Cuiabá, 30/10/2026

Estratégia de Rayel eleva Silval

    Com jeito humilde, discreto e desconhecido do público em Mato Grosso, o marqueteiro Carlos Rayel, experiente nos embates de bastidores das campanhas, inclusive presidenciais, tem apresentado papel fundamental no crescimento da candidatura à reeleição do governador Silval Barbosa. Ele ajudou o peemedebista a construir o projeto há quase dois anos, quando foi contratado. Mudou-se provisoriamente de São Paulo para Cuiabá. A partir daí, toda a estratégia da campanha foi construída por Rayel.

    Ocorreram ações apelativas, como a polêmica das cartas distribuídas até para crianças em Cuiabá, em nome de Silval, para atrair, desde cedo, a simpatia do eleitorado. Mas, por outro lado, o trabalho de envio de mala-direta e de marketing ajudou o peemedebista a ganhar espaço em Cuiabá, Grande Grande e também em Rondonópolis, cidade-pólo do Sul do Estado. Hoje, Silval não é o líder na capital, território eleitoral dos seus dois principais adversários Mauro Mendes (PSB) e Wilson Santos (PSDB), mas pontua em primeiro lugar nas intenções de voto em todo o Estado.

     A praticamente dois meses das eleições, Mendes, o último a oficializar a candidatura majoritária, ainda está na fase de organização da campanha, assim como Wilson, que já sonhava com o projeto de concorrer ao Paiaguás, mas não fez o planejamento estratégico.

     Pelo estilo moderado e, até então discreto no Paiaguás, uma forma de não criar conflitos com o governador Blairo Maggi, o vice Silval ficou mais retraído. Isso deu aos adversários e a muitos aliados da base governista argumentos de que o peemedebista não iria "decolar" e que poderia ser substituído por Mendes ou até mesmo pela candidatura de Wilson, que até o início deste ano flertava com Maggi, na esperança de tê-lo como cabo eleitoral.

    Como o projeto, mesmo discretamente, já andava sobre a batuta de Rayel, Silval apenas deu um "combustível" a mais na velocidade de sua candidatura, assim que assumiu a cadeira de governador. Ele poderia até estar melhor nas pesquisas, não fosse as conspirações, os escândalos, como da compra superfaturada de maquinário, de prisões de assessores e de aliados do PMDB e também do vacilo de Maggi em deixar o grupo se dividir em três.

     Os correligionários avaliam que, com a liderança nas pesquisas, Silval precisa apenas administrar questões paroquiais, apagar o chamado fogo amigo e contrapor os ataques da oposição, para reconquistar o Paiaguás. Outros entendem que o governador já está perdendo fôlego e que já teria atingido o teto eleitoral. Consideram que o programa eleitoral, que começa em 17 de agosto, e os debates, tendem a tirar voto do peemedebista.

     De todo modo, aqueles descrentes em Silval, já começam a mudar o discurso, porque todas as teses negativas não "colaram" no peemedebista. Um dos que ajudaram-no a superar os bombardeios foi Carlos Rayel. Em verdade, trata-se de um profissional que acumula experiência nesse tipo de ação. Foi marqueteiro de Anthony Garotinho, que disputou a Presidência em 2002 e que acabou contribuindo para levar o pleito ao segundo turno no embate entre José Serra e Lula. Rayel foi responsável ainda pelo marketing da campanha vitoriosa de Rosinha Matheus ao governo do Rio de Janeiro, também em 2002, e ajudou Lindbergue Farias a conquistar, por duas vezes, a Prefeitura de Nova Iguaçu (RJ). Atuou como marqueteiro de outras figuras políticas do cenário nacional.

    Em Mato Grosso, Rayel se destacou na vitória de Zé do Pátio à Prefeitura de Rondonópolis, em 2008. Na época, o peemedebista era tido como "zebra" diante do então prefeito Adilton Sachetti (PR), que buscava a reeleição com apoio dos governos estadual e federal e dos principais grupos políticos da região Sul, capitaneados por Blairo Maggi, Wellington Fagundes e vários deputados estaduais. Silval, assim que obteve referências do marqueteiro, o contratou. Enquanto isso, profissionais tanto da velha guarda quanto os novos tentaram desestabilizá-lo, diminuindo o trabalho realizado por Rayel e, para piorar, promovendo intrigas. Assim como no futebol, onde prevalece a tese de que em time que está ganhando não se deve promover trocas, Silval optou por continuar com o mesmo marqueteiro por considerá-lo humilde, seguro, capaz de aguentar pressão e que foi fundamental para a subida gradativa nas pesquisas, saindo de menos de 5%, no início de 2009, para os atuais 38% das intenções de voto.