Com 3 gestores em 2 anos, secretário faz comparação da Saúde com time de futebol
O terceiro secretário estadual de Saúde em menos de dois anos do Governo Pedro Taques (PSDB), João Batista, não teme ser demitido por desgaste em razão da forte pressão que o cargo possui. “Se por ventura, hoje, o governador entender que eu possa deixar a secretaria e outra pessoa com mais qualidade, competência e aptidão precise assumir, eu entrego o cargo e retorno à minha atividade“, admite o gestor em visita à sede do #rdnews.
A menos de três meses no cargo, o secretário enfrenta os mesmos desgastes dos antecessores Eduardo Bermudez e Marco Bertúlio. Atrasos nos repasses para os hospitais regionais e municípios, assim como a falta de medicamento de alto custo são alguns dos inúmeros problemas que a área sempre teve, mas que se agravou com a diminuição dos repasses da União em razão da crise econômica que o país enfrenta.
João Batista confessa que o cargo tem pressão diária e quando as demandas não são cumpridas geram desgastes político e administrativo com os próprios servidores. “E pode culminar em interesse do secretário deixar a pasta e/ou interesse por parte do governador em querer mudar o gestor. Aí possivelmente existe a necessidade de haver essa troca”, exemplifica.
Tarso Nunes
Secretário estadual de Saúde, João Batista explica, sem temer, que se for preciso pode deixar pasta
Para reverter a situação que a Saúde enfrenta há décadas, o gestor confia na experiência de estar à frente da área há 10 anos, quando foi secretário em Nova Mutum de 2001 a 2007, e voltou a ocupar em 2013 até abril deste ano. Admite que os problemas são ampliados na pasta estadual se comparados com a municipal. “Vivencio essas demandas, essa pressão há 10 anos. Eu tenho vontade de ajudar a resolver, existe vontade pelo governador, então precisamos conjunto de segmentos para que possamos dar melhor resultado, que é motivo do nosso trabalho”, ressalta.
Em um ano e nove meses deste governo, segundo João Batista, houve avanços, por exemplo, no número de leitos em UTIs. Em quatro anos da Gestão Silval Barbosa (PMDB) foram instaladas 57. Agora, o número subiu para 297 novos leitos.
Com R$ 1,4 bilhão anual, a Saúde divide com a Educação o segundo maior orçamento da máquina estatal, composta por 22 secretarias e, juntas, empregam cerca de 100 mil servidores. O maior "bolo" orçamentário está com a Segurança Pública, com previsão de R$ 1,9 bilhão neste ano.
Continuidade
A área que se tornou "calcanhar de Aquiles" do governo, iniciou com Bertúlio que comandou a pasta de janeiro de 2015 a outubro do ano passado. Apesar de Taques ter afirmado que o ex-secretário foi quem pediu demissão, nos bastidores a informação é de que foi exonerado em razão dos desgastes enfrentados.
Em seu lugar assumiu Bermudez, que ficou até julho deste ano. O substituto não conseguiu dar celeridade aos processos, inclusive na compra de medicamento. Enfrentou desgaste também porque os hospitais regionais, mesmo sob gerenciamento de OSS, não estão funcionando regularmente e acumulam demandas, trazendo reflexos negativos à administração estadual.
Governo confirma novo secretário de Saúde; terceiro em menos de 2 anos
João Batista compara a situação da Saúde a um time de futebol, quando a equipe não vai bem, geralmente, se pede para mudar o técnico sem dar tempo de trabalho. “Assim na secretaria de Saúde pode acontecer isso e em outras pastas também”, ameniza.
No entanto, o secretário espera que, com a formatação da equipe, possa desenvolver trabalhos significativos para colher resultado, atender bem a população, ampliar serviços e dar mais agilidade aos processos da pasta. “O governador é uma pessoa de muito bom senso, sabe mensurar essa situação. Temos muita demanda e trabalho, e o governo está sendo parceiro e dando condições, conforme as possibilidades. Esperamos que melhore ainda mais no ano que vem, para conseguirmos desenvolver essa atividade com mais firmeza e com condições de atender a população”, avalia.