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Sábado, 22 de Novembro de 2008, 21h:28 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:21

VÁRZEA GRANDE

Sob ameaças, Fabris forçou Maksuês a desistir

  Cinquenta dias após as eleições, começam a vir à tona detalhes dos acordos de bastidores numa das eleições mais tensas, agitadas e emblemáticas deste ano em Mato Grosso. O palco foi Várzea Grande, segundo maior município do Estado

Gilmar Fabris (DEM)Deputado Maksuês Leite (PP)   Deputado de primeiro mandato, o apresentador de TV Maksuês Leite (PP) surgiu em junho deste ano como a esperança das oposições na disputa pela Prefeitura de Várzea Grande, segundo maior município mato-grossense. Ele já tinha tentado o cargo, em 2004, quando ficou em terceiro e último lugar, pelo PDT.

   Desta vez, Maksuês, com seu estilo populista e discurso duro contra os Campos, entrou no jogo mais firme para enfrentar, de um lado o "imbatível" ex-governador Júlio Campos (DEM) e, de outro, o "desgastado" prefeito Murilo Domingos (PR). Júlio antecipou sua aposentadoria do TCE só para brigar pelo comando de VG, onde começou na vida pública como prefeito. Agindo como trator, ele patrolou as pretensões do deputado Wallace Guimarães, que vinha trabalhando seu projeto há mais de um ano. A confusão interna já começou por aí.

   Do lado do Paço Couto Magalhães, Murilo não "botava fé em si mesmo". Chegou a declarar, um mês antes das convenções, que ainda estava avaliando se concorreria ou não ao novo mandato. Só duas pessoas naquele momento achavam que Murilo tinha chance de êxito nas urnas: o seu sobrinho Elias Domingos e o radialista Jeverson Missias, ambos secretários.

   Em meio às articulações e acordos políticos, Maksuês começou a crescer eleitoralmente. Entrou junho como líder nas pesquisas de intenção de voto. Atraiu 8 prefeitos, entre eles o PT e o PSDB. Júlio, então, passou a se desesperar. Foi aí que acionou nada menos que o seu afilhado político, o polêmico e temido deputado Gilmar Fabris (DEM). A este, o candidato do DEM delegou a missão de tirar Maksuês da disputa.

   Fabris montou suas estratégias "terroristas". Mandou filmar e acompanhar os passos do adversário. Levantou a ficha e os "podres" do deputado. Ressuscitou tudo sobre a vida pessoal e pública do jovem parlamentar, inclusive de um assassinato cometido pelo pai de Maksuês. Depois, o chamou para uma conversa dura. Avisou que se este continuasse na disputa, tudo viria à tona e seria desmoralizado.

   Acuado por causa da pressão violenta, Maksuês exigiu espécie de recompensa. Já era sinal de que jogaria a toalha. Nos bastidores, o comentário é de que a desistência lhe rendeu muito dinheiro, apesar do progressista negar. Sob ameaças, sua família pediu que abandonasse a candidatura. Maksuês recorreu ao seu padrinho político, deputado José Riva (PP), que também o orientou a "cair fora".

Júlio Campos (DEM)  Com o caminho aberto na marra para o diálogo, Júlio Campos entrou no jogo. Se reuniu a sós com Maksuês ao menos cinco vezes. Numa delas bateu o martelo. Aceitou acordos para controlar secretarias, de indicar a mulher de Maksuês, Mara Rúbia, como vice da chapa, e outras "amarrações". Marcou-se então uma entrevista coletiva para anunciar o acordão. No gabinete de Riva, na Assembléia, em meio ao clima tenso e na busca de argumentos para poder explicar a tal aliança, Maksuês tenta recuar. Era tarde demais. Jayme Campos, irmão de Júlio, adverte que o acordão não tinha sido feito. Assim, um grupo de democratas e progressistas seguiu para o anúncio oficial.

   O acordo que uniu adversários ferrenhos teve efeito contrário, a exemplo de 1998, quando Júlio, então candidato a governador, se juntou ao inimigo político Carlos Bezerra, que concorreu ao Senado. Ambos morreram abraçados nas urnas. Diante de sucessivos erros estratégicos de Júlio e de suas imposições e, de outro, de um prefeito que se passou de vítima, veio o resultado das urnas: Murilo obtém 72.519 votos (53%); Júlio amarga o segundo lugar com 45.688 votos (33%), e o peemedebista Nico Baracat fica na lanterna com 7.057 votos (5% dos válidos).

