Cuiabá, 01/11/2026

Domingo Espetacular expõe denúncia de 20 mulheres contra médico de MT; veja reportagem

Reportagem reúne relatos contra Euller Gustavo Preza após a morte de Lourdes Maria Padilha, de 24 anos, durante cirurgia plástica em Cuiabá

Reprodução de Vídeo/Domingo Espetacular

 O médico Euller Preza, a paciente Lourdes Maria Padilha, que morreu durante cirurgia plástica, e a paciente Arabie Folles, que falou ao Domingo Espetacular

Pelo menos 20 mulheres alegam ter sofrido algum tipo de complicação após procedimentos estéticos realizados pelo médico Euller Gustavo Pompeu de Barros Gonçalves Preza, que atua em Cuiabá. Os relatos ganharam repercussão após a morte de Lourdes Maria Padilha, de 24 anos, durante uma cirurgia plástica para colocação de próteses de silicone nas mamas e lipoescultura. O caso foi destaque em reportagem do programa Domingo Espetacular, da Record, neste domingo (1º).

Segundo a reportagem, as pacientes relatam problemas como assimetria das mamas, perfuração de prótese de silicone, cicatrizes e alterações estéticas que teriam ocorrido após os procedimentos. Algumas afirmam que precisarão passar por novas cirurgias para corrigir os resultados.

Uma das mulheres ouvidas pela Record é Arabie Folles. Ela contou que procurou o médico em 2013 para realizar uma cirurgia de reparação nas mamas. Segundo ela, o procedimento foi feito dentro do próprio consultório, em um espaço separado por uma porta sanfonada.

Ele arrancou o umbigo que eu tinha e refez. Ficou uma cicatriz grosseira com um novo umbigo enorme, contou uma paciente que não se identificou

A paciente afirma que, durante a aplicação de anestesia local, o médico teria perfurado uma das próteses de silicone. Ainda conforme seu relato, Euller reconheceu o problema e ofereceu uma nova cirurgia, desta vez em ambiente hospitalar, mas ela recusou por medo de novas complicações.

Outra paciente, que preferiu não mostrar o rosto, relatou ter procurado o profissional para substituir próteses mamárias após o surgimento de nódulos. No entanto, afirma que o resultado deixou as mamas com tamanhos diferentes, além de deformidades.

"Existia uma diferença muito grande de tamanho de uma da outra. E a do lado direito fazia tipo uma bolha embaixo", relatou.

Segundo ela, outros médicos consultados posteriormente indicaram a necessidade de refazer a cirurgia para corrigir as alterações.

Na Grande São Paulo, uma terceira mulher também relatou problemas após um procedimento realizado pelo médico de Cuiabá. Ela conta que conheceu o profissional por indicação de uma amiga e entrou em contato com a clínica pelas redes sociais.

A intenção era melhorar a aparência do umbigo, mas, segundo a paciente, o médico teria retirado e reconstruído a estrutura sem sua autorização.

"Ele arrancou o umbigo que eu tinha e refez. Ficou uma cicatriz grosseira com um novo umbigo enorme", afirmou.

Morte de jovem durante cirurgia

As denúncias ganharam força após a morte de Lourdes Maria Padilha, de 24 anos, durante uma cirurgia plástica realizada pelo médico em Cuiabá. A jovem pretendia colocar próteses de silicone nas mamas e fazer uma lipoescultura.

O marido, Juan Pablo Padilha, contou à Record que a realização dos procedimentos era um sonho da esposa. Segundo ele, o médico informou à família que Lourdes sofreu uma parada cardíaca durante a cirurgia.

A equipe médica teria iniciado manobras de reanimação, incluindo massagem cardíaca, mas a jovem não resistiu.

Emocionado, Juan Pablo relatou a dificuldade de lidar com a perda da esposa e com a ausência da mãe na vida da filha do casal.

"Se ela não tivesse entrado naquele centro cirúrgico, ela ia estar aqui comigo hoje, a gente ia estar vivendo normalmente, minha filha ia ter a mãe", lamentou.

A Polícia Civil de Mato Grosso informou à Record que investiga as circunstâncias da morte. O inquérito está em fase inicial e deverá incluir depoimentos dos profissionais que participaram da cirurgia, além do médico responsável.

Médico não possui registro de especialista

Outro ponto levantado pela reportagem diz respeito à qualificação profissional de Euller Gustavo. Conforme consulta apresentada pela Record, o médico possui registro regular no Conselho Regional de Medicina (CRM), mas não apresenta Registro de Qualificação de Especialista (RQE) no Conselho Federal de Medicina (CFM).

O RQE é o registro que comprova o reconhecimento formal de uma especialidade médica. Sua ausência significa que o profissional não possui aquela especialidade registrada no conselho, embora isso, por si só, não caracterize necessariamente exercício ilegal da medicina.

O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso informou que instaurou uma sindicância para apurar possíveis irregularidades. Segundo o órgão, o médico também responde a quatro processos éticos, cujos detalhes não podem ser divulgados em razão do sigilo.

Defesa rebate acusações

Em entrevista ao Domingo Espetacular, a defesa de Euller Gustavo rebateu as acusações e afirmou que as reclamações representam uma parcela pequena das pacientes atendidas pelo profissional.

"Trata-se de uma quantidade muito ínfima, pequena, realmente, de pacientes que, por uma razão ou outra, se manifestavam de forma insatisfatória após o procedimento médico", declarou o advogado Alex Cardoso.

Sobre a morte de Lourdes Maria, a defesa sustentou que a cirurgia foi realizada dentro dos protocolos médicos e que a equipe agiu imediatamente após a identificação de uma queda acentuada na saturação de oxigênio da paciente, comunicada pela anestesista.

Segundo o advogado, foram iniciadas manobras de reanimação, mas a jovem não resistiu.

A defesa também confirmou que Euller não possui RQE, mas argumentou que o profissional tem formação complementar e experiência prática que, em seu entendimento, o habilitam a realizar os procedimentos.

Apesar das denúncias e das apurações em andamento, o médico continua realizando atendimentos em sua clínica na capital mato-grossense.

As circunstâncias da morte de Lourdes e as alegações apresentadas pelas demais pacientes ainda dependem de apuração da Polícia Civil e do CRM.