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Terça-Feira, 13 de Fevereiro de 2007, 08h:55 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:15

EXECUTIVO

Vizinhos paupérrimos

    O professor Alfredo da Mota Menezes, em artigo publicado em A Gazeta desta terça (13), comenta sobre o IDH dos municípios da Baixada Cuiabana. Confira reprodução abaixo

       O IDH ou Índice de Desenvolvimento Humano dos municípios no entorno de Cuiabá é muito baixo. Não falo Baixada Cuiabana porque os mais entendidos acham que essa denominação é um erro.

       O IDH é a medida mais acertada para saber em que situação de vida se encontra um povo de um determinado lugar. Três itens fazem parte do IDH: conhecimento, longevidade e padrão de vida.

     O conhecimento é o resultado da taxa de alfabetização e ainda a taxa de matrículas nos três níveis de ensino. A longevidade se refere à expectativa de vida ou quantos anos vive, em média, a população de um lugar. O padrão de vida é o poder de compra dessa população.

     Em Mato Grosso os municípios com forte produção agrícola são aqueles que possuem os melhores IDH. Cuiabá também possui alto IDH, se comparado com outros municípios do Estado.

      Dos quinze piores municípios do Estado em IDH, seis estão por perto de Cuiabá. Representa mais de um terço dos municípios mais pobres do Estado. Estão na lista: Jangada, Barão de Melgaço, Livramento, Acorizal, Rosário Oeste e Leverger. Chapada e Poconé não estão longe deles. O que os alivia um pouco é o turismo.

      O IDH daqueles seis municípios é menor do que os das regiões empobrecidas dos garimpos. Está no patamar de países africanos pobres. Ou de municípios de países como Honduras, Nicarágua e Bolívia.

      Todos conhecem essa realidade e ninguém faz nada para tentar modificá-la. Isso talvez seja mais doído do que a situação em que vivem esses municípios.

     Já li que a Assembléia Legislativa detectou o problema e que iria apresentar alternativas para melhorar a vida das populações desses municípios. Prefeitos da área já se reuniram dezenas de vezes para fazer qualquer coisa. Governadores falaram isso e mais aquilo e nada saiu do lugar.

      Passaram pelo governo do Estado nesses últimos anos um monte de gente nascido nesta região ou que aqui tinha sua base política, familiar e empresarial.

     Só como registro, temos Garcia Neto, Frederico Campos, Júlio Campos, Carlos Bezerra (base em Rondonópolis, mas nasceu na Chapada), Jaime Campos, Dante de Oliveira e agora o Blairo que tem base fora também.

      Falaram muito, mas nenhum desses governadores apresentou um plano factível para ajudar a minorar a extrema situação de pobreza que vive aqueles municípios.

     Será que não há nada neles que possa ser explorado para gerar empregos e rendas? Será que não há recursos, no país ou no exterior, para aplicar em planos de médio e longo prazos para tentar alterar essa miséria quase eterna? Será que é o diminuto eleitorado deles que faz todo mundo torcer o nariz para essa realidade regional?

   A verdade é que se não houver algum tipo de planejamento para ajudar esses municípios, ou ficar esperando que eles mesmos reajam, a coisa vai ficar cada dia mais feia.

   Mostrou um estudo que a coisa está ficando pior porque os jovens dessas localidades migram para Cuiabá e V. Grande. Essas cidades sugam os poucos talentos de cada localidade. Fica para trás quem está em situação de vida precária e grau de educação quase nulo.

    Tem tanta gente fazendo política nos meios de comunicação, mas, curiosamente, ninguém quer bancar um projeto de médio prazo para ajudar a Baixada Cuiabana (mesmo que os puristas não gostem do termo).

   Se alguns municípios no entorno de Cuiabá melhorassem seus IDHs isso seria também benéfico para a capital. Viver cercado de miséria nunca ajudou lugar nenhum no seu desenvolvimento. E é o que está ocorrendo.

Alfredo da Mota Menezes escreve em A Gazeta às terças, quintas e aos domingo (pox@terra.com.br)

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