Para impedir reserva, bando expulsa pessoas e queima casas
A Polícia Federal, que está em Luciara com efetivo de 10 agentes, já prendeu dois moradores. Roberto Maciel e Junior Lico são acusados de aliciar e incitar os moradores a se manifestarem de forma violenta contra a consulta para transformar uma área em RDS. Um terceiro envolvido permanece foragido.
O estopim para as ações violentas foi a informação de que pesquisadores chegariam ao município para realizar audiências públicas para criação da reserva. Estudiosos, alunos da UFMT, líderes comunitários e religiosos ligados à Prelazia de São Félix do Araguaia foram ameaçados e expulsos da cidade.
Segundo O Globo, o grupo é ligado a políticos e fazendeiros da região que haviam também haviam sido contrários à criação da Terra Indígena Marãiwatsédé e resistiram à desocupação, realizada entre o fim de 2012 e janeiro deste ano, em Alto Boa Vista. Na ocasião, o grupo chegou a ameaçar o bispo Dom Pedro Casaldáliga, que teve de deixar sua casa em São Félix do Araguaia depois de seguidas ameaças de morte.
O ICMBio confirmou a existência do projeto para criação de uma reserva de desenvolvimento sustentável em Luciara. A área prevista abrange cerca de 100 mil hectares. A maior parte das terras pertence à União, pois é a várzea do Rio Araguaia. A criação da RDS beneficiaria 97 famílias de retireiros. Eles são os primeiros ocupantes não índios do Vale do Araguaia e também se dedicam à criação de gado, mas deslocam os animais entre pastos, o que impede a degradação da biodiversidade local. Na área de cerrado, eles mantém propriedades, mas as várzeas do rio, que pertencem à União, são usadas de forma comunitária por todos.