Cuiabá, 01/11/2026

Peterlini destaca desgaste inevitável de Paulo Prado e aposta em MP mais social

Gilberto Leite

Pessoas pensam diferente, mas todos querem o bem do MP. Não podemos imaginar que o MP tenha dono, ele é de todos, diz a promotora de Justiça Ana Luiza Peterlini, única candidata à chefia da PGJ

Única candidata de oposição na disputa pela chefia da Procuradoria-Geral de Justiça, a promotora de Justiça Ana Luiza Peterlini, titular da 15ª Promotoria de Justiça Cível de Cuiabá, aposta em propostas voltadas para o lado social do Ministério Público Estadual para tentar quebrar o que classifica como “hegemonia”, em referência do grupo do atual chefe do MP, Paulo Prado, que administra o órgão há 12 anos.

“Você tem que mostrar que é possível fazer mais com o mesmo, fazer diferente. A divergência existe, mas é natural e tem que ser respeitada. Pessoas pensam diferentes, mas todos querem o bem do MP. Não podemos imaginar que o MP tenha um dono, ele é de todos”, ressalta, em entrevista ao #rdnews.

Peterlini se apresenta como uma alternativa aos colegas descontentes com a administração, que acumula inevitável desgaste devido ao longo tempo de atuação. Sozinha na empreitada, a promotora reconhece que a disputa será bastante difícil, mas reforça que pretende exercer uma gestão mais plural e democrática, dando ouvidos a todos nas tomadas de decisões.

A crítica em relação à atual gestão é que “está muito fechada e poucos decidem os rumos do MP”. Ainda assim, a promotora vê o desgaste como natural. “Por isso estou me propondo a ser candidata e assumir a PGJ, justamente para buscar uma oxigenação e renovação. Isso faz parte da democracia”, destaca.

Gilberto Leite

Para Peterlini, a crítica em relação à atual gestão é estar muito fechada e poucos decidem rumos do MP

A candidata observa que o MP acompanhou o crescimento econômico do Estado e aproveitou para se estruturar. Por outro lado, Peterlini aponta que existem alguns pontos que precisam ser melhorados. “Ao passo que nós crescemos em estrutura, física ou de pessoal, nós também precisamos fortalecer a nossa interação com a sociedade”, reforça.

Neste sentido, Peterlini vê como necessária a criação de mecanismos que permitam ao MP dialogar com a sociedade de forma mais próxima, como mídias sociais ou espaços em rádio e TV. “Ter projetos sociais que possam nos levar à comunidade e trazê-la para dentro do MP para que conheçam as nossas atribuições, fazer denúncias, críticas e sugestões. Essa interação nós temos que intensificar porque é a sociedade que nos fortalece”, pondera.

Outra proposta da promotora é reformular o apoio técnico e jurídico, de modo a dar maior suporte à atividade fim do MPE, resultando em uma tramitação mais ágil dos procedimentos. “Precisamos que os promotores e procuradores consigam desempenhar melhor as suas atribuições para melhor atender a sociedade”.

A escolha de Taques

Questionada sobre a influência que a proximidade com o governador Pedro Taques (PSDB) pode exercer no momento da escolha do novo chefe da PGJ, caso seu nome componha a lista tríplice, tendo em vista que foi secretária estadual de Meio Ambiente, Peterlini não vê isso como vantagem.

Ela enfatiza ainda que seu compromisso com o governador encerrou quando deixou o cargo, em março deste ano. “Evidente, eu tenho uma boa relação com o Governo e isso certamente tende a engrandecer o MP. É uma relação harmoniosa que precisa existir com os Poderes, mas independente e autônoma. Se eu alcançar a chefia do MP é essa relação que vou ter”, garante.

Ela comenta ainda que a luta dos membros do MP é que a escolha do governador, apesar de ter a prerrogativa de escolher o novo chefe, respeite a vontade das urnas. “Eu apoio também essa luta. Agora, a prerrogativa é dele e eu creio que, como ele já fez na eleição passada, escolhendo Prado, ele também o fará nessa”.

Em seguida, observa que Taques conhece e tem relação com todos os candidatos. “Mas não tenha dúvida que por ele ter conhecido meu trabalho vai ter a certeza que o MP estará em boas mãos. Se acha que estará comigo, ótimo”, comenta em tom descontraído.

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Desgaste tucano

Peterlini não demonstra preocupação quanto a uma possível associação de sua campanha ao desgaste enfrentado por Taques, devido ao cenário econômico do país, e vê a jogada como natural dentro de uma campanha. “Aqui dentro está se trabalhando muito isso, aproveitando o desgaste do governador para ligá-lo a mim, mas creio que uma coisa não tem absolutamente nada a ver com a outra”, analisa.

Orçamento

Gilberto Leite

Peterlini não descarta o fechamento de promotorias caso o congelamento no orçamento de 2017 seja aprovado na AL-MT

Diante da possibilidade de congelamento do orçamento de todos os Poderes no mesmo valor de 2016, a candidata analisa que 2017 será um ano difícil. “Se esse congelamento realmente passar, nós vamos passar o ano sem continuarmos no mesmo ritmo que vínhamos alcançando”, avalia. Todavia, entende como prudente aguardar a definição do duodécimo pela Assembleia para elaborar um planejamento.

Peterlini não descarta o fechamento de promotorias se o congelamento no orçamento for aprovado. “Quando você tem um orçamento menor ou mais enxuto, tem que fazer escolhas. Teremos que redimensionar alguns setores, talvez passar por alguma reforma administrativa para que possamos acomodar o orçamento ao custo da instituição”, revela.

Caso vença a disputa, Peterlini priorizará o diálogo com o Governo se o atraso nos repasses do duodécimo continuar a ocorrer, contudo não descarta outras medidas mais duras para assegurar o órgão.

Diferencial

Peterlini aposta no fato de ser a única candidata de oposição para erguer a bandeira da “oxigenação”. “É necessário uma mudança de pensamentos, de pessoas, uma abertura da administração. Um modelo de gestão mais plural e democrático que permita aos membros da instituição contribuir nos rumos do órgão, na priorização de ações para que possamos bem atender a sociedade”, defende.

A candidata criou um site onde disponibiliza toda sua carreira profissional e plano de gestão contendo todas as propostas. Acesse aqui.

Detalhes

Além de Peterlini, são candidatos Eliana Cícero de Sá Maranhão, José Antônio Borges Pereira e Mauro Benedito Pouso Curvo. A eleição que definirá a lista tríplice para escolha do procurador(a)-geral de Justiça pelo governador ocorrerá em 14 de dezembro, no período das 12h às 17h ininterruptamente. O local para votação será o auditório da PGJ, em Cuiabá.

Cada eleitor terá direito a escolha de até três nomes e, em caso de empate, a decisão ocorrerá em favor do candidato que tiver obtido o maior número de votos singulares. Eventualmente persistindo o empate, prevalece quem for mais antigo na carreira. Ao todo, 215 promotores e 32 procuradores estão habilitados a votar.

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