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Quarta-Feira, 04 de Julho de 2007, 07h:47 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:16

Artigo

Um assunto sempre atual

     Homenagear homens públicos de importância relevante tem sido,  muitas vezes, objeto de promoção pessoal para quem promove a homenagem.
     Obter dividendos políticos de “homenagens” é sempre atual, independentemente de estarem desprestigiando o nome de outros grandes homens, que deixaram seu nome na História e que os tem retirados de prédios públicos, praças, ruas, avenidas ou coisa que o valham, ao bel prazer de pessoas que, além de desrespeitar vultos expressivos de nossa evolução política, social e econômica, magoam a população, que não obstante às vezes, o silêncio, sente-se ultrajada.
     Após quase um ano do falecimento de Dante de Oliveira, ele já recebeu homenagens (algumas não foram aceitas pelo povo de Cuiabá) e mais homenagens, como deveria ser, porém, tudo tem limite. Não se pode passar por cima da História e deixar de lado, homens e mulheres ilustres deste Estado, que merecem, no mínimo, respeito.
     Endeusar um morto é sempre instigante. Embora não garanta unanimidade, sempre agrada um bom número de pessoas, principalmente de políticos e seus asseclas.
     Como diz a célebre frase, “o tempo é senhor da razão” e só  sobreviverão a ele, aqueles que indelével e corajosamente, anônima ou publicamente, deixaram marcas de retidão, de compromisso com seus ideais quando no exercício do Poder, de honestidade, humildade, e, principalmente, de amor a Mato Grosso e ao Brasil.
     Neste dia 06 de julho, morreram dois homens que contribuíram com Mato Grosso: Antonio Paes de Barros e Dante de Oliveira: 1906 e 2006.
     O primeiro, além de assassinado, foi trucidado pela história dos que o venceram em uma luta covarde e desigual, mas a força do seu espírito, de seu legado, a Usina do Itaicy, local onde foi acesa a primeira lâmpada elétrica no interior do Brasil, em 1º de setembro de 1897, merece mais respeito do que lhe tem sido dado.
      Além de empreendedor, e lá está a Usina Itaicy de pé, ainda que cambaleante, mostrando a supremacia da inteligência sobre a política, da visão sobre os interesses mesquinhos dos políticos da época, que, tirando a vida de seu idealizador, não conseguiram tirar as suas marcas que já passam de cem anos, políticos estes, que se alternaram no poder durante décadas,  e não conheço nenhum deles que tenha deixado tão grandes obras, tanto como governantes, quanto  empresários.
     A obra de Antonio Paes de Barros, como político, está consolidada pela História, graças a atuação de pessoas que resolveram olhar o passado com olhos isentos.
     O segundo, contribuiu sobremaneira com o Estado, porém, sua história não pode e nem deve, ofuscar a de outros homens públicos, que ainda vivos, merecem também o mesmo respeito. Homens como Júlio Campos, que governou o Estado, projetando-o para os dias atuais. Como Frederico Campos, Cel. José Meirelles, Garcia Neto, Padre Raimundo Pombo (este já falecido e ainda sem homenagens, embora tenha projetado muitos políticos, inclusive Dante de Oliveira), todos homens de bem, que se recolheram a uma vida mais “caseira”, por decepção ou por opção, mas todos merecedores de reconhecimento, que eu espero, não aconteçam apenas após a morte. Como eles, muitos outros que estão riscados das agendas políticas, porque o importante, não é homenagear, é tirar proveito político dessas homenagens. Padre Raimundo, morreu isolado e esquecido.
     Esse é um tema sempre atual, porque vejam, que  os motivos das homenagens e o merecimento delas, não são proporcionalmente iguais e paralelas. São, simplesmente, políticos.
     Deixar o nome na história por merecimento político,  não chega nem perto dos daqueles de morreram sem receber o reconhecimento, pelas obras não só políticas, mas voltadas para o desenvolvimento do Estado, contemplando o social, o econômico e o de méritos pessoais.
     Encerra-se o centenário de falecimento de Antonio Paes de Barros, propiciado pelo Governador Blairo Maggi, seu admirador  e como o tempo é soberano, começa-se uma nova etapa na sua História. Aí está a Usina Itaicy, obra incontestável que só poderia ter sido projetada e desenvolvida por ele, um visionário empreendedor. Um pantaneiro, sim senhor.

Oriana Paes de Barros é procuradora federal aposentada e pecuarista
  

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