Jovens aderem à moda de não tomar banho antes de encontros, mas não é unânime
Tendência viralizou nas redes com a ideia de preservar o cheiro natural do corpo, enquanto pesquisa aponta que higiene segue entre as principais preocupações na intimidade
Nas últimas semanas, uma tendência entre jovens da Geração Z ganhou espaço nas redes sociais: evitar o banho antes de encontros amorosos para, supostamente, preservar os feromônios naturais e aumentar a atração física. A prática viralizou especialmente no TikTok e abriu discussão sobre higiene, desejo e o que a ciência diz sobre o papel do cheiro na atração.
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A ideia de que o odor natural do corpo pode influenciar a atração não é nova. Mas, quando o assunto é intimidade, uma pesquisa realizada pelo aplicativo de encontros casuais ysos indica que a falta de higiene está longe de ser considerada atraente pelos brasileiros.
Higiene preocupa na intimidade
Segundo o levantamento, 100% dos entrevistados afirmaram ter algum nível de receio de que a parceria não seja higiênica. Desse total, 42,9% disseram sentir "muito medo" dessa possibilidade.
Para a sexóloga Tamara Zanotelli, é preciso diferenciar a valorização das características naturais do corpo da falta de higiene.
"É natural que as pessoas sejam atraídas por aspectos sensoriais da outra pessoa, incluindo cheiro, toque e voz. No entanto, isso não significa que a falta de higiene seja desejável ou aumente o interesse sexual. Na prática clínica, percebemos que o asseio continua sendo um dos fatores mais associados à sensação de conforto, segurança e bem-estar durante a intimidade", explica.
Atração vai além do cheiro
Embora estudos investiguem a influência de sinais químicos na escolha de parceiros, a atração humana envolve também fatores emocionais, sociais e culturais.
Para Mayumi Sato, CMO do ysos, a repercussão da tendência pode estar mais relacionada à busca por autenticidade do que à rejeição dos hábitos de higiene.
"Existe um movimento crescente de valorização do corpo real e menos pressão para parecer perfeito o tempo todo. Isso pode ser positivo. Mas nossos dados mostram que, quando a relação avança para a intimidade, a higiene continua sendo um fator extremamente importante para a maioria das pessoas", afirma.
IST e satisfação também geram preocupação
Além da higiene, a pesquisa identificou outras preocupações dos brasileiros durante o sexo. O medo de contrair uma infecção sexualmente transmissível (IST) foi relatado por 92,7% dos participantes, enquanto 78,6% disseram temer não conseguir satisfazer a parceria.
Segundo Mayumi, os resultados apontam para uma preocupação maior com o cuidado durante as relações.
"Os dados sugerem que as pessoas estão cada vez mais preocupadas com aspectos relacionados ao bem-estar da experiência sexual. Questões como higiene, consentimento, proteção e satisfação da parceria aparecem com muito mais força do que preocupações ligadas apenas à aparência física", diz.
Apesar da repercussão da discussão sobre feromônios nas redes sociais, os dados mostram que a higiene continua tendo peso nos encontros. O cheiro natural pode fazer parte da atração, mas, entre os entrevistados pela plataforma, o receio com a falta de higiene é praticamente unânime.