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Quarta-Feira, 10 de Janeiro de 2007, 11h:07 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

Artigo

Violência e insegurança

      O professor Lourembergue Alves discorre, em artigo nesta quarta (10) em A Gazeta, sobre violência urbana. Confira reprodução abaixo.

      A violência urbana transformou-se no tema do momento, e, isso, já não é de hoje, vem de muito tempo; afinal os índices da criminalidade sobem assustadoramente e, talvez por isso, ganham os espaços da mídia e as atenções dos mais variados segmentos da população, que se vêm inseguros e desconfortáveis, tanto em suas próprias casas como nas "caminhadas".

    Escritos sobre a violência são publicados, discursos são pronunciados, opiniões são veiculadas, e, em meio a uns e outros, levantam-se teses, carregadas de causas e conseqüências dos crimes registrados, no mesmo instante em que pronunciam a respeito o presidente da República, governadores, prefeitos, secretário, ministro e os chefes das polícias civis e militares, só não falam os criminosos, sendo que até os parentes das vítimas acham um jeito de se expressarem, e o que falam ganha eco nos programas policiais. Cada um deles, a seu modo, fala com uma certa propriedade; porém, é preciso dizer, há um certo distanciamento da teoria apregoada por eles com a prática do crime propriamente dita, pois falta a simulação correspondência com as verdades dos acontecimentos criminosos, até porque o resultado da violência tem contornos psicológicos, moral e ético que, na maioria das vezes, os especialistas talvez desconheçam; sem, contudo, passarem despercebidos a alguém, por exemplo, que já teve um cano de uma arma apontada na direção de sua própria cabeça para obrigá-lo a entregar o dinheiro e os objetos que carrega naquele momento, tais como o celular e o relógio. Ele não relata o acontecido nesse exato instante, o do assalto, nem poderia fazê-lo, evidentemente, pois se acha imobilizado pelo bandido e o policial, que deveria cuidar de sua segurança, está sempre distante do local do ocorrido; somente o fará minutos depois e até horas, senão em dias, o que pode haver um certo comprometimento no seu depoimento pela ausência de detalhes importantes para a investigação.

    As fantasias certamente fazem parte do enredo contado. Algumas mais, outras menos. Contudo, quem já foi assaltado jamais se esquece do susto que levara, aproveitado muitíssimo bem pelo bandido. Trata-se de uma sensação das mais desagradáveis e imagináveis, que extrapola o limite do racional e vai além do aspecto emocional, um veio de impotência invade todo o corpo, arrasa a sensibilidade e amortece o raciocínio, impedindo assim que se alcance o equilíbrio. As reações do agredido são sintomáticas a isso.

    Passado o susto imediato, ele, o assaltado, procura a delegacia, e, pasmem, vê-se ainda mais indefeso, pois este organismo policial nem sempre está tão próximo assim, "graças" à proeza do governador do Estado, via Secretaria de Segurança, em redistribuir os chamados Cisc (Centro Integrado de Segurança e Cidadania) por regiões da cidade, sem levar em conta a extensão territorial e o número de habitantes dos bairros. Com isso desguarnece toda uma população, tal como se vê com o Morada da Serra, que teve desativado sua delegacia, no CPA 3, próximo a lagoa, agora transformada em arquivo, e não conta sequer com um posto policial, pois o Batalhão não pode ser tratado como tal ou algo parecido, o que obriga o seu morador a deslocar-se até o Novo Mato Grosso, a busca da tão necessária delegacia, localizada ao lado da antiga "Fazedinha", órgão destinado ao atendimento de adolescentes, à frente do bairro Planalto, na avenida dos "Trabalhadores". Ufa! Fez-se o boletim de ocorrência (BO), mas nada garante punição para o criminoso ou criminosos.

    Explica-se, desse modo, o aumento dos crimes registrados na Grande Morada da Serra, destacando-se os roubos e os furtos, cujas conseqüências extrapolam o limite da simples perda de um bem material, pois desestrutura uma vida, enfraquece a família e abala a convivência societária. Isso porque as pessoas estão à mercê do medo e da insegurança, que se tornam ainda mais agravantes em razão da insensibilidade da administração pública estadual e municipal.

    Lourembergue Alves é professor da Unic e articulista de A Gazeta, escrevendo neste espaço às terças-feiras, sextas-feiras e aos domingos (lou.alves@uol.com.br)

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