Cuiabá, 03/11/2026

CRM-MT critica integração entre Samu e Bombeiros e alerta para risco à qualidade do atendimento

Debate ocorre após 56 demissões no Samu e defesa do governo pela integração

Chico Ferreira/Gilberto Leite

Servidores do Samu, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), no dia 25 de março

O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) manifestou preocupação, nesta sexta-feira (24), com as mudanças no modelo de atendimento pré-hospitalar no Estado, especialmente na integração entre o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o Corpo de Bombeiros Militar.

Por meio de nota pública, o órgão reconhece a importância da atuação dos Bombeiros e de iniciativas que ampliem a cobertura e reduzam o tempo de resposta, mas ressalta que o atendimento pré-hospitalar é uma atividade assistencial do Sistema Único de Saúde (SUS) e deve permanecer sob coordenação médica.

“A substituição ou redução de equipes multiprofissionais do Samu, ainda que gradual, levanta preocupações quanto à manutenção da qualidade assistencial, à segurança do paciente e à preservação da regulação médica, elemento central para a adequada tomada de decisão clínica”, diz trecho da nota.

A manifestação ocorre em meio à polêmica sobre a integração dos serviços no estado. Conforme publicado pelo #rdnews, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) defendeu o modelo e afirmou que a atuação conjunta ampliou a capacidade de resposta no atendimento pré-hospitalar. Segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES), o tempo de resposta às ocorrências foi reduzido em 36% e o número de atendimentos aumentou em 30%.

Apesar disso, a medida gerou críticas de trabalhadores da área da Saúde, especialmente após 56 demissões de servidores contratados do Samu, relacionadas ao acordo de cooperação entre os serviços.

Na nota, o CRM-MT reforça que ganhos operacionais não podem ocorrer em detrimento da qualidade do cuidado e cobra que qualquer reestruturação seja baseada em estudos técnicos transparentes, com avaliação de resultados clínicos e participação de médicos na formulação das políticas públicas.

O CRM-MT informou ainda que seguirá acompanhando o tema e poderá adotar medidas para garantir o exercício da medicina e a proteção da saúde da população.