Maggi vai para a encruzilhada torcendo por divisão de grupos
No fundo, Maggi quer disputar, mesmo com poucos partidos para não deixar o palanque pesado. Mas, antes, aguarda mexidas no tabuleiro político para saber se terá mesmo chances reais de êxito nas urnas. O “sim” dependerá de algumas situações.
1ª) Como vai estar o governo Silval Barbosa (PMDB) até março? Hoje, o desejo do ex-governador é de se desgrudar de Silval, braço que ele criou como vice e depois o colocou no Paiaguás. E a campanha nessa linha começou. Maggi está em sintonia com segmentos do agronegócio e com Luiz Pagot, que aderiu ao PTB, todos atirando contra Silval, querendo empurrá-lo para longe do republicano. Por mais que o senador do PR não admita publicamente, ele tem orientado correligionários nos bastidores a viabilizar o seu projeto sem Silval no palanque. Entende que o governo está muito desgastado e sob crises. Mas há algumas ponderações. Se o peemedebista não for candidato ao Senado, condição mais provável, será um alívio para Maggi e motivador para este encarar novo projeto ao governo. Como na política prevalece o oportunismo, caso Silval consiga recuperar a popularidade com inauguração das obras da Copa-2014 e de outros projetos, como do MT Integrado, Maggi, espertamente, fará questão de tê-lo como aliado. Buscará ajuda da máquina.
2ª) Desejo de Maggi é que a disputa ao governo tenha ao menos 3 candidatos competitivos, sendo ele próprio, o juiz federal Julier Sebastião da Silva (ou pelo PT ou pelo PMDB), e o colega senador Pedro Taques (PDT), que segue candidatíssimo. Nesse cenário, Julier “herdaria” ônus e bônus do governo Silval e também seria reforçado pelo PT, com possibilidade até do PSD de Riva e de Chico Daltro estar no mesmo barco.
3ª) Maggi teme escândalos e efeito-Taques. O que o ex-governador não aceita é ser chamado de ladrão por causa dos escândalos do maquinário, da conta única e de precatórios que estouraram logo depois que deixou o governo. Está receoso também com o efeito-Taques. Num confronto majoritário, surgem dossiês, denúncias e acusações que deixam qualquer candidato baqueado. Maggi não estará livre disso, ainda mais se tiver o polêmico Taques como principal adversário se achando o paladino da moralidade. Como foi governador por duas vezes e não tem como mais pregar o novo jeito de fazer política, Maggi perde em conceitos para Taques. Por outro lado, o senador pedetista pode se transformar num cavalo paraguaio, podendo começar bem e perder fôlego ao longo da campanha.