Cuiabá, 21/09/2026

Após impasses, governador confirma fechamento da Santa Casa em Cuiabá

Migração dos serviços será feita pois o prédio não pertence ao governo, e sim ao Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso

O governador Mauro Mendes (União) confirmou o fechamento da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá , afirmando que migrar todos os serviços para os novos hospitais que estão sendo construídos pelo Governo do Estado, como o Hospital Central. O assunto vem sido discutido constantemente nos últimos meses, pois o destino do tradicional hospital ainda segue incerto. Apesar de ainda não haver ainda uma confirmação do que será feito com o prédio, Mauro afirmou, mais uma vez, que já está decidido que a unidade deixará de funcionar como Santa Casa de Misericórdia e que não será mais gerida pelo Estado. A fala aconteceu durante entrega do Prêmio Eficiência e Inovação 2025, no Palácio Paiaguás. 

Segundo Mauro, a migração dos serviços será feita pois o prédio não pertence ao governo, e sim ao Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso (TRT-MT). “Já falei dez vezes sobre esse negócio. Nós alugamos o prédio, construímos uma casa nova 100 vezes melhor que a casa antiga e vamos mudar todos os serviços lá para dentro. O prédio não é nosso, é do TRT e todos os serviços serão migrados ou para o Hospital Central ou para outra unidade”, declarou o governador.

Até o momento, não há uma definição sobre o que vai acontecer com a Santa Casa nos próximos anos. Hoje, ela é administrada pelo Governo de MT, mas os serviços serão desativados e transferidos após a entrega do Hospital Central.

Parlamentares contra

Os deputados estaduais Lúdio Cabral (PT) e Dr. João (MDB) se mostraram contrários ao fechamento da unidade médica, destacando a importância do atendimento a mais de 400 pessoas para tratamentos como quimioterapia e radioterapia a crianças e adultos. 

Segundo Lúdio, a Santa Casa não pode ser fechada “de forma alguma”, pois possui determinados tratamentos que outras unidades médicas do estado não possuem, como hemodiálise e oncologia infantil. "A Santa Casa tem um serviço de décadas de tratamento de crianças com câncer", declarou.

Para Dr. João, é necessário “inserir mais gente” na Comissão de Saúde da ALMT, como por exemplo o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) para juntos pensarem em “uma solução viável, que seja bom para todo mundo”.

“Tem mais de 400 pessoas fazendo quimioterapia. Mas vão para onde? No Hospital Central não vai ter quimioterapia; no Hospital Geral não cabe, não tem vaga; no Hospital de Câncer não tem vaga. Vão para onde? Tem quase 500 [pacientes] entre quimio e radioterapia, tem quase 100 crianças fazendo quimioterapia pediátrica. Vão para onde? É isso que nós temos que analisar”, disparou o emedebista.

Dívida e crise

A Santa Casa é um hospital filantrópico que vem enfrentando uma crise financeira, além de dívidas trabalhistas com mais de 800 ex-funcionários, que ultrapassam o valor de R$ 50 milhões. Em 2019, o Estado passou a administrá-la, transformando em um hospital estadual. Desde então, repassou cerca de R$ 26 milhões pelo uso do prédio, valor utilizado para quitar parte dos salários atrasados e outras verbas devidas aos ex-empregados.

Apesar disso, o montante não foi suficiente para liquidar integralmente a dívida trabalhista. Atualmente, o Estado paga um aluguel mensal de pouco mais de R$ 461 mil pelo uso do prédio, valor referente a 2024. 

A Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá fechou as portas em março de 2019, após enfrentar uma grave crise financeira que deixou centenas de empregados sem salários por cerca de sete meses. Agora, com a venda do imóvel, a Justiça do Trabalho busca viabilizar a quitação dos valores ainda pendentes.

A ideia é de que a venda do prédio dê continuidade à execução trabalhista que envolve 860 processos. Após o procedimento de unir todas as execuções no TRT, 384 processos já foram quitados com o pagamento de cerca de R$ 7,3 milhões, enquanto outros 476 processos ainda aguardam pagamento, somando cerca de R$ 43,7 milhões.