Cuiabá, 12/10/2026

Henry adia licença; Daltro continua no staff

    Pedro Henry (PP) decidiu empurrar para abril o seu pedido de licença por quatro meses do cargo de deputado federal. Com isso, o primeiro suplente Chico Daltro, que já tinha limpado as gavetas para deixar a secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia com vistas a estrear na Câmara, pediu ao governador Blairo Maggi para prosseguir no primeiro escalão. Quem se vê frustrada com essa decisão de Daltro é sua adjunta Adriana Correira da Costa Monteiro, que iria assumir o comando da pasta por alguns dias. Daltro sairá do governo junto com o próprio Maggi, que renunciará em 31 de março para concorrer à vaga de senador.

   Daltro vai concorrer de novo a federal. No pleito de 2006, ele ficou na primeira-suplência, com 49.949 votos, numa coligação PP/PFL que garantiu duas cadeiras, uma com a eleição de Eliene Lima e outra com a reeleição de Pedro Henry. Os dois parlamentares também buscam novo mandato. A chapa proporcional do PP é considerada um das mais fortes. Tem ainda no páreo o empresário de Sinop Roberto Dorner (ex-PDT) e o produtor rural e suplente de federal Neri Geller (ex-PSDB). Presidente regional do PP, Chico Daltro pertencia ao grupo do ex-governador Dante de Oliveira (já falecido), do qual fez parte como secretário de Agricultura. Bastou Maggi chegar ao poder que se aliou à chamada turma da botina. Está há praticamente dois anos no comando da Ciência e Tecnologia, único cargo do primeiro escalão sob indicação do PP.

   Pedro Henry tem Cáceres como principal base eleitoral. Ele foi vice-prefeito e teve o irmão Ricardo como prefeito. Neste final de ano, quando Daltro já estava de olho no paletó para a posse na Câmara, Henry o avisou que só sairá de licença a partir de abril para ter mais tempo na agenda de sua campanha à reeleição. Partirá para o chamado "tudo ou nada". Quer intensificar as visitas para superar o desgaste que atravessou nos últimos três anos com envolvimento de seu nome em escândalos, que quase custaram o seu mandato. Aliás, foi cassado sob acusação de ter cometido abuso de poder econômico no pleito de 2006, mas conseguiu se segurar no cargo graças a uma liminar obtida no TSE.

    Apesar das críticas que sofre da oposição, Henry continua com a popularidade em alta na região Oeste, sustentada por vereadores e prefeitos que o tem como principal referência. Seu trunfo são os recursos federais. Bem articulado politicamente junto aos Ministérios do governo do presidente Lula, Henry consegue não apenas apresentar emendas, mas liberá-las depois e, ainda, com cerca agilidade. Assim, contempla alguns municípios com recursos e, em moeda de troca, fecha composições políticas com lideranças locais, visando o pleito de 2010.