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Quinta-Feira, 21 de Dezembro de 2006, 05h:28 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

Artigo

Um 'Oscar' para Cuiabá

      Em artigo publicado nesta quinta (21), em A Gazeta, o advogado Geraldo Mendes, membro do Fórum de Turismo, do Pacto de Desenvolvimento de Mato Grosso e do Fórum de Empresários, defende que Cuiabá ganhe de presente uma obra de Niemayer.

Confira abaixo a reprodução, na íntegra:

 

      Um "Oscar" para Cuiabá

       Geraldo A. Mendes

      Oscar Niemayer, o maior arquiteto do século XX, completou 99 anos de vida no último dia 15. Ele foi dos primeiros arquitetos a descobrir a plasticidade do concreto, criando os seus projetos em harmonia com a antropologia, a natureza, a história, a cultura e com o meio no qual inseridos. Uma das suas primeiras obras é a Igrejinha da Pampulha, em Belo Horizonte, arquitetura revolucionária para um templo religioso cujas ondulações evocam os morros de Minas, amálgama de natureza e fé.

        A sua marca registrada é a leveza que contrasta com a rigidez do concreto e as linhas ondulantes e sinuosas lembrando as curvas do corpo feminino, como gosta de frisar. A criatividade arquitetônica de Niemayer no projeto da Catedral de Brasília é um marco reverenciado em todo o mundo, com as suas colunas em forma de mãos erguidas segurando a patena no ato da consagração eucarística. As colunas do Palácio da Alvorada, outra criação simbólica que ganhou a admiração e o respeito como obra de arte. Arquitetura para Niemayer é, antes de tudo, arte. Arte e paixão.

       Poucas capitais brasileiras têm obras de Oscar Niemayer, por si mesmas importantes produtos turísticos que atraem admiradores de todos os cantos. Cuiabá completará 300 anos de emancipação política no dia 8 de abril de 2019 e para celebrar tão importante evento seria interessante ganhar como presente uma obra de Niemayer. O seu escritório de arquitetura está em pleno funcionamento na Avenida Atlântica, no Rio de Janeiro, recebendo encomendas de projetos de vários países da Europa, do mundo árabe, da Ásia e da América do Norte.

        É claro que o desenvolvimento e construção de um "Projeto Niemayer" demandam muito dinheiro. Invariavelmente os seus projetos, que custam algo como R$ 500 mil parcelados, são integrados, merecendo do entorno um conceito especial. Para Cuiabá poderia ser encomendado um projeto para a instalação da Prefeitura Municipal. Para valorizar ainda mais o espaço físico, poder-se-ia encomendar todo um complexo naquilo que se denominaria de Paço Municipal, somando-se à Prefeitura a Câmara Municipal, um teatro ou uma biblioteca ou até mesmo uma ópera. Se não temos orçamento no momento não quer dizer que não o tenhamos no futuro. Aliás, verbas há disponíveis no governo federal, pois, somente "O Olho", museu recentemente inaugurado em Curitiba, obra de Niemayer, custou 180 milhões de reais aos cofres federais. Dinheiro federal é questão de prestígio, o que não falta aos nossos governador e prefeito. Urgente agora são os projetos, antes que o Grande Arquiteto fique encantado.

      Para a criação arquitetônica faz-se necessário fornecer-lhe todas as informações sobre a cidade, sua gente, a cultura local e os valores que nos são mais caros, desde o clima até a topografia, a fauna e a flora dos três ecossistemas, a economia de base rural, as festas e danças populares, bem como a história da formação do povo cuiabano desde as Bandeiras, passando pela miscigenação étnica, pela doçura de sua gente, pela beleza natural e brejeira das suas mulheres, pelas curvas sinuosas da viola-de-cocho, pela envergadura das asas de um tuiuiú em vôo, pela majestade de uma vitória-régia boiando placidamente nas águas do Pantanal e pelo balouçar sereno da palma da bocaiuveira embalada na brisa quente da Chapada. E o que dizer da florada dos ipês rosáceos, violetas e amarelos? Com certeza brotará da imaginação do mestre uma obra que reflita tudo isso.

         Mato Grosso não deve ter a sua economia limitada e restrita a produtos primários. É imperioso pensar no turismo como alternativa econômica sem cotação oscilante, sem entressafra e sem as intempéries da natureza. Todavia, não se faz turismo sem produtos turísticos, infra-estrutura, planejamento, criatividade, marketing, visão de futuro e ousadia. Turismo é cultura, informação, emoção e serviços. O turista paga por tudo isso.

          Senhores governador e prefeito, eu ofereço, a título de doação, os 10,0 hectares necessários para a construção do Paço Municipal de Cuiabá. A área está localizada no prolongamento natural da Avenida Rubens de Mendonça, próxima do entroncamento com a projeção do Contorno Norte. Cuiabá e os cuiabanos merecem pelo menos um "Oscar". É tempo de ousar.

         Geraldo A. Mendes é advogado agrarista, cônsul honorário do Peru, membro do Fórum de Turismo, do Pacto de Desenvolvimento de Mato Grosso e do Fórum de Empresários

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