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Segunda-Feira, 14 de Janeiro de 2008, 09h:15 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:19

Artigo

Uma ameaça na TV

   As atitudes do dublê de deputado e apresentador Walter Rabello (PP), em seu programa diário na TV Cidade Verde (SBT), numa ânsia sensacionalista, são de uma inconseqüência assustadora. Pelo simples fato de não demonstrar preocupação com o transtorno que causa às pessoas e/ou famílias, por ventura, vítimas de sensacionalismo barato.

    Um exemplo claro dessa falta de ética e responsabilidade jornalísticas do apresentador - quando dissemina, pela TV onde trabalha e cujo programa, aliás, ele transformou em "palanque eleitoral eletrônico", informações mentirosas - pôde ser constatado recentemente com o "furo de reportagem" que ele deu, ao anunciar a "morte" de um filho do secretário de Justiça e Segurança Pública, o ex-deputado Carlos Brito.

    E fez isso com o garoto vivo e plenamente são, sem se preocupar em checar a veracidade da informação (?) que lhe chegava às mãos. E, menos ainda, sem dar a mínima atenção ao pânico, à dor e toda má sorte de problemas que o impacto de uma notícia (?) dessa natureza pode causar no seio de uma família – sobretudo, nos pais da pessoa que, viva, é anunciada como se estivesse morta.

   Considerando essa falta de critério do deputado Walter Rabello em suas críticas, comentários e até na apuração da informação que despeja sobre milhares de pessoas, surge aqui uma dúvida. Na verdade, trata-se de uma questão bem mais grave, por considerar o fato de ele ser candidato pré-declarado a prefeito de Cuiabá.

    É imperativo que se questione: Terá mesmo esse cidadão as condições éticas e morais (isto sem falar no preparo técnico e administrativo, que, de resto, sabe-se que ele não tem) minimamente necessárias para administrar a Capital mato-grossense, na hipótese de ele levar à frente sua candidatura - e, pior para todos, ganhar as eleições?

    Conjeturar sobre esse fato e possibilidade, ou seja, a eleição de Walter Rabello - por sinal, as pessoas mais conscientes e esclarecidas da sociedade cuiabana tremem só de pensar que um dia isso possa acontecer -, é um assunto público e necessário, até como alerta. Afinal, deve-se considerar o fato de que ele, eleitoralmente, não pode ser desprezado, pois se trata de um “fenômeno” em termos de votos. Com efeito, está aí a sua eleição recente para deputado estadual e, agora, o favoritismo como vem sendo apontado em todas as pesquisas de intenção de voto até aqui divulgadas e que se referem à disputa pelo comando do Palácio Alencastro, em outubro deste ano.

    Cevado no populismo irradiado pela TV e rádio e que encontra campo fértil para crescer e se espraiar, infelizmente, em vastas camadas da população – notadamente, naquelas compostas por pessoas menos instruídas política e culturalmente -, Rabello, nesse contexto, pode ser visto mais como ameaça de instabilidade política do que como proposta de avanço para se melhorar a administração de Cuiabá.

    O deputado do PP armou o seu "palanque eletrônico", que funciona fazendo propaganda eleitoral fora de época, diariamente. E, ao arrepio da legislação e numa clara afronta aos princípios democráticos e à própria Justiça Eleitoral, não pode ser tratado com desdém. Representa, realmente, um perigo institucional.

   Em sua fanfarronice histriônica, ele demonstra ousadia (às vezes, confundida com coragem) e aposta na lentidão da Justiça Eleitoral, além de brincar com o sentimento das pessoas, posando habilmente de vítima, quando questionado sobre o aventureirismo político e a falta de compromisso com a ética, ao difundir inverdades e distorcer fatos.

   Pior, o deputado utiliza o programa, na maioria das vezes, unicamente para explorar a miséria alheia, como arma de campanha eleitoreira, não oferecendo nada de útil à sociedade num veículo tão importante como a TV. Ademais, busca sempre se revelar dono absoluto da verdade. Assim, obtém o apoio dos incautos, dos menos avisados.

   Outros políticos locais, em outros canais de TV, a exemplo do dublê de jornalista do SBT, seguem a mesma linha do abuso, do insulto à inteligência das pessoas, sem nenhum senso do ridículo. O tristemente famoso ex-deputado Lino Rossi (PP), pelo jeito, fez escola.

   Voltarei oportunamente ao assunto.

Antonio de Souza é jornalista em Cuiabá (af-souza1957@uol.com.br)

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