Com a Copa, pré-candidatos ficam de escanteio pelos próximos 30 dias
Pelos próximos 30 dias, o Brasil ficará atento ao que rola na África do Sul. À medida que a Seleção Brasileira ganha e prolonga sua estadia no país da Copa, mais o brasileiro se prenderá ao futebol. Ninguém pensa em outra coisa. São empresas liberando funcionários. As repartições publicas, então, nem se fala. O Mundial só sairá da cabeça mesmo a partir de 11 de julho. Aí, começam outros jogos, os das eleições gerais, quando serão escolhidos, em 3 de outubro, nome para Presidência da República, dois terços das 81 vagas de senador, 24 cadeiras na Assembleia e mais 8 na Câmara Federal como representantes de Mato Grosso.
Muitos acreditam que o impacto da Copa do Mundo nas eleições é capaz de mudar cenários na corrida presidencial e também para governador. Embora o eleitor brasileiro costuma mudar o astral neste período e existam muitos candidatos que se aproveitam do interesse que as pessoas têm pelo futebol e busquem se promover, em meio aos exageros e incentivos da mídia junto aos torcedores, essas emoções não mudam o placar eleitoral. A história prova isso. Quem mais tentam tirar proveito das vitorias são os candidatos que representam o governo.
Em 1994, quando o Brasil conquistou o tetracampeonato em cima da Itália, Dante de Oliveira, então no PDT, era candidato de oposição é ganhou o Palácio Paiaguás contra Oswaldo Sobrinho (PTB), que tinha apoio do então governador Jayme Campos (então PFL e hoje DEM). Fernando Henrique Cardoso (PSDB) chega à Presidência, derrotando o petista Lula.
Quatro anos depois, o Brasil perde na final para a França, enquanto Dante, dois meses depois, reconquista o mandato, já pelo PSDB, contra Júlio Campos (PFL). FHC também garante mais quatro anos de gestão à frente do Palácio do Planalto. Em 2002, a Seleção ganha o penta realizada na Coréia do Sul e no Japão, na final contra Alemanha, enquanto, por aqui, Blairo Maggi chega ao Paiaguás 60 dias depois, liquidando a briga já no primeiro turno. Na época, o empresário estava no PPS. Nacionalmente, foi a vez de Lula vencer José Serra e conquistar a Presidência. Naquele ano, a euforia no futebol não trouxe nenhum benefício para Serra, candidato de FHC, e muito menos para Antero de Barros, nome empurrado pelo tucanato que estava no poder.
Em 2006, o Brasil perde nas quartas de final para a França e, em Mato Grosso, Maggi reconquista a cadeira de governador no primeiro turno, assim como Lula no comando do país. Desta vez, Maggi e Lula abateram dois tucanos, Antero e Geraldo Alckmin.
Agora, há três principais pré-candidatos colocados na corrida à sucessão estadual. Eles se mostram entusiasmados com a Seleção Brasileira nesta Copa e não poderiam se manifestar diferentes, sob pena de não ter a simpatia dos torcedores-eleitores. Silval Barbosa (PMDB), Wilson Santos (PSDB) e Mauro Mendes (PSB) vão assistir aos jogos da Seleção com camiseta com as cores verde e amarela. Entram no clima de euforia acreditando que os eleitores estão com um olho na eleição e outro na Copa. Os candidatos natos não querem ficar perdidos de vista. Quando a bola da Copa parar de rolar na África do Sul, eles entram em campo como protagonistas da disputa ao Paiaguás. Só um, ao final, não levará cartão vermelho do eleitor.