Cuiabá, 17/09/2026

Jovens aderem à moda de não tomar banho antes de encontros, mas não é unânime

Tendência viralizou nas redes com a ideia de preservar o cheiro natural do corpo, enquanto pesquisa aponta que higiene segue entre as principais preocupações na intimidade

Nas últimas semanas, uma tendência entre jovens da Geração Z ganhou espaço nas redes sociais: evitar o banho antes de encontros amorosos para, supostamente, preservar os feromônios naturais e aumentar a atração física. A prática viralizou especialmente no TikTok e abriu discussão sobre higiene, desejo e o que a ciência diz sobre o papel do cheiro na atração.

Magnific

 

A ideia de que o odor natural do corpo pode influenciar a atração não é nova. Mas, quando o assunto é intimidade, uma pesquisa realizada pelo aplicativo de encontros casuais ysos indica que a falta de higiene está longe de ser considerada atraente pelos brasileiros.

Higiene preocupa na intimidade

Segundo o levantamento, 100% dos entrevistados afirmaram ter algum nível de receio de que a parceria não seja higiênica. Desse total, 42,9% disseram sentir "muito medo" dessa possibilidade.

Para a sexóloga Tamara Zanotelli, é preciso diferenciar a valorização das características naturais do corpo da falta de higiene.

"É natural que as pessoas sejam atraídas por aspectos sensoriais da outra pessoa, incluindo cheiro, toque e voz. No entanto, isso não significa que a falta de higiene seja desejável ou aumente o interesse sexual. Na prática clínica, percebemos que o asseio continua sendo um dos fatores mais associados à sensação de conforto, segurança e bem-estar durante a intimidade", explica.

Atração vai além do cheiro

Embora estudos investiguem a influência de sinais químicos na escolha de parceiros, a atração humana envolve também fatores emocionais, sociais e culturais.

Para Mayumi Sato, CMO do ysos, a repercussão da tendência pode estar mais relacionada à busca por autenticidade do que à rejeição dos hábitos de higiene.

"Existe um movimento crescente de valorização do corpo real e menos pressão para parecer perfeito o tempo todo. Isso pode ser positivo. Mas nossos dados mostram que, quando a relação avança para a intimidade, a higiene continua sendo um fator extremamente importante para a maioria das pessoas", afirma.

IST e satisfação também geram preocupação

Além da higiene, a pesquisa identificou outras preocupações dos brasileiros durante o sexo. O medo de contrair uma infecção sexualmente transmissível (IST) foi relatado por 92,7% dos participantes, enquanto 78,6% disseram temer não conseguir satisfazer a parceria.

Segundo Mayumi, os resultados apontam para uma preocupação maior com o cuidado durante as relações.

"Os dados sugerem que as pessoas estão cada vez mais preocupadas com aspectos relacionados ao bem-estar da experiência sexual. Questões como higiene, consentimento, proteção e satisfação da parceria aparecem com muito mais força do que preocupações ligadas apenas à aparência física", diz.

Apesar da repercussão da discussão sobre feromônios nas redes sociais, os dados mostram que a higiene continua tendo peso nos encontros. O cheiro natural pode fazer parte da atração, mas, entre os entrevistados pela plataforma, o receio com a falta de higiene é praticamente unânime.