Projeto natimorto de Galli causa estrago às campanhas de Flávio e Medeiros
Proposta arquivada propunha tirar título de Padroeira de Nossa Senhora
Ex-deputado Victório Galli, autor do projeto natimorto
Um projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil, apresentado em 2007 pelo então deputado mato-grossense Victório Galli, pastor da Assembleia de Deus, está causando estrago à campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, mesmo a proposta tento sido arquivada no ano seguinte (há 18 anos). E atinge também Zé Medeiros (PL), que disputa o Senado.
A fake news ganhou tração depois que a jornalista Maria Cristina Fernandes, da GloboNews, equivocadamente, disse que estaria havendo "um movimento na Igreja Católica de reação a uma parcela de evangélicos" que estaria tentando destituir Aparecida da condição de padroeira. Em Mato Grosso, circulou também nas redes notícia de que Medeiros apoiaria tal proposta, uma maneira de abrir disputa religiosa e "queimá-lo" junto aos católicos.
A notícia falsa de que Flávio, se eleito, pretenderia tirar o título da Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida, viralizou nas redes, obrigando o presidenciável a gravar vídeo, destacando que não existe absolutamente nem projeto e que jamais faria isso, reforçando que é cristão. "Sou evangélico e respeito todas as religiões".
Autor do projeto natimorto, Victório Galli, que depois da passagem pela Câmara Federal foi assessor especial da Presidência no Governo Bolsonaro, hoje é candidato de novo a deputado federal pelo PP, que formou federação com União. Não tem chance de ganhar.
Seu projeto alterava a Lei 6.802/1980, que trata do feriado de 12 de outubro. A proposta pretendia especificar a homenagem a Nossa Senhora Aparecida como “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”, em vez da expressão “Padroeira do Brasil”. A proposição tramitou nas Comissões de Educação e Cultura e de Constituição e Justiça e de Cidadania, recebeu parecer pela rejeição na CEC e acabou arquivada em 2008.