Cuiabá, 29/09/2026

Com trânsito travado, secretário não descarta rodízio de carros em Cuiabá

Cuiabá teve um aumento de 56% na frota de veículos nos últimos 10 anos

Rodinei Crescêncio/RDNews

Com o crescimento da frota de veículos na Capital, o maior desafio para a mobilidade urbana, atualmente, é alcançar um trânsito que tenha fluidez. Diante do atual cenário, o secretário de Mobilidade Urbana de Cuiabá, Juares Samaniego, não descarta a possibilidade de a Capital precisar adotar o sistema de rodízio de veículos futuramente.

“Não tem jeito. Vai aumentando a população, aumenta a frota [de veículos]. E a dificuldade no trânsito aumenta. Não sei se na minha na minha gestão ou em uma gestão futura, mas talvez Cuiabá tenha até que adotar o rodízio de veículos para conseguir manter o trânsito”, avalia.

“Temos avenidas estreitas e as maiores são rodovias que tiveram a faixa de domínio invadida”

Juares Samaniego

O rodízio de veículos já funciona em São Paulo. A restrição é feita de acordo com o final da placa de cada automóvel, por dias alternados na semana. Caso desobedeça, o motorista é autuado e multado. A necessidade do rodízio na capital paulista surgiu diante do aumento expressivo da frota. O objetivo é reduzir o número de automóveis circulando ao mesmo tempo no horário de pico e, com isso, reduzir os congestionamentos.

Em Cuiabá, o aumento da frota de veículos chegou a 56% nos últimos dez anos, segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De 2011 a 2021, foram 165,3 mil novos veículos. O maior crescimento foi da frota de moto, de 60%; em seguida de caminhonetes, com 57%; e a de carros, que cresceu 43%.

Segundo a análise feita por Samaniego em entrevista ao #rdnews nesta semana, a maior dificuldade enfrentada para Cuiabá conseguir acompanhar em estrutura o crescimento da frota é o fato de a cidade não ter sido planejada.

“Se compararmos com outras capitais, como Brasília (DF), Palmas (TO) e Campo Grande (MS), vemos a diferença do planejamento. Cuiabá não foi planejada e isso é um desafio. Temos avenidas estreitas e as maiores são rodovias que tiveram a faixa de domínio invadida”, diz.

Rodinei Crescêncio/RDNews

Como exemplo, o gestor cita as avenidas Miguel Sutil e Fernando Corrêa, que na avaliação dele, são os maiores gargalos do trânsito de Cuiabá atualmente.

“E as duas são rodovias federais que tinham uma faixa de domínio que foi invadida ao longo dos anos. Hoje, para o trânsito fluir mais rápido, tem que fazer mais faixas de veículos nestas avenidas, e, consequentemente, um alargamento da pista. Mas para fazer um alargamento, é preciso desapropriar imóveis de proprietários que, de alguma forma, já conseguiram o título do local. Seria muito mais burocrático e custaria muito aos cofres públicos”, explica.

“Hoje, se não tivéssemos essas trincheiras que foram construídas em 2014, a Avenida Miguel Sutil seria um caos muito maior”

Samaniego afirma que trincheiras e viadutos em alguns trechos devem amenizar o trânsito e que esses pontos já estão sendo pensados.

“Na rotatória do Círculo Militar [na Avenida Miguel Sutil] teria que ter uma trincheira para amenizar o trânsito. Na rotatória do Centro de Eventos do Pantanal, um viaduto vai resolver o problema. Hoje, se não tivéssemos essas trincheiras que foram construídas em 2014, a Avenida Miguel Sutil seria um caos muito maior”, diz.

Ele afirma que a alternativa ideal é a melhora na qualidade do transporte coletivo, para que a população use cada vez mais. “O transporte de massa é a solução”, afirma.