Cuiabá, 31/10/2026

Com candidatura barrada pelo TRE, Riva vai instigar comoção como vítima e perseguido

José Riva já sabia que dificilmente teria a chancela do Pleno do TRE-MT para ser candidato a governador. Ele acumula condenações, inclusive por colegiado. E preparou o ambiente político para receber a decisão pelo indeferimento da candidatura, o que aconteceu nesta quinta, por unanimidade.

Assim como uma partida de futebol, em que cada time cria expectativa otimista antes da partida, mesmo sabendo do risco da derrota, seus advogados insistiam na tese de que Riva é considerado ficha limpa. Foi um esforço tremendo e uma campanha sistemática, sustentando que Riva não tem condenação por improbidade. Na esperança de convencer os juízes do TRE, divulgaram jurisprudência do TSE, segundo a qual é preciso acumular prejuízo ao patrimônio público e o enriquecimento ilícito para que o candidato se enquadre na Lei da Ficha Limpa.

Não teve jeito. Riva foi barrado em segunda instância. Mas os correligionários, muitos deles em campanha apaixonada por Riva, vão ajudar no trabalho exaustivo de mobilização. Dirão que o deputado está sendo perseguido. Que o Ministério Público e a Justiça estão tirando a oportunidade do candidato do PSD se tornar governador. Riva vai entrar no mesmo embalo. Se passará de vítima e de injustiçado, acreditando que uma campanha apelativa, visando tocar a alma e o coração do eleitor, o ajudará a superar a rejeição e os obstáculos jurídicos.

É possível que o emblemático deputado de cinco mandatos consiga se manter na disputa, agora sub judice, já que recorrerá da decisão junto ao TSE. Como persiste a insegurança jurídica, ou perderá apoio, vindo a cair nas pesquisas de intenção de voto, ou até subir, em meio à comoção propagada por aqueles que defendem-no. De todo modo, a hipótese de um inédito segundo turno para governador, em cuja batalha eleitoral estão outros fortes candidatos (Pedro Taques e Lúdio Cabral) está condicionada à permanência de Riva no páreo.