Governo cogita escalonamento de salários, mas ressalta esforço para evitar a medida
Gcom
Possível escalonamento salarial foi cogitado pelo governador em reunião com secretariado nesta 5ª
O governador Pedro Taques, que reuniu o secretariado na manhã desta quinta (22) para tratar de medidas para enfrentar a crise econômica que afeta Mato Grosso, não descartou a possibilidade de escalonar os salários do funcionalismo público estadual. O possível escalonamento salarial levará em consideração categorias e faixas salariais, buscando preservar os servidores que ganham menos. A medida foi cogitada durante a reunião que serviu para definir as ações prioritárias e o reordenamento das despesas para contenção das dificuldades financeiras.
Com o possível escalonamento, parte do funcionalismo é paga em um dia e parte em outro. A data é definida conforme a faixa salarial. Atualmente, a crise financeira enfrentada pelos estados está afetando o pagamento de funcionários públicos em ao menos 12 deles e no Distrito Federal.
Além do escalonamento, atrasos de salários ou verbas adicionais, os governos têm adotado três outras estratégias. A mais comum delas é parcelar os pagamentos. A terceira estratégia é empurrar para a frente a data de pagamento dos servidores, alterando as datas dos depósitos.
“Desde o início do Governo, o caixa é apertado. Mesmo assim, os salários sempre foram pagos todo dia 31. Se chegarmos ao final deste mês sem recursos suficientes para honrar a folha, a única saída será o escalonamento ”, declarou membro da equipe de Taques.
Segundo o interlocutor, o escalonamento está sendo cogitado porque setembro pode ser considerado como mês atípico. “Além do repasse do duodécimo dos Poderes para garantir os salários mediante Termo de Ajustamento de Conduta, o Governo precisa arcar com a parcela da dívida dolarizada junto ao Bank of America”, completou.
Entretanto, o integrante da equipe de Taques ressaltou que o Executivo está fazendo todo o esforço para evitar o escalonamento. Como exemplo, citou os decretos que buscam reduzir os gastos com o funcionamento da máquina e o horário de expediente dos órgãos públicos, além da busca de soluções junto ao governo federal. "Medidas como demissões ou não pagamento das parcelas da RGA estão descartadas", garantiu.
Após a reunião, Taques fez postagem no Facebook. Embora não cite a possibilidade de escalonar salários, o governador reafirmou que a situação das contas públicas é preocupante e atribuiu a situação a medidas que considera irresponsáveis, adotadas no passado.
Taques também anunciou que está buscando agendar audiência com o presidente da República Michel Temer (PMDB) para expor novamente a gravidade do problema. O governador lembrou ainda que a União deve mais de R$ 400 milhões do FEX e que a queda vertiginosa dos repasses federais está acarretando dificuldades para manter o custeio da saúde nos municípios.
Além disso, Taques ressaltou que a crise não é exclusiva de Mato Grosso. Por isso, justifica a assinatura da carta direcionada a Temer com pedido de auxílio de R$ 7 bilhões para socorrer os estados que avaliam decretar situação de calamidade.
Diante da situação, Taques cancelou viagem para Bolívia, onde cumpriria compromissos oficiais durante três. O secretário de Desenvolvimento Econômica Ricardo Tomczyk vai substituí-lo nas agendas.
Como o vice-governador Carlos Fávaro (PSD) está em férias, a chefia do Executivo seria repassada ao presidente da Assembleia Guilherme Maluf (PSDB). Com a decisão de Taques, o tucano perdeu a oportunidade de assumir o Governo do Estado pela segunda vez.