Após 30 anos, Cuiabá desativa lixão e anuncia instalação de Ecoparque
Desativação gradativa será feita até março de 2023. A empresa será responsável também pela instalação de 12 ecopontos
Luiz Alves
Acima, área em que será instalado o novo aterro sanitário de Cuiabá, Ecoparque Pantanal, que terá ainda um Centro de Triagem de Resíduos
O prefeito Emanuel Pinheiro assinou nesta sexta-feira (16) a desativação do atual aterro sanitário de Cuiabá, localizado na Grande CPA, após quase 30 anos de funcionamento. O local funcionava, na verdade, como um lixão e não fazia a destinação correta dos resíduos, como prevê Plano Nacional de Resíduos Sólidos. O novo aterro terá um Centro de Triagem de Resíduos (CTR)
O atual lixão, que recebe cerca de mil toneladas de resíduos por dia, será desativado gradativamente. Por meio de licitação, foi contratado um novo espaço para destinação adequada aos resíduos descartados, o ‘Ecoparque Pantanal’. O local vai funcionar em um espaço licenciado.
O novo espaço deve receber cerca de 145 mil toneladas de resíduos por ano sendo responsável também pela geração de energia renovável e de carbono, com investimentos de R$ 81 milhões, administrados pela empresa vencedora do certame, Orizon Valorização de Resíduos.
Conforme o cronograma da prefeitura, ainda neste mês, 35% da coleta sai do lixão e vai para o Ecoparque de Cuiabá. Com a desativação gradativa, em março de 2023, 100% da coleta de lixo sairá do atual aterro e irá para o novo, encerrando totalmente as atividades do lixão.
Rodinei Crescêncio
A empresa será responsável também pela instalação, até maio de 2023, de 12 ecopontos em Cuiabá e pela implantação, até julho de 2023, da coleta seletiva de porta a porta. Atualmente, apenas 16% do que é descartado na capital é reciclado.
Ainda segundo o cronograma apresentado pela prefeitura, o Centro de Triagem de Resíduos para as cooperativas ficará pronto em março de 2024.
O Ecoparque deve reduzir a emissão de gases de efeito estufa, reaproveitando resíduos com potencial para reciclagem e destinando o rejeito de forma ambientalmente adequada, sem risco de contaminação de solos e rios. Utiliza também processos de tratamento do chorume (líquido oriundo da decomposição natural dos resíduos) que, ao final, é transformado em água de reuso. O Ecoparque também vai gerar energia renovável e créditos de carbono, além de combustível derivado de resíduos, segundo o município.
O prefeito afirmou também que pretende recuperar o antigo território em um memorial às vítimas cuiabanas da Covid-19. Ele também falou que articula junto ao Governo Federal 50 casas para os trabalhadores catadores de resíduos.
Atualmente, encontra-se em tramitação na Câmara de Vereadores, o projeto de lei que estabelece a cobrança da coleta de lixo, que aguarda aprovação para que seja colocado em prática.
Aterro sanitário de Cuiabá
O aterro foi concebido em 1997, com o planejamento de reciclar parte do lixo coletado, abrangendo plásticos, vidro, papelão e alumínio, por exemplo. Já para os resíduos orgânicos, a proposta era transformar os materiais em adubo. Todavia, com o passar dos anos, mesmo com algumas intervenções de melhorias, a estrutura tornou-se obsoleta diante do aumento expressivo do volume de lixo e hoje, apenas 16% do que chega no aterro segue para a reciclagem.
De acordo com o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos de Cuiabá, atualizado no ano de 2021, além dos resíduos sólidos domiciliares provenientes da coleta convencional, os quais representam 97,86% do volume total disposto no local, o aterro também é destino final de resíduos do município de Santo Antônio de Leverger. A área de operação é composta por três células de disposição de resíduos e duas lagoas de decantação.
O trabalho de reciclagem é feito via parceria da Prefeitura de Cuiabá com a Cooperativa dos Trabalhadores e Produtores de Materiais Recicláveis (Coopemar), que opera diretamente no local com cerca de 50 trabalhadores. Além desses, a Limpurb estima que aproximadamente 300 catadores de recicláveis atuam de maneira informal nas áreas onde os resíduos são depositados “in natura".