Maksuês nega, mas diz que era feliz e não sabia

   Perguntado neste sábado à noite se sofreu pressão e chantagem do grupo dos Campos para desistir da candidatura a prefeito de Várzea Grande, Maksuês Leite ficou em silêncio por quatro segundos e, depois, respondeu que "não". Ele nega os acordões que se comentam nos bastidores até hoje cinco meses depois de ter recuado da disputa para apoiar o então adversário Júlio Campos. O deputado se limitou a dizer que o episódio marcou negativamente sua trajetória porque a população não entendeu que fora o caminho correto. Obserrva, porém, que pesquisas qualitativas mostram que o estrago não foi tanto como ele imaginava.

   De todo modo, Maksuês revela que futuramente vai reunir a família para tomar uma decisão. Confessa que, pessoalmente, está determinado a não mais concorrer a cargo eletivo. Ele não se anima nem para disputar a reeleição em 2010. Disse que de uma coisa não abre mão: do jornalismo. Hoje ele comanda a TV Record News Cuiabá. Arrendou a emissora por 10 anos. Atua como dono e apresentador de programa.

   Disse que sonha em voltar a ter uma vida tranquila, como antes de virar deputado. "Eu era feliz e não sabia. O jogo é bruto", conta Maksuês Leite, protagonista de uma história que não será esquecida no meio político por tão cedo, principalmente em sua terra natal, Várzea Grande.

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Comentários (25)

  • Luiz Eduardo Andrezani | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Meu caro Maksuês Leite :
    mais do que sua trajetória política, sua honra ficará marcada com desonra pelo fato de compactuar com figuras tão nefastas como as citads na matéria.
    Maksuês só esperamos que sua carreira de jornalismo não acabe como acabou!!! sua carreira como político.
    Esqueça as urnas, pois com toda a certeza as urnas e o povo de Varzea Grande já o esqueceu !!!
    seu slogan repercuti na cidade aqui jaz um covarde

  • marina | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    POIS é, NADA COMO UM DIA ATRÁZ DO OUTRO,
    AQUI SE FAZ, AQUI SE PAGA.

    PLANTAMOS O QUE COLHEMEOS, A COLHEITA DESTE P O V O AINDA NEM COMEÇOU, QDO COMEÇAR AI SIM QUERO VER A PORCA COMEÇAR ATORCER O RABO.

  • ivan de mattos | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Falar do Deputado Maksues Leite, é dar IBOPE ao mesmo porém essa historia que ai apareceu já havia comentários na Várzea Grande e mesmo assim até a presente data esse deputado em seu canal de televisão costuma a fazer criticas severas ao Prefeito Murilo domingos, esse senhor chamado MAKSUES não tem moral para falar de ninguém pois além de se vender deu como troco a sua esposão MARA LEITE a qual já foi inclusive devolvida ao seu marido pois além de ser ruim de voto é uma moeda fraca. Com relação a FABRIS este senhor também está na hora do mesmo ser cassado definitivamente pelo TRE pois nada de bom na AL. a não ser é conhecido como o menino dos olhos de JULIO CAMPOS BERERÉ.

  • pacífico Dos Anjos | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Sabe a conclusão a que cheguei? Você Romilson, tem coragem de mamar em hienas, comentando coisas dessa gente, cruzes!

