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Segunda-Feira, 03 de Novembro de 2008, 12h:00 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:21

Artigo

Uma "missão difícil"

   A crise financeira que se avizinha deve ser levada seriamente em consideração pelas próximas administrações, mas deve ser também pelas articulações políticas para definir quem será quem na disputa em 2010. Wilson Santos, vencedor da eleição na capital, desponta como favorito para a próxima e mais importante disputa estadual. Sem adversários de porte para a disputa, e com a turbulência da economia, Wilson demonstra que sorte também é importante para ter sucesso político.

  Luiz Pagot, o famoso trator da primeira administração de Maggi, começa a colher os desgastes que duas administrações ocasionam. Alguns empresários com quem conversei recentemente já demonstram seu desapreço com a atual administração. Como dizem, imagine um sonho de consumo, um objeto que sempre desejou, como um carro, uma Mercedes, por exemplo. Pode ser uma colheitadeira também. Compre-o, deslumbre-se, e passe 8 anos admirando-o. Você, se tiver poder pra isso, irá pensar em realizar uma troca. O eleitor tem o poder de decidir assim.

     Se isso vale para Blairo, também vale para Wilson Santos na prefeitura, que já viu o desgaste sofrido por Roberto França ao concluir duas administrações consecutivas. Fernando Henrique Cardoso passou por isso, e também Dante de Oliveira, que nessa época da administração era constantemente citado na imprensa do estado como um provável presidenciável (Maggi parece que desistiu do sonho), não foi eleito nem ao Senado. Isso é possível, insistem alguns, mas apenas em casos esporádicos, com administrações que conseguem mudar muito a vida das pessoas (convenhamos que em Mato Grosso isso é tarefa irreal). Além disso, a crise financeira internacional poderá colocar um tempero amargo no caldo de quem tem pretensão de se manter na disputa a um cargo majoritário. Uma desvalorização de 30 % na moeda nacional, que ocasionará inflação, mas principalmente a recessão causada pela falta de crédito, terão, com certeza, o efeito azedo e doloroso em 2010 para quem está na ponta das administrações.

    Lula deverá amargar isso em 2010 também. Um parêntese aqui: nesta última eleição, enquanto articulistas ao redor do Brasil comentavam a capacidade de Lula em transferir votos, comentava em meus artigos que o eleitor não iria decidir assim. Poderia sentir os efeitos do crescimento econômico, mas o bem estar conquistado seria transferido para uma disputa local, e os assuntos regionais é que decidiriam a eleição. Muitos não acreditaram - fui criticada por dizer isso -, e campanhas e discursos foram dirigidos pensando nesse potencial de Lula em transferir votos. Hoje observam e aceitam o que ontem imaginavam ser absurdo.

     Da mesma forma que o crescimento da economia conseguiu reeleger diversos prefeitos, independente do apoio ou não de Lula, em 2010 a crise poderá derrotar o seu candidato. É importante salientar que o PT também poderá sofrer um viés importante nas próximas eleições, pois não terá Lula como puxador de votos. Além disso, indo para a oposição, perderá o perfil combativo, já que terá deixado rabos que poderão ser apresentados em uma factível crise política. Dossiês poderiam ser criados com o mesmo argumento de que são apenas “bancos de dados”.

     Em Mato Grosso Wilson Santos está certo em não se declarar agora candidato ao governo, mas abdicar da disputa pode representar um suicídio político. Creio que a partir da metade do próximo ano ele já poderá traçar planos, e demonstrar ao eleitor, de forma gradual, aos poucos, para ser melhor assimilado. Galindo terá que ser e parecer como a mãe da noiva: presente, participativo nas cerimônias, mas que não disputa os holofotes do personagem principal, a não ser após as eleições ao governo. Kassab fez isso muito bem em São Paulo, e mesmo tendo o seu passado discutido, como a participação na administração Pitta, tornou-se uma liderança regional e nacional emergente. Aqui o eleitor também demonstrou que não se importa com seu passado, basta construir sua vida política a partir do momento em que tiver a administração nas mãos. O eleitor é assim, apenas interpreto o que ele diz nas urnas.

    Já Blairo deve ter percebido a dificuldade que encontrará nas próximas eleições. O mais certo que poderia fazer seria entregar o cargo um ano antes para Silval Barbosa, como parece ter acertado para conseguir o apoio do PMDB a Mauro Mendes, e evitar um desastre maior no período eleitoral. Terá tempo para, observando de fora do governo, pesar quais as suas reais possibilidades, se ao Senado ou à câmara de deputados. Pagot, seu virtual candidato, terá dificuldades enormes na próxima disputa, já que terá uma onda eleitoral contrária, estadual e federal. O cumpridor de missões terá dificuldades em cumprir esta.

   Adriana Vandoni é economista, articulista e especialista em administração pública pela Fundação Getúlio Vargas (www.adrianavandoni.com.br)

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