Cuiabá, 02/11/2026

Atrasadas, obras do Aeroporto Marechal Rondon devem sair em dezembro

Além da ampliação e reforma, o processo de internacionalização do terminal deve finalmente sair do papel

As obras do Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande, que deveriam ter sido concluídas e entregues neste mês, tiveram o prazo adiado para dezembro deste ano. As informações foram confirmadas em coletiva de imprensa da empresa Centro-Oeste Airport (COA) e do Governo do Estado durante visita ao terminal nesta segunda-feira (27).

No fim do ano passado, o Governo do Estado e o setor do turismo cobraram da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) uma intervenção para assegurar que o contrato de concessão dos quatro aeroportos de Mato Grosso fosse cumprido e que a Centro-Oeste Airports fizesse as melhorias e a expansão acordadas quando ganhou o certame, em 2019. A Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico (Sedec) inclusive enviou um ofício à Anac relatando descumprimento do contrato.

Patricia Sanches/RDNews

Segundo o Governo do Estado, após a realização de vistorias e reuniões com órgãos como a Polícia Federal e a Receita Federal, constatou-se que os investimentos prometidos não estavam sendo realizados conforme o cronograma, nem no campo de manutenção, nem no campo de ampliação. Os aeroportos de Cuiabá, Rondonópolis, Alta Floresta e Sinop foram entregues pelo Governo Federal à concessionária COA em 2019.

Nesta segunda (27) o secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, reafirmou que o compromisso era de que as obras fossem entregues em março deste ano, mas que precisaram passar por aditivos de prazo tanto em Várzea Grande quanto nos três aeroportos do interior.

Ele pontuou que a pandemia atrasou o andamento de várias obras e as dos aeroportos foram impactadas. Ele afirmou que foram feitas reuniões com a COA para que o problema fosse equacionado e que agora há um novo cronograma. "Com esse novo prazo, a ampliação e modernização do Aeroporto Marechal Rondon devem ser concluídas até dezembro deste ano", afirmou.

Annie Souza/RDNews

Segundo Carvalho, várias reuniões foram feitas com a Receita Federal, com o Ibama e com o Ministério Público Federal para que a questão da internacionalização do Aeroporto Marechal Rondon, que até então só existe no nome, seja resolvida.

A demanda já vem sendo discutida há e o que falta para Mato Grosso começar a receber voos internacionais é a conclusão da adequação do aeroporto, de acordo com o projeto já autorizado pela Anac.

O chefe da Casa Civil explicou que, depois do término das obra do aeroporto, começará a internacionalização para voos comerciais, mas para os voos executivos o Estado tem a expectativa de conseguir um adiantamento para o segundo semestre de 2023.

"Nessas duas últimas semanas tivemos uma reunião com a Polícia Federal e ficou estabelecido que a empresa entregue um cronograma dessas obras e o fluxograma do aeroporto para a Receita Federal, para que em dois a três meses seja feita a internacionalização desse aeroporto, pelo menos para voos executivos e privados", afirmou Mauro Carvalho.

“A COA veio para fazer um trabalho de 30 anos. Não temos a menor dúvida de que vamos cumprir os contratos na íntegra”

Marco Migliorini, diretor da COA

"Isso é muito importante porque a quantidade de voos executivos que o Estado recebe em visitas do agronegócio e mesmo do setor do turismo é grande. Essas aeronaves têm que se deslocar para outros aeroportos para fazer sua internacionalização, para depois vir para Cuiabá. Isso facilitará muito a viação executiva, que tem grande volume no Estado", completou.

Apesar desses entraves, o diretor da Centro-Oeste Airports, Marco Antônio Migliorini, disse que a empresa não chegou a temer uma quebra de contrato. "A COA veio para fazer um trabalho de 30 anos. Não temos a menor dúvida de que vamos cumprir os contratos na íntegra. Nunca pensamos na possibilidade de quebra de contrato. Houve um soluço no início das obras, mas agora estamos em ritmo acelerado", declarou.

Aeroportos do interior

No contrato firmado com a Centro-Oeste Airport está determinada a readequação na capacidade de processamento de passageiros e bagagens, incluindo a área de movimento de aeronaves, terminal de passageiros, estacionamento de veículos, vias de acesso associadas a outras infraestruturas, além de melhorias nos equipamentos e nas instalações para o adequado atendimento ao cliente. Tudo isso em um prazo de 36 meses. No entanto, foram identificados muitos problemas também nos aeroportos do interior.

Annie Souza/RDNews

Segundo o diretor, os problemas de estruturas nos aeroportos de Sinop, Alta Floresta e Rondonópolis também serão sanados.

"Revisamos os projetos no meio do ano passado para adequar essas estruturas precárias, como as de Sinop e Alta Floresta, principalmente em Sinop, que teve um crescimento de mais de 100% no fluxo, então será uma intervenção drástica. Estamos saltando de um terminal de passageiro de proximo de 2 mil m² para 6 mil m². Os de Alta Floresta e de Rondonópolis serão estruturas novas, do zero", afirmou.