BRT terá rota diferente e novos terminais em Várzea Grande - saiba como será
Novo trajeto do transporte passará pelo Terminal André Maggi e o sistema será descentralizado com novos pequenos terminais
Divulgação
O sistema de transporte BRT (Ônibus de Trânsito Rápido) terá uma mudança na rota em Várzea Grande, para poder atender a demanda dos moradores que fazem a integração no Terminal André Maggi para outras regiões da Grande Cuiabá. Além disso, o Município prevê uma mudança no sistema de transporte atual, que é todo centralizado nesse terminal, com a construção de novos pequenos terminais, tendo um sistema "tronco alimentador". O assessor técnico da Prefeitura Enodes Soares afirma que a obra deve resolver o problema de milhares de usuários do transporte público da cidade.
Cerca de 350 mil pessoas que diariamente utilizam o sistema de transporte coletivo de Cuiabá e Várzea Grande, sendo quase 100 mil na cidade vizinha à Capital, mais de 80% desse usuários utilizam o terminal.
“O sistema de BRT ou o próprio VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) nunca foi pensado para Várzea Grande. Precisamos entender a demanda que essa população tem. Foi levado o projeto todo ao aeroporto, mas a população de Várzea Grande não vai frequentemente ao aeroporto, eles vão para o centro da cidade, para o terminal André Maggi, para fazer a sua conexão com os ônibus locais e chegar até seu trabalho ou sua residência”, afirma.
Essa é a realidade da doméstica Luisa Santos, que depende diariamente do transporte público e do Terminal André Maggi. Ela conta que geralmente gasta três horas por dia só com o transporte de ida e volta.
“Outro dia cheguei às 16h aqui no terminal e só consegui pegar ônibus às 20h. Cheguei em casa quase 21h. A gente conta e acham que é até mentira. Ônibus está sempre lotado, tem muitos alunos, alguns ficam para trás, perdem até aula. Eu também já perdi ônibus porque estava muito lotado e tive que esperar mais uma hora”, relata.
Rodinei Crescêncio/RDNews
Por causa dessa necessidade dos moradores que dependem do André Maggi, a Prefeitura de Várzea Grande conversou com o Governo do Estado e alterou o projeto da linha do BRT. Antes, a rota atravessava a Avenida da FEB, chegava no Zero km, ia até a Avenida João Ponce de Arruda e fazia a volta pelo próprio aeroporto. Com a mudança, o BRT vai entrar pela Avenida Couto Magalhães, subir até a Travessa da Maracaju, ir até o Terminal André Maggi, voltar para Filinto Muller, descendo até o Aeroporto Marechal Rondon, fazendo um “laço” no centro.
“Assim o sistema atende a demanda e faz a integração com a população de Várzea Grande. Por fazer esse ‘laço’, teremos que fazer intervenções para a fluidez da cidade. Por exemplo, no trecho da Avenida Couto Magalhães teremos uma perda de estacionamento por causa da pista do BRT, e para isso vamos fazer uma mudança na Avenida Filinto Muller”, explica. A mudança será no trecho entre a Igreja Nossa Senhora do Carmo até o aeroporto. Essa via passará a ser mão única, no sentido centro-aeroporto, para acomodar a pista do BRT.
O administrador Rafael é outro passageiro que utiliza o Terminal André Maggi para ir ao trabalho e conta que a demora na espera pelos ônibus é frequente. “O que falta são mais ônibus, muitas pessoas ficam esperando, é necessário aumentar as linhas. Eu já peguei ônibus fora do horário de pico, às 9h30 e é a mesma situação”, afirma.
Para uma mudança mais efetiva na fluidez do transporte, Enodes o Município também prevê a alteração do sistema de conexão intermunicipal e de transporte de Várzea Grande, que deverá ser descentralizado.
“Hoje temos um sistema radioconcêntrico, ou seja, os ônibus saem dos bairros e vão todos para o Terminal André Maggi. De lá, fazem a conexão para outro bairro. Vamos mudar para um sistema tronco alimentado, em que o passageiro vai chegar em um terminal menor, mais próximo da casa dele, e de lá pegar um ônibus de maior capacidade até o centro. Assim, serão melhoradas as conexões”, detalha.
Dessa forma, um passageiro que precisa, por exemplo, sair da região do bairro São Mateus para o Chapéu do Sol não vai mais precisar ir para o Centro de Várzea Grande para então fazer a conexão até o outro bairro. Com o novo sistema, ele poderá ir para um terminal menor mais próximo e fazer a integração direta para o Chapéu do Sol. “Isso reduz o tempo do ônibus e facilita a locomoção”, analisa Enodes.
Rodinei Crescêncio/RDNews
A estudante de economia e usuário do transporte público Eliza da Costa acredita que essa é uma alteração mais que necessária. Ela relata que uma hora de espera costuma ser um tempo frequente e que, no geral, no horário de pico os ônibus estão sempre lotados.
“Acredito que falte investimento dos governantes e um olhar maior para a população. Transporte coletivo é uma forma de reduzir a desigualdade para a população que você proporciona, é essencial para o trabalho, para o lazer. Muitas pessoas dependem do transporte coletivo para viver. Então indiretamente o transporte público proporciona a renda do trabalhador. É preciso olhar pra esse setor tão muito importante para o desenvolvimento da cidade”, afirma.
Além disso, Eliza aponta os problemas de estrutura, também citados pelos outros usuários. “Eu acho inadmissível, por exemplo, uma cidade Várzea Grande ter ônibus sem ar condicionado, é muito quente, tem janela que não abre, você passa mal. Falta muito estrutura nos ônibus”, afirma.
Com o BRT, novos veículos com uma estrutura mais adequada devem chegar para a população. Quanto ao terminal, o Município prevê um novo. A atual estrutura do Terminal André Maggi será demolida e uma nova será erguida no lugar. Além dele, deverão ser construídos os outros terminais menores que farão parte do sistema tronco alimentado.
Segundo Enodes Soares, a obra do BRT será bem mais célere em Várzea Grande do que em Cuiabá, pois no município as desapropriações já foram feitas no passado, quando começaram a obra do VLT. Agora, a obra só necessita de acomodação do eixo da via. A pavimentação da pista central será feita e, em seguida, a obra do BRT deve iniciar.
Rodinei Crescêncio