Cuiabá, 31/10/2026

Em época de fartura, Luverdense encara o timão na terra da soja

   Com 9 anos de fundação e 2 títulos estaduais, o Luverdense, de Lucas do Rio Verde, se tornou orgulho do futebol mato-grossense. Para receber hoje o Corinthians, campeão do mundo de 2012, no acanhado Passo das Emas, pelas oitavas-de-final da Copa do Brasil, feito inédito na história de Mato Grosso, eliminou times tradicionais. Já está entre os 16 melhores do país.

   Na caminhada, houve ajuda financeira substancial do empresariado da região, assim como de instituições financeiras, como do banco Sicredi, e do poder público. A prefeitura, sob Otaviano Pivetta (PDT), está diretamente envolvida com o time local. O prefeito é do mesmo grupo político do presidente do Luverdense, ex-suplente de deputado Helmute Lawisch. Todo esforço, com dedicação, planejamento e responsabilidade, tem suas recompensas.

   Só o fato de chegar às oitavas, o Luverdense já embolsou cerca de R$ 1 milhão da CBF. Quando ganhou a primeira fase, foi contemplado com R$ 150 mil. Ao passar para a segunda, levou mais R$ 150 mil. A superação da terceira fase rendeu outros R$ 400 mil e mais R$ 500 mil por ter chegado até aqui, deixando para trás Tupi, Bahia e Fortaleza. E o clube mato-grossense poderia ter avançado mais ainda se a CBF não tivesse mudado o regulamento, que permitiu que times que disputam a Libertadores, como Fluminense, Atlético Mineiro, Grêmio, Vasco e Corinthians, já entrasssem nas oitavas da Copa do Brasil.

   Se vencer o timão, o que elevará a cota financeira e o prestígio do clube mato-grossense junto à CBF, o Luverdense vai levar 70% da renda. Se empatar, ficará com 50%. Em caso de derrota, “abocanhará” 30%. Foram colocados à venda 9 mil ingressos, ao custo de R$ 120 reais inteira e R$ 60 reais a meia-entrada. O jogo inédito, inclusive com transmissão ao vivo pela Rede Globo, deve resultar numa renda bruta de R$ 1 milhão. O estádio é da prefeitura. Coube, então, ao município preparar toda estrutura. O Luverdense não teve despesas com isso, mas as despesas gerais são “salgadas”. Só a folha salarial é de R$ 250 mil mensais.

   Embora menos de 10 mil vão estar dentro do pequeno estádio, cerca de 20 mil pessoas circulam por Lucas do Rio Verde por ocasião do jogo. Os hotéis estão lotados. É o futebol, que virou um negócio, movimentando a economia de um município desbravado por sulistas e na lista dos mais ricos do Estado com "gigantes" plantadores de soja adubando a terra.