Constrangido, Meraldo assume vaga de deputado preso, mas adianta que não vai utilizar o gabinete
Gilberto Leite/Rdnews
Suplente de Gilmar Fábris, Meraldo assume cadeira na AL com cautela
O suplente de deputado estadual Meraldo Sá (PSD), que assumirá a vaga do correligionário Gilmar Fabris, preso por suposta obstrução à Justiça, afirma que ocupa o posto numa situação atípica. “A gente fica sem saber o que falar. Mas jamais queria assumir numa situação dessa. Sonho em ser deputado, mas não dessa forma”, explica o social-democrata ao #rdnews.
Segundo Meraldo, a intenção era tornar-se deputado com a ida de Zé Domingos Fraga (PSD) para o TCE ou outro parlamentar do partido se licenciar para assumir pela segunda vez nesta legislatura. A primeira foi em dezembro de 2015 quando o próprio Fabris tirou licença de 120 dias, época em que apresentou o polêmico projeto sobre porte de estilingue. “Infelizmente me faculta o direito de assumir. Espero que possa resolver essa situação”, sustenta.
Para se solidarizar com Fabris, Meraldo promete fazer em seu primeiro discurso amanhã (26), durante sessão vespertina, uma fala sobre colega e negar que fez pressão para assumir a vaga, como foi ventilado nos bastidores. “Vim de família humilde e jamais consegui algo em cima da desgraça de ninguém.”
De todo modo, o deputado promete ficar alheio à discussão entre Assembleia e o STF para definir se é papel do Legislativo decidir sobre a prisão do deputado. Uma petição foi encaminhada ao Supremo para questionar essa situação. Ainda não há resposta. “Isso é problema da Mesa Diretora, quero ficar o mais longe possível desse debate”, explica o social-democrata acrescentando que qualquer interesse pode parecer tentativa de manter-se no cargo.
“A gente fica sem saber o que falar. Mas jamais queria assumir numa situação dessa. Sonho em ser deputado, mas não dessa forma”
Ex-presidente da Associação Mato-Grossense dos Municípios (AMM), Meraldo promete focar em ações para a baixada cuiabana. No entanto, prega cautela, visto que não sabe ao certo o tempo que ficará na cadeira de Fabris. “A minha situação é horrível. Não sei se vou ficar dois dias, um mês, não tenho essa garantia”, lamenta.
Gabinete
Para evitar constrangimentos, Meraldo afirma ainda que não pretende utilizar a estrutura do deputado Fabris, como por exemplo, o gabinete. Segundo ele, vai pedir um outro local para se acomodar. “Não vou ocupar o gabinete em respeito a ele. Se preciso for, fico em outra sala.”
Eleito segundo suplente da chapa pura do PSD, com 18.006 votos, Meraldo também é ex-secretário de Agricultura do Estado. Ele entra no posto de Gilmar 2 anos e 9 meses depois deste se efetivar na vaga devido à morte, em 2014, de Walter Rabelo, eleito por 27.232.