Bispos de MT vão ao Sínodo: vamos dizer que a criação de Deus é para ser cuidada
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Os oito bispos de Mato Grosso que estão no Vaticano participando do Sínodo da Amazônia
Os oito bispos de Mato Grosso que estão no Vaticano participando do Sínodo da Amazônia, convocado pelo Papa Francisco, viajaram para a Santa Sé com o objetivo de defender a vida de todos os que vivem no Brasil e nos outro oito países que abrangem a região amazônica. Essa é a declaração do padre Francisco Prim, da Paróquia São Camilo de Lelis, de Sinop, que serve como porta-voz dos clérigos.
“O Papa está preocupado porque lançou há pouco tempo a Encíclica Laudato Si’ que fala do cuidado com a natureza no modelo do espírito de São Francisco de Assis. Fala do cuidado, do amor e do louvor pela criação. Dentro da criação, a obra mais importante é a vida humana. No Sínodo se defenderá a vida humana, de nós que vivemos aqui. Se os rios forem todos estragados, se as matas não existirem mais, se as águas não servirem para nós, a vida não será possível. Não é só para nós, mas para os nove país da região amazônica”, explicou o padre Prim.
Além disso, o sacerdote negou que o Sínodo da Amazônia tenha cunho político. Segundo o Padre Prim, o Papa fez a convocação para ouvir os cardeais e bispos e fazer com que a Igreja Católica levante a voz em defesa da criação divina.
“Não tem cunho político, econômico e social. A igreja não gesta o Estado. Quem gesta são os governos. A igreja levanta a voz e fala que obra de Deus é para todos, que Deus criou tudo para todos. Então o Sínodo da Amazônia trará um grito pela natureza, pela ecologia. Vamos dizer que o mundo que Deus criou é para ser cuidado. O Salmo 8 fala que a obra de Deus é maravilhosa. Nós queremos mostrar que nós amamos o que Deus criou”.
Apesar da negativa sobre o cunho político, O presidente da República Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que os bispos e cardeais que participam do Sínodo da Amazônia “têm o direito de discutir o que bem entendem”, mas que a “posição de alguns da cúpula católica” não reflete a posição de todos. No discurso da missa de abertura do encontro, que vai até o dia 27 de outubro, o Papa Francisco disse que “o fogo causado por interesses que destroem, como o que devastou recentemente a Amazônia, não é o fogo do Evangelho”.
Em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo, publicada nesse domingo (06), Bolsonaro disse que “alguns querem voltar para aquilo que foi discutido em 1948 pela ONU, a questão da internacionalização da Amazônia” em claro recado ao Vaticano. Organizações da extrema direita católica, como TFP e Arautos do Evangelho, também sabotam o Sínodo da Amazônia.
Durante o Sínodo da Amazônia, o Papa Francisco também vai canonizar a Irmã Dulce. A baiana, que se dedicou a obras de caridade em Salvador, morreu em 1992 aos 77 anos e será a 37ª santa brasileira.
Comitiva
A comitiva de bispos de Mato Grosso é liderada pelo Bispo da Diocese de Sinop, Dom Canísio Klaus, presidente da Regional Oeste 2. Os demais integrantes são Dom Juventino Kestering (Diocese de Rondonópolis\Guiratinga), Dom Derek John Christopher Byrne (Diocese de Primavera do Leste\Paranatinga), Dom Neri José Tondello (Diocese de Juína), Dom Vital Chitolina (Diocese de Diamantino), Dom Jacy Diniz Rocha (Diocese de São Luiz de Cáceres), Dom Protogenes José Luft (Diocese de Barra do Garças) e Dom Milton Antônio dos Santos (Arquidiocese de Cuiabá) (Colaborou Anderson Hentgs, de Sinop).