Cuiabá, 31/10/2026

A 10 meses de fechar mandato, Silval deixa o Governo com obras e dívidas milionárias

A 10 meses de concluir o mandato, o peemedebista Silval Barbosa, que reconduziu o PMDB ao poder em Mato Grosso a partir de 2010, vinte anos depois de ter Carlos Bezerra como chefe do Executivo (87/90), poderá ser lembrado no futuro como o governador das obras da Copa, mas muito mais pelos empréstimos milionários. Somente no ano passado, com respaldo da Assembleia Legislativa, o governo contratou 5 operações de créditos. Juntas somaram nada menos que R$ 1,3 bilhão. Antes, o Palácio Paiaguás havia assegurado outros financiamentos que superam a R$ 1 bilhão para viabilizar obras, como às voltadas aos preparativos de Cuiabá e Várzea Grande para o Mundial de futebol.

O governo afirma que o Estado "está quebrado", acumula dívidas com municípios, empreiteiras e fornecedores e avisa que os grandes projetos, especialmente na área de infraestrutura, só serão concretizados com a injeção desses financiamentos. Diz que o comprometimento das amortizações, juros e demais encargos da dívida consolidada não excede a 11% da receita corrente líquida, daí a capacidade de endividamento. E lá vão os empréstimos. Com o poder de quem tem a caneta nas mãos, inclusive no controle de um orçamento de R$ 13 bilhões, Silval convenceu fácil os deputados a aprovar os empréstimos que queria. E quer mais.

Os empréstimos serão pagos por muitos anos. Entre os mais recentes estão um de R$ 63,9 milhões para investimentos na agricultura familiar e agroindústrias. Um outro, que soma R$ 79,9 milhões, é para executar o programa MT Inovação, a ser contraído junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) ou em outras instituições financeiras nacionais e até estrangeiras. O governo já está autorizado a buscar ainda mais R$ 250 milhões no BNDES, Caixa Econômica ou Banco do Brasil para recuperar rodovias, enquanto algumas delas, como a MT-130 (Rondonópolis-Poxoréu-Primavera do Leste), foram, paradoxalmente, entregues à iniciativa privada, em regime de concessão e com cobrança de pedágio.

Foram feitos também empréstimos de R$ 470 milhões e de R$ 460 milhões, este último para ser utilizado no programa de pontes de concreto. E, assim, segue Silval no Paiaguás até o apagar das luzes de 31 de dezembro deste ano. O compromisso de pagar as dívidas fica para os próximos governadores.

Governador Silval Barbosa, a 10 meses de fechar mandato, deixa dívidas milionárias para sucessores