Cuiabá, 04/10/2026

Procuradora que conduz investigação da Ararath sofre ameaça e está sob proteção

Davi Valle

Procurador-geral, Rodrigo Janot se reuniu com procuradores e acompanha caso

A procuradora regional da República Vanessa Ribeiro Scarmagnani, uma das responsáveis por conduzir as investigações do Ministério Público Federal (MPF) sobre o esquema de lavagem de dinheiro e crimes financeiros em Mato Grosso, desmantelado pela Operação Ararath da Polícia Federal, sofreu ameaças à sua integridade física e está sob proteção da segurança institucional do órgão.

A informação foi dada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que esteve em Cuiabá nesta quinta (10) a fim de se reunir com 5 procuradores regionais que compõem a força-tarefa montada no início de junho para trabalhar nas apurações do caso.

A atuação da procuradora Vanessa Scarmagnani na condução das investigações foi questionada pelo deputado estadual José Riva (PSD), alvo da operação policial, em diversas oportunidades. Ele foi detido no dia 20 de maio após denúncia feita pelo MPF e acatada pelo ministro Dias Tóffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), mas questionou o trabalho da procuradora chegando a sustentar que seu parecer deu informações distorcidas à Corte Suprema.

Janot, no entanto, assegurou não haver nenhum “reparo” a ser feito na atuação da membro do MPF. “É normal que réus investigados e alvos tentem denegrir imagem daqueles que os acusam. Isso é técnica de defesa. Enquanto procurador-geral, não tenho um grama a dizer pela minha colega. Ela é uma profissional de alto nível”, afirmou em coletiva de imprensa na tarde de hoje (10), informando o estado de alerta em que vive a procuradora. “Houve ameaças e as ameaças não foram minhas”, disparou.

A Operação Ararath teve sua primeira fase deflagrada no fim do ano passado. Em sua 5ª etapa, atingiu membros do alto escalão do Estado, que supostamente teriam participam no esquema ilegal que esteve em operação. Entre os investigados estão o ex-secretário de Estado Eder Moraes, atualmente preso em Brasília, o governador Silval Barbosa (PMDB), o prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes (PSB), o senador Blairo Maggi (PR), além de membros do Judiciário e do Ministério Público.

Força-tarefa

O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) aprovou, por unanimidade, no dia 3 de junho, a proposta de criação de uma força-tarefa em Mato Grosso para atuar nas apurações da Ararath. O objetivo era possibilitar que os membros do MPF cumprissem o dever institucional de combate à corrupção e defesa da ordem jurídica e dos interesses sociais. O grupo atua na análise do material apreendido nos mandados de busca e apreensão e é composto pelos procuradores Gustavo Pessanha Veloso, Rodrigo Leite Prado, Ronaldo Pinheiro Queiroz, Vanessa Ribeiro Scarmagnani e Denise Müller Slhessarenko. A previsão de conclusão das investigações é de 60 dias, podendo ser prorrogado.