Cuiabá, 02/11/2026

Desmatamento na Amazônia em MT cresce 51%; Estado em 3º lugar no ranking

Dados referem-se ao primeiro trimestre de 2023; em MT, devastação avança pela metade norte

Depois de liderar por dois meses seguidos como o Estado que mais desmatou na Amazônia, Mato Grosso caiu em março para a terceira colocação. Porém, ainda não há motivos para comemorar: a derrubada da floresta cresceu 51% em solo mato-grossense no primeiro trimestre de 2023. Os dados são do monitoramento por imagens de satélite do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), que detectou a derrubada total de 867 km²  de janeiro a março nos nove estados que compõem a Amazônia Legal.

De acordo com o levantamento, a devastação em Mato Grosso passou de 57 km² em março de 2022 para 86 km² em março de 2023, representando 25% de todo o desmatamento na Amazônia. No Estado, a devastação vem avançando pela metade norte.

Em março, os municípios campeões de desmatamento foram União do Sul (9 km²), Feliz Natal (9 km²) e Aripuanã (8 km²). Além disso, o estado teve a terra indígena com a maior área desmatada da Amazônia: a Piripkura. O território perdeu em março uma área de floresta equivalente a 100 campos de futebol.

Cenário nacional 

Em todo o Brasil, a devastação da floresta amazônica triplicou em março e fez o primeiro trimestre de 2023 fechar com a segunda maior área desmatada em pelo menos 16 anos. Ainda conforme o monitoramento, a área devastada no país equivale a perda de quase mil campos de futebol por dia de mata nativa. Essa destruição só não foi maior do que a registrada em 2021, quando foram postos abaixo 1.185 km² de floresta de janeiro a março.

Em março, oito dos nove estados que compõem a Amazônia Legal apresentaram aumento no desmatamento, com exceção do Amapá. Com isso, 42% do desmatamento previsto pelo Imazon para o período de agosto de 2022 a junho de 2023, de 11.805 km², já ocorreu.

Imazon

O campeão no aumento do desmatamento foi o Amazonas. No estado, a devastação passou de 12 km² em março de 2022 para 104 km² em março de 2023, uma alta de 767%.

O segundo estado que mais destruiu a Amazônia foi o Pará, que concentrou 27% de toda a derrubada na região. No estado, a devastação passou de 33 km² em março de 2022 para 91 km² em março de 2023, um aumento de 176%.

Mato Grosso ocupa o terceiro lugar, com 86 km² devastados. O quarto estado que mais desmatou a Amazônia foi Roraima. A derrubada passou de 13 km² em março de 2022 para 28 km² em 2023, uma alta de 115%. 

Embora tenha sido o quinto estado que mais desmatou a Amazônia, Rondônia teve o segundo maior aumento na destruição. A derrubada passou de 4 km² em março de 2022 para 22 km² em março de 2023, uma alta de 450%. Ou seja, quase seis vezes mais.

“Os governos federal e dos estados precisam agir em conjunto para evitar que a devastação siga avançando, principalmente em áreas protegidas e florestas públicas não destinadas.Há casos graves como o da unidade de conservação APA Triunfo do Xingu, no Pará, que perdeu uma área de floresta equivalente a 500 campos de futebol apenas em março. Será preciso também não deixar impune os casos de desmatamentos ilegais e apropriação de terras públicas”, alertou o pesquisador do Imazon, Carlos Souza Jr.