Cuiabá, 01/11/2026

Comercialização de bebidas alcoólicas em estádios divide opiniões na sociedade

A comercialização de bebidas alcoólicas na Arena Pantanal e no Estádio Eurico Gaspar Dutra, popularmente chamado de Dutrinha, divide opiniões de pessoas que defendem e as que são contra a venda e consumo de álcool, pois acreditam, dentre outras coisas, que a violência aumentará nestes lugares.

O tema voltou à tona após a maioria dos vereadores por Cuiabá derrubar o veto do prefeito Mauro Mendes (PSB), na semana passada, e promulgar a lei. A mensagem é de autoria de Faissal Calil (PSB). Conforme pesquisa divulgada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), apenas 5% da população acredita que o consumo de bebida alcoólica tem relação com a violência nos estádios.

A maioria afirma que torcedores fanáticos, declaração de jogadores, decisões de árbitros, falta de segurança e infraestrutura inadequada são fatores determinantes para a violência nos palcos onde é praticado o futebol. Neste sentido, o professor de Direito Desportivo da FGV, Pedro Trengrouse, aponta em seu artigo que após a realização da Copa, em 2014, ficou constatado que a venda de cervejas nos estádios não gera violência. Vale lembrar que no Mundial a comercialização foi liberada. Segundo ele, em cada quatro consumidores de cervejas, um está relacionado ao futebol.

Para sustentar a tese da liberação de cerveja nos estádios, o professor revela que um estudo feito pelo Estádio do Mineirão, em Belo Horizonte (MG), aponta que a proibição de bebidas alcoólicas aumentou em 15% os incidentes nos estádios. Além disso, a pesquisa constatou um pequeno aumento no porte de drogas ilícitas e álcool ilegal. Hoje, o Mineirão é um dos campos que têm a comercialização de bebida alcoólica liberada.

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  Liberação de cerveja em estádios de futebol gera polêmica devido alguns acharem que aumentará
    a violência, enquanto outros pensam que as pessoas devem ter livre arbítrio para consumir alcoól

Caro leitor, você que frequenta estádio ou pelo menos já foi uma vez, sabe que a venda de bebidas alcoólicas “rola solta” a poucos metros das catracas dos estádios. Alguns torcedores, inclusive, chegam mais cedo para fazer o famoso “esquenta” antes de adentrarem.

Na Inglaterra, estudo feito em 2011, mostra sérios problemas oriundos da proibição de bebidas alcoólicas nestes locais. De acordo com a pesquisa, houve aumento do consumo de bebidas antes dos torcedores entrarem nos estádios; alguns entram em cima da hora do jogo, dificultando o esquema de segurança e causando tumulto; e outros consomem bebidas em quantidades elevadas e com mais rapidez para não perder o início da partida, sabendo que no estádio é proibida a venda de álcool.

Dentre os 26 Estados mais o Distrito Federal, sete já autorizaram o uso de bebidas alcoólicas. Além de Minas Gerais, os Estados que já liberaram foram Bahia, Goiás, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e Pernambuco. Outros avaliam propostas, como São Paulo e Curitiba.

O mestre em Direito Desportivo pelo Instituto Nacional de Educação Física da Catalunha (Espanha), Gustavo Lopes Pires de Souza, afirma ainda que a proibição de cervejas é uma interpretação equivocada do Estatuto do Torcedor. “Que estabelece a proibição do torcedor nos estádios portando objeto ou substância que cause violência. Assim de inexistir qualquer proibição para a sua venda, não há qualquer estudo que comprove que a cerveja cause violência”, consta trecho do artigo.

Por outro lado, há os que defendem a proibição. O sociólogo especializado em esporte e autor do livro “Para entender a violência no futebol”, Maurício Murad, em entrevista ao jornal Estadão, diz que culpar a bebida pelo aumento da violência é exagero. Entretanto, pondera que o álcool reduz a censura e a autocrítica, o que facilita o individuo ultrapassar limite e potencializar a agressividade e violência.

O fato é que as bebidas alcoólicas não têm vinculação direta à violência dentro dos estádios. As incidências são maiores em torno dos estádios ou até mesmo bem longe. Várias torcidas organizadas combinam a briga há quilômetros dos gramados. Se puxarmos na memória, as últimas brigas foram devido a falta de segurança ou de infraestrutura, como ocorrido em 18 de janeiro, no jogo entre São Paulo e Rondonópolis (MT), pela Copa São Paulo de Futebol Junior - veja aqui.

É preciso que as pessoas possam ter o livre arbítrio de ingerir bebida alcoólica ao acompanhar seu time do coração in loco. Caso haja excesso, que a pessoa seja penalizada.