Se a CPI da Sonegação e da Renúncia Fiscal chegar em Saul, casa de Eraí Maggi vai cair
Gilberto Leite/Rdnews/arquivo
Empresário Eraí Maggi, do Grupo Bom Futuro e de cooperativa, que continua no alvo da CPI da Assembleia
A CPI da Renúncia e da Sonegação Fiscal, recriada pela Assembleia Legislativa neste ano após a frustração da primeira de, sequer, conseguir ouvir diretores da Cooalmat, cooperativa do rei da soja Eraí Maggi, tem agora a oportunidade de retomar o caso. E se conseguir chamar para prestar depoimento o ex-jogador de futebol Saul Lourenço de Lima, a bomba pode explodir e atingir o próprio Eraí.
Saul mora numa chácara em Rondonópolis. Por mais de duas décadas, foi chefe de almoxarifado do Grupo Bom Futuro, que congrega várias empresas de Eraí. Saul foi escalado para compor a diretoria da cooperativa como membro do Conselho Fiscal. Dela não teve vantagem. Mas o ex-jogador do União Esporte Clube sabe muito. E, para atiçar a sua ira, ainda entrou com ação trabalhista contra o grupo empresarial de Eraí.
Os mais próximos a Saul dizem que ele está disposto a abrir a boca sobre as transações da cooperativa, que teria sido usada para operações fraudulentas que chegariam a R$ 500 milhões e com prejuízos milionários ao fisco estadual pela não-arrecadação de impostos.
A CPI instaurada na legislatura passada, então presidida pelo petista Alexandre Cesar, tentou, mas não conseguiu notificar ninguém da diretoria da cooperativa agroindustrial de Mato Grosso, que tinha entre os 25 integrantes parentes e funcionários do grupo de Eraí.
Além de Saul, tentaram convocar o diretor-presidente Donato e o diretor-executivo e financeiro Roberto Bertolutti. Ninguém "foi localizado".
Agora, a nova CPI é presidida por Zé do Pátio, que pretende apurar a denúncia contra a cooperativa de Eraí, um dos principais financiadores de campanha, inclusive de deputados. Eraí se vê acuado e passou a monitorar os passos dos membros da Comissão. E até treme quando ouve a palavra "Saul".