Cuiabá, 19/10/2026

Criminalização da política e descrédito no voto

Lyssa Gonçalves Costa

Durante o império, mulheres e escravos não tinham o direito ao voto. Elas por causa do sexo; eles, por não serem considerados cidadãos. De lá para cá muito mudou, mas ao mesmo tempo nem tanto.

Houve uma época que apenas uma pequena parcela da população tinha o direito ao voto. Em 1872, por exemplo, apenas 13% da população tinha o direito ao voto. Ou seja: uma pequeníssima parcela escolhia quem governaria e legislaria. Hoje a realidade é outra: todos, independente de classe, raça, gênero, têm a sua voz na escolha de quem governará e legislará. O voto tornou-se um direito de todos e, de acordo com a nossa carta magna, é a mais pura manifestação da vontade do povo. Em outras palavras, o voto se revela como a soberania popular exercendo seu poder.

Todavia, o que vemos é que ainda hoje permanecem práticas daquele período imperial: grupos pequenos continuam controlando e comandando o Estado brasileiro. Pouca coisa mudou em termos de representação, em termos de quem é eleito, pois a administração pública continua a ser controlada por poucos que perpetuam a velha política e dificultam a entrada de novos nomes de transformação.

Por um lado, nos bastidores, muitos desses grupos da ‘velha política’ se locupletam da coisa pública e motivam discursos de criminalização da política para que as pessoas continuem acreditando que ela está perdida, apesar de ser a solução para vários de nossos problemas.

“Clamores e urros de revolta e de indignação com a situação social, política e moral do país se espalham.”

Lyssa Gonçalves Costa

É o que querem que nós, cidadãos de bem e trabalhadores, acreditemos. Achar que a política não tem mais jeito é o que querem que nós pensemos. Acreditar no poder do voto como uma força de transformação positiva para a sociedade, para eles, é terrível e impensável. Ter representantes verdadeiramente do povo nos poderes seria, portanto, factível? Digo que sim e, mais do que disso, já está passado da hora de acontecer.

Por outro lado, felizmente, o discurso que está nas ruas e na boca do povo é outro. Clamores e urros de revolta e de indignação com a situação social, política e moral do país se espalham.

Então, antes de encerrar, questiono a você, leitor: você se sente representado politicamente?

Pois eu, mulher, jovem, professora, não. Ainda assim tenho a convicção que a mudança está no novo, na nova política e em eleger candidatos ficha limpa, que não participam dessa política suja que tanto decepciona o cidadão brasileiro.

Bem... caro leitor, como você pôde perceber defendo aqui que retomemos a crença do poder de algumas coisas, dentre elas o poder do voto. Isso porque precisamos repensar nossas escolhas, sair da nossa zona de conforto e buscar por maior representatividade nos cargos eletivos e por trabalho público em prol do cidadão.

Lyssa Gonçalves Costa é professora de Português e Inglês, Mestre em Estudos de Linguagem pela UFMT e presidente da Associação de Professores de Língua Inglesa do Estado de Mato Grosso (APLIEMT). E-mail: lyssagon@gmail.com