Cuiabá, 17/09/2026

Alzheimer precoce: veja quando falhas de memória exigem investigação

Neurologista explica quando lapsos de memória deixam de ser comuns e precisam de avaliação médica, inclusive antes dos 65 anos

Esquecer onde deixou as chaves, não recordar imediatamente o nome de alguém ou entrar em um cômodo sem lembrar o que iria buscar são situações comuns. Em uma rotina de excesso de informações, estresse, noites mal dormidas e múltiplas tarefas, os lapsos de atenção e memória podem se tornar mais frequentes. O alerta surge quando esses episódios se repetem e começam a interferir nas atividades cotidianas.

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O tema ganha destaque em setembro, especialmente no dia 21, quando é celebrado o Dia Mundial e Nacional de Conscientização da Doença de Alzheimer. Embora seja mais frequente entre idosos, a doença também pode se manifestar precocemente. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica como demência por Alzheimer de início precoce aquela que começa antes dos 65 anos.

Segundo o neurologista e professor do curso de Medicina da Afya Centro Universitário de Pato Branco, Vinicius Rodrigues, um episódio isolado de esquecimento não deve ser interpretado automaticamente como sinal de doença neurológica. É necessário observar principalmente a frequência, a progressão das alterações e o impacto na rotina.

“Esquecer alguma informação ocasionalmente pode acontecer, especialmente em períodos de estresse, privação de sono, ansiedade ou sobrecarga. O sinal de atenção aparece quando a pessoa começa a apresentar mudanças persistentes em relação ao seu funcionamento habitual, com esquecimentos recorrentes e dificuldades que passam a comprometer tarefas que antes eram realizadas normalmente”, explica.

Esquecer alguma informação ocasionalmente pode acontecer, especialmente em períodos de estresse, privação de sono, ansiedade ou sobrecarga. O sinal de atenção aparece quando a pessoa começa a apresentar mudanças persistentes em relação ao seu funcionamento habitual, explica o neurologista Vinícius Rodrigues, do curso de Medicina da Afya

Entre os sinais associados à doença de Alzheimer estão o esquecimento de acontecimentos recentes, a repetição frequente das mesmas perguntas e as dificuldades para encontrar caminhos conhecidos, acompanhar conversas ou resolver problemas. Alterações na linguagem, como não conseguir encontrar determinadas palavras, também podem ocorrer.

“Com a progressão da doença, também podem ocorrer mudanças comportamentais e dificuldades de orientação no espaço e no tempo”, acrescenta Vinicius.

Nem todo esquecimento é Alzheimer

Alterações de memória podem ter diferentes causas. Segundo o neurologista, problemas cognitivos também podem estar relacionados ao uso de alguns medicamentos, depressão, deficiência de vitamina B12, alterações na tireoide, infecções e consumo excessivo de álcool.

Algumas dessas condições podem ser tratadas ou até revertidas quando identificadas corretamente. Por isso, em vez de tentar descobrir a causa por conta própria, a orientação é procurar avaliação profissional diante de mudanças perceptíveis e persistentes.

“Quando a família percebe que a pessoa está repetindo perguntas, esquecendo compromissos com frequência, tendo dificuldade para organizar atividades habituais ou se perdendo em locais conhecidos, esses sinais merecem atenção. Isso não significa necessariamente que seja Alzheimer, mas indica que é importante investigar o que está provocando essas alterações”, orienta.

A avaliação pode incluir entrevista clínica, análise do histórico de saúde, exame físico, testes cognitivos e, conforme o caso, exames complementares. O objetivo é diferenciar lapsos provocados por fatores cotidianos de condições que exigem acompanhamento específico.

Diagnóstico não depende apenas da idade

A associação do Alzheimer exclusivamente à terceira idade pode levar à negligência de alterações cognitivas em pessoas mais jovens. Embora os casos de início precoce sejam menos comuns, a idade não deve ser usada para descartar a necessidade de investigação diante de sintomas persistentes.

“Em uma pessoa mais jovem, é natural que inicialmente sejam consideradas outras causas para as dificuldades de memória e concentração. Mas sintomas progressivos, principalmente quando começam a afetar a autonomia e o desempenho profissional, social ou familiar, precisam ser avaliados independentemente da idade”, reforça Vinicius.

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta a memória e outras funções cognitivas. Segundo o Ministério da Saúde, é a causa mais frequente de demência e representa entre 60% e 70% dos casos no mundo.

A orientação é observar menos os esquecimentos isolados e mais as mudanças no padrão habitual da pessoa. Quando a perda de memória se torna recorrente, avança ao longo do tempo ou começa a prejudicar as atividades cotidianas, é indicado procurar avaliação médica.