Cuiabá, 01/11/2026

Jayme aponta conspiração contra Lucimar e diz que população não vende voto por lata d’água

Gilberto Leite

Jayme Campos diz que sabia 15 dias antes da decisão sobre 1ª cassação de Lucimar

O secretário de Assuntos Estratégicos de Várzea Grande, Jayme Campos (DEM), afirma que sua esposa, a prefeita Lucimar Campos (DEM), tem sido vítima de uma “conspiração” que visa atrapalhar sua gestão. A avaliação do político leva em consideração as duas decisões judiciais que determinaram a cassação do diploma e mandato da gestora.

As sentenças foram proferidas pelo juiz Carlos José Rondon Luz, da 20ª Zona Eleitoral. A primeira decisão é de junho deste ano, em que Lucimar e seu vice, José Hazama (PRTB), foram condenados por gasto exacerbado com publicidade em ano eleitoral.

A segunda sentença, proferida na última semana, além de Lucimar e Hazama, o presidente da Câmara de Várzea Grande, Chico Curvo (PSD), foram condenados por abuso e desvio do poder público.

De acordo com Jayme, as decisões judiciais têm causado instabilidade da gestão de Lucimar. Ele cita que por conta do temor da população quanto à possível saída da prefeita, a arrecadação do município tem caído.

Lucimar e Hazama só deixam os cargos caso as sentenças de 1º grau sejam mantidas em 2ª instância. “Estávamos com programa aprovado na Caixa Econômica Federal de R$ 150 milhões para fazer 170 km de asfalto nos bairros da periferia. Na medida em que sai a possibilidade de a prefeita ser cassada, suspende-se todos os encaminhamentos. Causa um prejuízo gigantesco para a cidade”, diz ao #rdnews.

O secretário ainda diz que é preciso mais responsabilidade, uma vez que a Lucimar não cometeu ilícito, como superfaturamento e desvio do erário público. “O mal de Lucimar foi ter ganho a eleição de forma esplendorosa.”

“Imagino que o eleitor de Várzea Grande não se vende a troco de lata d’água. É um eleitorado muito inteligente”

Inocente

A decisão que cassou Lucimar e vice pela segunda vez foi mantida pelo magistrado, que negou recurso interposto pela defesa da gestora. Na ação, o magistrado leva em consideração denúncia apresentada pela chapa opositora à prefeita, nas eleições do ano passado.

Na ação, a chapa adversária apresentou um vídeo em que o ex-presidente do Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande, Eduardo Abelaira Vizotto, e Curvo aparecem em uma reunião, na qual pediram voto em troca de disponibilizar um caminhão pipa a uma comunidade carente. Aproximadamente 50 pessoas teriam participado da reunião, que teria ocorrido menos de 20 dias antes da eleição em 2016.

Jayme, no entanto, garante que não houve compra de votos. Ele explica que na reunião os moradores relataram problemas com o abastecimento de água. Vizotto e Curvo, por sua vez, esclareceram que Lucimar tinha um projeto para buscar sanar tal situação e que se, naquele momento, os moradores estivessem sem água, deveriam acionar o presidente do bairro, para que ele procurasse o DAE, que mandaria caminhões pipa ao local.

O secretário ironiza e diz que o número de eleitores que estavam na reunião, caso tivessem tido seus votos comprados, não iria interferir no resultado da eleição. “Imagino que o eleitor de Várzea Grande não se vende a troco de lata d’água. É um eleitorado muito inteligente”, declara.

Imparcialidade

Por fim, Jayme suspeita de parcialidade do magistrado, uma vez que já se sabia das condenações de Lucimar antes mesmo das sentenças serem proferidas e publicadas. “A primeira cassação, nós sabíamos 15 dias antes da decisão. Nessa [segunda], encontrei com uma amiga que disse ter sido avisada de que no outro dia, quando Lucimar completou um ano da vitória, ela seria cassada. Metade da cidade já sabia que Lucimar seria cassada. Será que a Justiça está sendo imparcial?”, questiona.