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Segunda-Feira, 26 de Fevereiro de 2007, 01h:20 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

Artigo

Troca-troca partidário

   Em artigo publicado nesta segunda (26) em A Gazeta, o jornalista Romilson Dourado comenta a debandada dos líderes políticos para diferentes partidos. Confira abaixo.

    Nenhum partido político, salvo o PT de vez em quando, discute internamente suas posições ideológicas e segue o que preceitua o estatuto, a bíblia dos legendas. Além disso, não há triagem para identificar o perfil, caráter e história do cidadão interessado na filiação. O importante, para os dirigentes, é inchar o partido, contribuindo para o diabo do troca-troca partidário, como se verifica agora em Mato Grosso com a debandada do governador Blairo Maggi (ex-PPS) e do seu grupo político para o novo Partido da República.

    Faça um teste, caro leitor-eleitor. Procure o diretório de alguma sigla. Pode ser qualquer um dos 26 constituídos no Estado, do PFL ao PP, passando pelo PT. Diz que está interessado em se filiar e que, para tanto, precisa de uma cópia do estatuto. Adianta, enfim, que deseja saber tudo sobre a legenda. Você vai se decepcionar.

   Na teoria, tudo parece muito rigoroso. Um dos símbolos da chama direita, o PFL, por exemplo, prevê até expulsão de militantes rebeldes. Até hoje, ninguém foi punido. Na prática, premia aqueles que tomam posições contrárias e ajudam, com isso, o processo de fragilização da sigla. 

    É por isso que prevalece a personificação das lideranças. Isso faz surgir os caciques. Os partidos ficam em segundo plano. Por aqui, Blairo Maggi, depois de mandar e desmandar no PPS, agora vai ditar as regras no PR. Os deputados Pedro Henry e José Riva controlam o PP. Carlos Bezerra faz "gato e sapato" do PMDB há décadas. A senadora Serys Marly se transformou em dona do combalido PT.

    Enquanto isso, a reforma política continua na pauta no Congresso Nacional, com aspectos importantes em discussão, como a lista fechada de candidatos, o financiamento público e a fidelidade partidária. Desde já, especialistas consideram que, da forma que as regras foram constituídas no projeto, ficará pior para o sistema eleitoral.

   A fidelidade partidária poderia ser uma boa medida, mas tudo indica que servirá apenas para moeda de troca com vistas a reduzir a cláusula de desempenho. Partidos históricos serão preservados. Em seu texto, o projeto determina que, para disputar uma eleição, o candidato precisaria estar filiado a um mesmo partido nos três anos anteriores ao pleito. Infelizmente, essa regra deve ser excluída.

   A única medida, então, para inibir o troca-troca partidário ocorrerá em âmbito regimental. Vai considerar as bancadas dos partidos que saíram das urnas, sem as mudanças posteriores. Essa história de lista fechada é pura fantasia porque os partidos já fazem a relação de nomes em suas convenções.

   O eleitor votará apenas no partido e os primeiros das listas serão eleitos conforme a votação de cada legenda. Como não há democracia interna nos partidos, continuará prevalecendo a lei do mais forte, o autoritarismo. Está claro que essa reforma política, salvo um ou outro aspecto, é uma fraude. Mesmo que consigamos eliminar, nas urnas, os caciques dos cargos eletivos, eles continuarão com todo o poder dentro de suas agremiações partidárias.

Romilson Dourado é jornalista, editor de Política de A Gazeta e escreve neste espaço às segundas-feiras

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