Cuiabá, 31/10/2026

Maggi vai para a encruzilhada torcendo por divisão de grupos

   Blairo Maggi caminha para uma encruzilhada. Chegará nela daqui a 10 meses. Aí, quando entrar em abril de 2014, será o momento de dizer se será ou não candidato de novo a governador. Não haverá mais tempo para “engessar” o processo eleitoral. Por enquanto, o senador com a experiência de quem comandou o Estado por 7 anos e 4 meses não assume para valer a pré-candidatura ao Palácio Paiaguás. Seus familiares, eleitores, correligionários e parceiros estão aguardando a decisão oficial. Como surge como nome mais forte nas intenções de voto, o que significa que reconquistaria hoje a cadeira de governador, Maggi valoriza o passe na política, assim como o atleta no futebol quando se vê disputado pelos clubes e posterga escolha de olho na melhor oferta para assinar contrato.

   No fundo, Maggi quer disputar, mesmo com poucos partidos para não deixar o palanque pesado. Mas, antes, aguarda mexidas no tabuleiro político para saber se terá mesmo chances reais de êxito nas urnas. O “sim” dependerá de algumas situações.

   1ª) Como vai estar o governo Silval Barbosa (PMDB) até março? Hoje, o desejo do ex-governador é de se desgrudar de Silval, braço que ele criou como vice e depois o colocou no Paiaguás. E a campanha nessa linha começou. Maggi está em sintonia com segmentos do agronegócio e com Luiz Pagot, que aderiu ao PTB, todos atirando contra Silval, querendo empurrá-lo para longe do republicano. Por mais que o senador do PR não admita publicamente, ele tem orientado correligionários nos bastidores a viabilizar o seu projeto sem Silval no palanque. Entende que o governo está muito desgastado e sob crises. Mas há algumas ponderações. Se o peemedebista não for candidato ao Senado, condição mais provável, será um alívio para Maggi e motivador para este encarar novo projeto ao governo. Como na política prevalece o oportunismo, caso Silval consiga recuperar a popularidade com inauguração das obras da Copa-2014 e de outros projetos, como do MT Integrado, Maggi, espertamente, fará questão de tê-lo como aliado. Buscará ajuda da máquina.

   2ª) Desejo de Maggi é que a disputa ao governo tenha ao menos 3 candidatos competitivos, sendo ele próprio, o juiz federal Julier Sebastião da Silva (ou pelo PT ou pelo PMDB), e o colega senador Pedro Taques (PDT), que segue candidatíssimo. Nesse cenário, Julier “herdaria” ônus e bônus do governo Silval e também seria reforçado pelo PT, com possibilidade até do PSD de Riva e de Chico Daltro estar no mesmo barco.

   3ª) Maggi teme escândalos e efeito-Taques. O que o ex-governador não aceita é ser chamado de ladrão por causa dos escândalos do maquinário, da conta única e de precatórios que estouraram logo depois que deixou o governo. Está receoso também com o efeito-Taques. Num confronto majoritário, surgem dossiês, denúncias e acusações que deixam qualquer candidato baqueado. Maggi não estará livre disso, ainda mais se tiver o polêmico Taques como principal adversário se achando o paladino da moralidade. Como foi governador por duas vezes e não tem como mais pregar o novo jeito de fazer política, Maggi perde em conceitos para Taques. Por outro lado, o senador pedetista pode se transformar num cavalo paraguaio, podendo começar bem e perder fôlego ao longo da campanha.

   São assuntos que dominam os debates internos. De todo modo, as candidaturas só vão se consolidar mesmo quando Silval anunciar se estará ou não no embate eleitoral, pois a máquina do governo representa um peso considerável numa campanha, que se agrega a conceito, perfil, desejo popular e estratégias. Somente Pedro Taques se mostra mais afoito como pré-candidato a governador. Dirigentes dos próprios partidos não conseguiram montar o quebra-cabeça, visando as composições, ainda mais tendo pela frente mais de um ano para definir as costuras políticas.