Bolsonaristas fazem lista de boicote a empresas supostamente petistas em MT
Empresária de Cuiabá que teve nome de estabelecimento inserido em lista fez desabafo nas redes sociais
MidiaNews
Uma lista de boicote a empresas ou empresários supostamente petistas ou simpatizantes da esquerda em Mato Grosso está sendo compartilhada por bolsonaristas nas redes sociais. Uma lista ao qual o #rdnews teve acesso cita nomes de pelo menos 20 lojas de roupas, restaurantes, empresa de segurança, colégio e até guias de turismo a quem os apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL), derrotado nas urnas no último domingo (30), tentam retaliar pelo suposto apoio dado ao seu adversário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), eleito com 50,90% dos votos válidos. A lista não será divulgada.
A empresária Joice Mendes, do Restaurante Le Farine, em Cuiabá, usou as redes sociais para fazer um desabafo após ter o nome da empresa citado nessa lista. Ela conta que alugou o espaço para um evento com a participação de petistas e, por isso, sofre retaliações, sem sequer ter se posicionado politicamente a favor de qualquer lado nestas eleições.
"Aqueles que pregam a liberdade de expressão me condenam por estar trabalhando [...]. Não sou petista, muito menos bolsonarista, pois não recrimino quem vota contrário a mim. Há pouco ouvi do meu funcionário que ele está temeroso em andar com o uniforme da empresa. Estou temendo pela minha vida. Esse é o Brasil que a gente está”, lamentou; Na postagem, ela disse ainda que tem medo de atos de vandalismo contra a sua empresa e que "apenas está rezando para essa loucura passar".
Assista o desabafo feito por Joice nas redes sociais:
Bloqueios e comércio fechado
Bolsonaristas tomaram conta de vários trechos de rodovias federais no país após o resultado das urnas. Em Mato Grosso, as vias foram completamente liberadas nesta sexta (04), mas já há ameaças de possível retorno. As forças de segurança até mesmo tiveram que fazer uso de gás lacrimogênio em um dos pontos para dispersar o protesto, uma vez que nem mesmo o apelo feito pelo presidente Jair Bolsonaro, na última quarta-feira (02), foi atendido pelos seus apoiadores.
Defendendo pautas já condenadas como antidemocráticas pelo Supremo Tribunal Federal, como "intervenção militar", os manifestantes também têm feito atos em frente a quartéis e conclamam a população para participar de uma "resistência civil", inclusive incentivando os comerciantes a fecharem as portas para aderirem ao movimento. Na terça (1º), alguns empresários encerraram as atividades mais cedo. Um novo ato, que está sendo chamado de "greve geral", está sendo agendado para segunda-feira (07).
Por meio de nota, a Federação das Associações Comerciais e Empresariais de Mato Grosso (Facmat) afirmou que ainda não está a par da lista de boicote, mas defende a permanência das empresas abertas, a liberdade, a democracia e a garantia dos direitos individuais e coletivos dispostos na Constituição Federal.
"As Associações Comerciais são apolíticas e representam os empresários nos municípios. Estamos preocupados em manter o comércio aberto e abastecido para as datas comemorativas que se aproximam, como black friday e festas de fim de ano, afinal, é o comércio que fornece alimentos e insumos para a população", afirmou o presidente, Jonas Alves.