Paulo Leite conduz Jayme às vitórias nas urnas e perde com Júlio ao Governo em 98
Mayke Toscano
Marqueteiro Paulo Leite, que faleceu nesta quarta
Marqueteiro numa campanha eleitoral majoritária e como técnico de futebol. Se o candidato perde, parte da culpa fica com o marketing. No gramado não é diferente, tanto que sucessivas derrotas levam à queda do técnico. Paulo Leite, que faleceu nesta quarta, aos 54 anos, colheu alguns dividendos com o resultado das urnas, mas também amargou críticas.
Obteve vitórias importantes, como as que levaram Jayme Campos à cadeira de prefeito de Várzea Grande por três vezes, de governador e de senador. Aliás, se “mexesse” com o cacique do DEM, Paulo tomava as dores, claro, como conselheiro político e assessor do senador. Mas era diplomático na abordagem com os jornalistas. Bastaria uma nota criticando o senador que Paulo logo providenciava uma outra de esclarecimento, em defesa do então patrão e amigo. A afinidade entre ambos era tanta que, às vezes, fazia pronunciamento em nome de Jayme, que era “moldado” rotineiramente pelo marqueteiro.
Paulo também carregou pecha de marqueteiro tradicional que havia perdido a áurea e impedido mudanças de foco no pico da campanha, mesmo percebendo dificuldades de vitória. A sua maior derrota veio na campanha de 1998. Mesmo paciente, tolerante, diplomático e estrategista, Paulo Leite, ex-adjunto de Comunicação do Governo Júlio Campos e ex-titular da Secom na gestão Jayme, encarou brigas internas.
Na época, conduziu o marketing de Júlio ao governo estadual, enquanto Chico Santa Rita fez a campanha de Carlos Bezerra ao Senado. Júlio e Bezerra eram adversários políticos ferrenhos e se uniram na campanha. O efeito foi devastador. Até o marketing, mesmo ambos no mesmo palanque, foi dissociado. O resultado não poderia ser outro: morreram abraçados nas urnas. Um marqueteiro jogou culpa no outro. Hoje, os meios político, publicitário e jornalístico perdem Paulo Leite, que, com vitórias ou derrotas, deixou registrada sua história nas campanhas eleitorais.