  • becao | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    a perca da eleiçao nao foi fato maksues leite nao, e sim uma forma diferente de fazer politica que eu nunca tinha visto antes na minha vida, nao culpo tbem o julio campos, um ser humano extraordinário, humilde, e que fez de tudo para ser o vencedor, infelizmente nao ocoreu por fatos de maneira de como tocar uma campanha, como a gente se trata de de ser pequeno diante de muitos outro que nao aceita palpite achando de que samos inseguinuficante para dar a nossa contribuiçao, deu no que deu, fizeram tudo errado, esqueceram de combinar com o povo, esqueceram de que quem decide é o povo, acharam que só o nome do ex. conselheiro julio campos ganhavam a eleiçao, esqueceram de trabalharem em conjunto com os vereadores, depois ficaram dizendo de que este ou aquele estavam traindo o nosso querido julio campos, e realmente foi o que aconteceu, o murilo ganhoua eleiçao no nosso erro, começamos errado e terminamos errado, como iriamos ganhar, é igual uma parede de tijolos, voce começa ela toda torta ai quando ela pega uma certa altura ai vc tenta coloca-la em linha reta, ai é tarde demais, nao tem como, só se derrubar tudo e começar, mas como nao tinha mais tempo para isso,começou todo desespero tentando arrumar uma coisa que muitos aqui achava que era moleza, o dr. julio nao teve mais reaçao, estava tentando de tudo, acreditando em todos achando de que achariam uma soluçao, a vaca ja tinha ido para o brejo com acorda e tudo, e mesmo assim, errando do jeito que errou, ainda estao tentando fazer politica aqui na vg da mesma forma que foi feito, o povo gosta é de ser valorizado, de carinho, abraço, respeito, e que antes de fazer algo consulte-os, só assim eles iram saber reconhcer aquele que te deu a mao nas horas mais dificil, dr. julio o senhor tem ainda um credito politico em mato grosso sim,é só pegar pessoas certa, colocar no lugar certo,deputado federal é uma boa, vá en frente, pois o senhor tem um grande serviço prestado neste estado, nao esmoreça nao, o que aconteceu só foi um acidente de percurso, quanto ao dep. maksues, ele sempre vem trabalhando para a populaçao de vg, de uma forma ou de outra atendendo a todos com carinho, errou, errou sim, mas agora o povo ja entendeu e sabe de que ele como dep. realmente esta e continua trabalhando para o povo, e com isso se revelou um grande talento para a politica e que vai ser uma grande companheira na sua campanha, com credebilidade, séria. honesta, trabalhadeira, e acima de tudo de uma personalidade muito grande, eu falo de sua esposa Mara Rubia, fez tudo direitinho nessa campanha, ganhou muitos eleogios das mulheres de vg em relaçao a sua pessoa, hj ela tem credito para pedir votos na vg para quem quer que seja o candidato, parabens e continue assim....

  • Fernando Nabo | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Admiro muito o jornalista Romilson Dourado, por ser sério e comprometido com as questões sociais e moral que assolam o nosso Brasil, Mato-grosso, e em especial a nossa querida Várzea Grande. Na verdade, não é por acaso que o RDNEWS é o mais lido do estado de MT. E, matéria como essa tem que ser mostrada. A sociedade tem que saber, quem é quem nos fritar dos ovos. Afinal, prova mais uma vez, o RDNEWS que não é uma imprensa marrom. Porém, fica claro que, a população não aceita mais e repúdia políticos de atitudes tresloucadas, lunática e cambalacheiras, desses dublês de politicos, que não tem mais espaço no meio dos eleitores bem informados!!!

  • Samuel Delgado | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    O POVO DE VÁRZEA GRANDE DEU O TROCO NESSA GENTALHA.
    OUTRO DIA LI AQUI MESMO NESTE BLOG, UM COMENTÁRIO DO JULIO NETO SE REFERINDO AO PAI COMO FUTURO GOVERNADOR.
    MAS NÃO APRENDEM MESMO!
    JÁ NÃO BASTA A SURRA QUE LEVARAM EM VÁRZEA GRANDE, AGORA QUEREM LEVAR OUTRA EM NÍVEL ESTADUAL.
    QUEM LEVARÁ ESSA É O PAGOT; ESSE IRÁ PATROLAR TODA ESSA PATOTA. JÁ OUÇO ISSO, PRINCIPALMENTE NO MEIO UNIVERSITÁRIO.

  • Gaudério Bombacha | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Agora esse piá comanda a TV Recompensa News por 10 anos.Como está sentindo a peia pós-eleitoral,inclusive tendo a mulher (usada)de volta, arma mais um esquemão pra ver se enrrola o mato-grossense com uma estorinha triste de cortar o coração...Ronilson,meu filho, até tu caíste nessa lenga-lenga?...

  • Mateus | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    E DE DAR TRISTEZA VER POLÍTICO COMO GILMAR FABRE. ESTE JÁ DEVERIA SER BANIDO DO MEIO POLÍTICO. E O QUE HÁ DE MAIS RUIM NA POLÍTICA DO ESTADO!

  • A varzeagrandense | Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h00
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    Esse artigo deveria ir para o extinto programa ACREDITE SE QUISER
    E completo, se isso tudo é verdade, eu sou o BOZO!!!!!

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