Cuiabá, 31/10/2026

Rabello começou na TV com um porrete na mão e se tornou político campeão de votos

Walter Rabello, que morreu nesta quarta, de infarto fulminante, só viu “deslanchar” sua trajetória política a partir de 2004, com a eleição para vereador por Cuiabá. Na época, pelo PMDB, teve 8.682 votos, recorde até hoje não superado. Antes, em 2000, ele tentou o mesmo posto, mas foi reprovado nas urnas. Com 2.221 votos, ficou na suplência do PSDB.

Eu me recordo que, na campanha, Rabello saiu nas ruas em cima de um caminhão. Numa mão segurava o microfone para entoar discurso inflamado e, na outra, um porrete, símbolo de um programa policial. Na TV, esbravejava e, para demonstrar coragem, mandava recado aos bandidos.

Reprodução

Entre tantas atividades,  Walter Rabello era cantor sertanejo e até lançou CD

E foi nessa linha, usando a estratégia do populismo, que o jovem Rabello, bastante vaidoso e que não abria mão da pose de artista, se tornou popular. O fato de ser apresentador de tv, inclusive com passagem por várias emissoras, lhe serviu de vitrine eleitoral. Estava no terceiro mandato. Em 2008, chegou a ser cassado porque trocou de sigla (do PMDB para o PP), ferindo a regra da fidelidade partidária. Em seguida, reconquista cadeira na Assembleia.

Walter Machado Rabello Júnior foi (quase) tudo. Trabalhou como radialista, apresentador de tv, mestre de cerimônia, cantor sertanejo, inclusive formou dupla com Odair e lançou CD, e jogador de futebol e, paralelo a isso, desenvolvia atividades políticas, inicialmente como vereador e depois como deputado. Sua morte deixa uma lacuna. Milhares de pessoas tinham em Rabello uma voz que não se calava. Usava tanto a tela da tv, invadindo os lares, quanto a tribuna da Assembleia, para reivindicar e cobrar providências às demandas da população. Ele costumava terminar o programa dizendo assim:  “Eu creio no Deus que criou o homem e não no Deus que o homem criou”. Descanse em paz, Rabello!