Bolsonaristas mantêm acampamento e só saem se Exército expulsar - fotos
Grupo vai reduzir número de tendas, mas manterá protestos e orações no acampamento
Rodinei Crescêncio
“Só vamos sair daqui quando o Exército nos tirar” disse ao #rdnews um dos apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que segue acampando em frente à 13ª Brigada de Infantaria Motorizada, na avenida Historiador Rubens de Mendonça. O grupo entrou no 65º dia protestando contra o resultado das eleições, que consagrou Lula presidente, e a favor das pautas conservadoras.
Um dia após a posse do petista em Brasília, equipe do #rdnews esteve no acampamento e verificou que a estrutura é mantida. Manifestantes, que pediram para não serem identificados, garantem que nada mudou “pois não saiu a publicação (da posse) no diário da União”. Apesar da fala, Lula está devidamente empossado e já publicou hoje vários decretos tomando decisões à frente da presidência.
“Eles colocaram um monte de exonerações, mas nada ficou claro. É tudo mentira, mentira. E estamos esperando desenrolar essa situação. Porque todo mundo fica falando, mas não explica nada. O Mourão - Hamilton Mourão, que comandou o país até sábado (31) devido viagem do titular Jair Bolsonaro para os EUA - fez o pronunciamento, mas não falou sai. Ninguém falou sai. Enquanto o Exército não tirar nós daqui, nós não vamos sair”, asseverou apoiador de Bolsonaro, que segue crendo em intervenção do Exército.
Rodinei Crescêncio
O ex-vice-presidente do Brasil, inclusive, foi bastante criticado por apoiadores após o pronunciamento em rede nacional no sábado, quando o mandato da chapa Bolsonaro-Mourão se encerrou. O ex-vice do país será empossado senador pelo estado do Rio Grande do Sul.
Insatisfeitos com a fala, parte dos apoiadores do ex-presidente passaram a chamar Mourão de "víbora, traidor e oportunista".
Resistência
Para continuar no local, os manifestantes relataram que vivem de doações que são usadas para custear alugueis das tendas, som, banheiro químico e a alimentação. Ainda segundo eles, o custo mensal gira em torno de R$ 50 mil.
“Mas tudo é doação. Vamos diminuir as barracas por conta do valor dos alugueis, mas seguiremos aqui. Hoje, tem menos pessoas, pois temos um grupo em Brasília. Mas eles voltam e virão para cá”, disse manifestante ouvido pela reportagem.
Para manter a concentração, eles se dividem em turnos, nos quais as pessoas disponibilizam o máximo de horas do dia possível para manter o acampamento com o maior número de pessoas.
Devido a isso, a parte da manhã costuma ter menos manifestantes, mas o número começa a aumentar no final da tarde, chegando a um volume maior à noite. No local, os manifestantes conseguiram, inclusive, montar uma tenda de “oração pela pátria”, onde mulheres rezam terço.
Enquanto elas fazem o rosário, um segundo grupo cozinha o cardápio do dia. Além disso, nos grupos de mensagens, os manifestantes trocam vídeos de motivação e convocam mais pessoas para participarem dos atos. “No Natal e Ano Novo fizemos uma ceia grande e bonita. E não vamos sair daqui enquanto as coisas no país não mudarem”, afirmou outro.