃO

Sindicatal

  A Fenaj - Federação dos Jornalistas, e seus filhotes sindicatos, devem estar se contorcendo de raiva. Fico até imaginando aqueles sindicalistas todos berrando, gritando, batendo pé, invocando todos os marxistas mortos, os leninistas enterrados e os castristas que vagueiam pelas zaméricas, fazendo despacho nas ruas queimando pneus (sim, porque sindicalista que é sindicalista queima pneu, teve um que eu até aconselhei a no lugar de poluir o ar, ir à padaria, comprar e queimar a rosca hahaha), para protestarem contra quem? Contra Gilmar Mendes.

   Mas por que protestar contra Gilmar Mendes? Porque ele foi o relator do recurso especial que derrubou a obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão. Ele votou a favor e outros sete ministros também votaram a favor. Well, mas se a decisão foi do Plenário do STF, porque os sindicalistas protestam apenas contra Gilmar Mendes?

    Eis a prova cabal de que diploma de jornalista, pode até ajudar, mas não garante qualidade na informação.

    Mas porque eles entendem que foi apenas Gilmar que derrubou a obrigatoriedade? É simples. Apesar dos sindicalistas terem diploma de jornalista, faltam-lhes instrumentos lingüísticos e repertório cultural associativo capaz de fazê-los pelo menos ligar um ponto a outro em linha reta. Básico assim.

    Vi um desses sindicalistas dizendo que Gilmar acabou com a auto-estima da categoria. Ora, em se tratando desses sindicalistas, por certo que não foi Gilmar o responsável pela baixa auto-estima, mas tudo bem. Para reverter essa situação, pô, um banho bem tomado, uma escovada nos cabelos, um rolé por um shopping e porque não, uma roupinha nova? Garanto que esse problema acaba. Mas sindicalista que é sindicalista há de dizer que “não se apega a esses métodos burgueses, afinal, estão ocupados lutando para serem respeitados pelos patrões que só nos exploram, somos bravos resistentes aos cotidianos assédios patronais e blá, blá blá”. Pô, vão numa biblioteca pública e peguem um livro de auto ajuda.

    E é melhor irem rápido, pois as notícias não são nada boas para a “causa” ou “luta”. Hoje Gilmar Mendes jogou um balde de legislação na intenção da Fenaj e seus filhotes, que pretendiam convocar os “cumpanheros” do congresso para apresentarem um projeto de lei revertendo a situação. Mendes foi claro: “Não há possibilidade de o Congresso regular isto, porque a matéria decorre de uma interpretação do texto constitucional. Não há solução para isso. Na verdade, essa é uma decisão que vai repercutir, inclusive sobre outras profissões. Em verdade, a regra da profissão regulamentada é excepcional, no mundo todo e também no modelo brasileiro.” Bem, ele foi claro para qualquer um que possua capacidade associativa de idéias. Sabe aquela história dos dois pontos e a linha unindo-os?

     Como se pode ver, com ou sem diploma específico, o bom jornalista é aquele que traz na alma a inquietude e a curiosidade, que se ilustra e consome cultura, aquele que se especializa, que sabe que ao estudar e melhorar a si mesmo, estará melhorando a qualidade do seu trabalho e conseqüentemente, ampliando seus horizontes no mercado. Esse, pode até ter, mas não precisa de diploma específico para escrever, investigar, relatar e prosperar. Os bons jornalistas (e são muitos) com diploma específico, mas que não se submetem às doutrinas sindicais e nem se sentiram ameaçado com a decisão do STF, coitados, além de se dedicarem à profissão, ainda precisam agüentar o azucrino dos filhotes da Fenaj e seus discursinhos decorados, sem conteúdo algum, exaltando as “belezas” do socialismo genocida, e as teorias rasas dos malefícios da “mais valia” capitalista.

     É interessante como a Fenaj e seus filhotes se acham no direito de poder decidir o que a população vai ler e ver na imprensa! Sem nenhum pudor eles reivindicam o monopólio da informação, alegando que sem possuir um diploma específico de jornalista, é impossível existir capacidade intelectual e ética. Sim, os sindicatos reivindicam o monopólio da ética também. Atrelada ao Estado, por certo.

     Não meus caros! A expressão e difusão do pensamento é livre e o acesso à informação é democrático, foi isso que o STF garantiu.

     A Fenaj e seus filhotes repetem a exaustão um mantra de rancor, de luta de classes, cafona, ultrapassado. Ficam lá de cima do muro de Berlin gritando um grito de ódio que o mundo já não tem nem saco, nem tempo para ouvir.

      Espernear é um direito que possuem, mas saibam que nada, nada mesmo, que tenha por base o ódio, dá em boa coisa.

     Adriana Vandoni é economista, especialista em administração pública pela FGV/RJ. Site: www.prosaepolitica.com.br

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Comentários (2)

  • Marcia | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Cara Adriana, sou leitora assídua de sua página...Geralmente concordo em muito com o que diz. Gosto de textos autênticos. Acredito na liberdade de expressão e acho que profissionais das diversas áreas que tenham seus blogs, sites, colunas e artigos de opinião muito contribuem para a diversidade da informação.
    Mas quanto ao diploma de jornalismo o que está em jogo não é apenas o ego ferido de alguns sindicalistas, ou a tão mencionada qualidade da informação, que com certeza não será a mesma. O que está em jogo para a maioria é o achatamento salarial, que já não é grandes coisas. O maior medo é que o jornalista seja obrigado a aceitar um salário de fome devido a desvalorização da profissão, já que o empregador poderá contratar quantos forem, sem a qualificação jornalística, e digamos um jornalista para gerenciar a equipe.
    É claro que diploma não é tudo, a maior parte do aprendizado vem com a prática e o principal é ter o jornalismo nas veias... Mas para quem veio de origem humilde e trabalhou desde os 14 anos, a conquista de um diploma obtido através de 4 anos de faculdade, sendo 3 com estágio, trabalhando dois períodos pra conseguir pagar as contas, e pegando o último buzão da noite para voltar pra casa, significa mais do que qualificação profissional, seria a oportunidade de transformar sua realidade, ter uma melhor qualidade de vida. Já ouviu o popular Sua educação ninguém pode tirar de você? pois é, não perdemos o diploma, mas perdemos a valorização profissional, é por ela que estamos lutando. Por favor não nos generalize como um bando de sindicalistas inconformados....Falando nisso, hj é dia de shopping... Fui....

  • jatobais | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    adriana vandoni, tem razão ,em parte, pois para exercer o jornalismo, realmente não se precisa de diploma, mas o mesmo não deixa de ser uma qualificaçao do profissional, o que tambem não necessariamente o torna capaz.Como contratrar um assessor de imprensa, a partir de agora? Esperem e verao como haverão nomeações de anarfa para esse cargo. Breve, muito breve...............

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