Mamilo invertido nem sempre é apenas uma questão estética; entenda
Alteração pode ser uma característica anatômica, mas deve ser investigada quando surge ao longo da vida, sobretudo em apenas uma das mamas
Ter o mamilo voltado para dentro pode ser uma característica anatômica presente desde a adolescência. Quando a alteração surge recentemente, porém, especialmente em apenas uma das mamas, é necessário procurar avaliação médica antes de pensar em correção estética.
Divulgação
O chamado mamilo invertido permanece voltado para dentro em vez de se projetar para fora. A condição varia de casos leves, em que ele se exterioriza com estímulo, até situações de retração permanente. Pode estar associada ao desenvolvimento das mamas, a mudanças após a amamentação ou a condições que precisam ser investigadas.
Segundo o cirurgião plástico Vidal Guerreiro, especialista em reconstrução mamária pelo Hospital Pérola Byington e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, saber quando a alteração começou é uma das primeiras etapas da avaliação.
“Quando a paciente diz que o mamilo sempre foi assim, desde muito jovem, estamos diante de uma situação diferente daquela mulher que percebe que um dos mamilos começou a entrar para dentro recentemente. Antes de pensar em correção estética, precisamos entender essa história. Uma mudança nova na mama precisa ser investigada”, explica.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) inclui mudanças no formato do mamilo entre os sinais que merecem avaliação. Isso não significa que toda retração esteja relacionada ao câncer de mama: condições benignas também podem provocar a alteração.
Um exemplo é a ectasia dos ductos mamários, que ocorre quando um ducto se dilata e apresenta alterações nas paredes. A condição pode causar secreção, sensibilidade, nódulo e retração do mamilo.
“O alerta é para aquilo que mudou. Se o mamilo era projetado e começa a retrair, se aparece uma secreção, um nódulo ou alguma alteração na pele, é hora de procurar avaliação e entender o que está acontecendo”, orienta Vidal.
Quando considerar a cirurgia
Quando a inversão é uma característica anatômica e outras alterações já foram descartadas, a correção pode ser discutida em casos de desconforto estético ou funcional.
A técnica depende do grau de inversão e das estruturas envolvidas. Alguns procedimentos exigem a liberação dos tecidos que mantêm o mamilo retraído. Como os ductos responsáveis pela passagem do leite podem estar envolvidos, o desejo de amamentar no futuro precisa ser considerado no planejamento.
“Às vezes, a paciente convive com isso desde a adolescência e nunca teve qualquer problema de saúde, mas aquilo gera constrangimento ou incômodo pessoal. Nesse cenário, depois de descartarmos outras alterações, podemos conversar sobre possibilidades de correção. O mais importante é entender que não existe uma única técnica e que os planos de maternidade também precisam entrar nessa decisão”, afirma.
Conhecer o próprio corpo ajuda a identificar mudanças. Além da retração recente, a saída espontânea de secreção, a presença de nódulos e alterações na pele ou no formato da mama devem ser avaliadas por um profissional de saúde.
“Se o mamilo sempre foi invertido e isso incomoda a paciente, existe espaço para discutir correção. Mas se ele mudou recentemente, a prioridade não é estética. A prioridade é descobrir por quê”, reforça o cirurgião. (Com assessoria)