Emanuel cita remédio amargo, pede união, paciência e prega o fim do fisiologismo
Gilberto Leite
Emanuel Pinheiro ao lado da esposa Márcia durante a solenidade de posse
Em um discurso que durou exatos 33 minutos, o prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro (PMDB) – empossado neste domingo (1º de janeiro) - fez referências a apoios políticos, de servidores e da família, além de citar a importância de Deus em sua vida pessoal e como gestor.
Prometeu deixar para traz qualquer rusga política do período eleitoral e que não vai ficar lamentando “heranças malditas” que venha a receber do ex-prefeito Mauro Mendes (PSB). “Já sabia que não seria fácil. Agora, é hora de arregaçar as mangas e colocar o discurso em prática. Hora de trabalhar duro”, discursou, sob aplausos.
Avisou, entretanto, que não há soluções milagrosas “servidas em bandejas”, por isso, tem consciência que terá que tomar medidas austeras e dar remédios amargos. Para tanto, pediu que seja feito um amplo “pacto por Cuiabá”, envolvendo todos os setores. “Em meu governo, os interesses de Cuiabá estarão em primeiro lugar”.
Nessa linha, pediu paciência para os cuiabanos e disse que quer ser julgado apenas ao final do seu mandato e não após alguns dias ou anos. Ele abriu a fala citando um poema, de autor desconhecido, sobre as belezas e encantos de Cuiabá – que foi feito quando a cidade completou 200 anos. Depois, reforçou que está consciente de que terá desafios gigantes para construir a Cuiabá dos 300 anos.
Apesar de rasgar elogios aos aliados políticos, com destaque ao presidente de seu partido, deputado federal Carlos Bezerra e ao senador Wellington Fagundes (PR), Emanuel garantiu que não haverá fisiologismo em seu governo. Disse, mais de uma vez, que vai estabelecer metas e prioridades, sendo que combaterá qualquer ato de corrupção.
Citou algumas áreas como prioridades: saúde, educação e geração de emprego. O peemedebista afirmou também que vai abrir a Prefeitura de Cuiabá para a população e que vai valorizar os servidores.
Relação com Poderes
Emanuel aproveitou o discurso para enfatizar que vai manter uma relação harmônica e de parceria com os Poderes, frisando que pretende construir parcerias com o Governo Pedro Taques (PSDB) e com a Câmara de Cuiabá, sob Justino Malheiros.
Representando Taques, do grupo político adversário de Emanuel, o secretário da Casa Civil Paulo Taques garantiu que todas as parcerias serão mantidas. Citou como exemplo os R$ 2 milhões mensais para o Hospital São Benedito e verbas destinadas à construção do novo pronto-socorro. “Nosso governo permanece de portas abertas ao senhor (Emanuel), seu vice e a seus secretários”. Emanuel agradeceu e disse que não esperava outra postura do Executivo estadual.
Galeria: Posse Emanuel
Minutos antes do discurso de Emanuel, Mauro Mendes (PSB) fez a sua última fala como prefeito. Frisou que deixa o palácio Alencastro com o sentimento de dever cumprido. “Fizemos muito, mas há muito o que fazer”, reconheceu. Depois, desejou sorte ao novo gestor.
Solenidade
Cerca de 2 mil pessoas acompanharam a solenidade de posse de Emanuel e de seu vice Niuan Ribeiro (PTB). A decoração no Centro de Eventos do Pantanal contou com uma viola de cocho gigante, além de canoas recheadas com frutas como manga, abacaxi e laranja. Flores e plantas da terra também enfeitaram o local.
O ato de posse foi comandado pelo presidente do Legislativo Justino Malheiros. O ato começou com 1h de atraso, por volta das 19h e se estendeu até às 21h30, quando começou o coquetel de comemoração e momento de cumprimentos.
Autoridades, familiares e amigos lotaram o auditório principal do Centro de Eventos do Pantanal, sendo que muitos ficaram em pé. Entre os presentes estavam os ex-governadores Frederico Campos, Márcio Lacerda e Júlio Campos, além do secretário Paulo Taques (representando o governador Pedro Taques) e o chefe do Ministério Público Paulo Prado. Também prestigiaram os deputados federais Victório Galli (PSC) e Valtenir Pereira (PMDB), além da estadual Janaína Riva (PMDB).
Antes da chegada de Emanuel, houveram apresentações com a participação de Penélope e do Balé Carolina, além de Comadre Pitu (que recepcionou os convidados). Foram distribuídas rosas às mulheres e a banda Ciranda Sax Club tocou músicas na recepção.
O clima foi de festa, com apenas dois momentos tensos. Houve vaias quando Carlos Bezerra criticou Mauro Mendes, reclamando que a inauguração de parques não é tão importante; e quando Paulo Taques disse que o governo está de portas abertas para os vereadores cuiabanos.
Agradecimentos
Nos agradecimentos finais, Emanuel citou a importância da esposa Márcia Pinheiro, dos filhos Elvis e Emanuel filho, além dos irmãos da mãe Maria e do pai Emanuel Pinheiro (Já falecido).
O evento foi encerrado com a música “tiro o chapéu”, jingle da campanha. Depois, foi declamado um poema por Lúcia Palma e teve um show com Roberto Lucialdo.