Em frente a quartel, bolsonaristas pedem SOS às Forças Armadas - veja vídeo
Manifestantes se concentram em frente a 13ª Brigada de Infantaria Motorizada, na Avenida do CPA, em Cuiabá
Annie Souza/Rdnews
Manifestantes bolsonaristas se reúnem nesta segunda-feira (07) em frente a 13ª Brigada de Infantaria Motorizada, na Avenida do CPA, em Cuiabá. Com bandeiras e camisetas do Brasil, os manifestantes exibem faixas com mensagens de patriotismo e pedindo ‘SOS às Forças Armadas”. O grupo protesta contra a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais.
Caminhões estão estacionados no canteiro da avenida e os manifestantes se concentram nas calçadas, onde há barracas e tendas montadas.
Em frente ao quartel em Cuiabá, nesta segunda-feira, uma parte do grupo se reúne e grita “Forças Armadas, salvem o Brasil”.
Protestos, bloqueios de rodovias e atos antidemocráticos acontecem desde o fim do segundo turno das eleições, quando Lula foi declarado vitorioso por conquistar 50,9% dos votos válidos. O petista assume a Presidência a partir de janeiro de 2023. Revoltados, bolsonaristas têm contestado o resultado, alegam fraude no processo eleitoral - mas sem apresentar provas -, e pedem intervenção das Forças Armadas em frente aos quarteis. O fechamento do comércio em prol do movimento também tem sido uma tática usada pelos manifestantes e até uma lista de boicote a empresas supostamente petistas foi divulgada nas redes sociais pelos bolsonaristas.
O caminhoneiro Everton dos Santos, de Nova Mutum, conta que está na manifestação em frente a 13ª Brigada desde quinta-feira (03) e sem previsão de saída do local. Além dos que estão lá, ele afirma que outros caminhoneiros já saíram da região para ir à Brasília continuar a manifestação.
“Só não vamos sair daqui para não enfraquecer o movimento. Vamos ficar aqui, sem previsão de saída. É o melhor para o país. Se isso não resultar em nada, vai virar uma guerra civil no país, vai virar um caos”, diz.
O cabeleireiro Ival Almeida é um dos manifestantes e conta que fechou o estabelecimento nesta segunda-feira (7) em apoio ao movimento e participa do protesto.
“Estou participando todos os dias desde o início das manifestações. Vamos salvar o Brasil”, diz.
Annie Souza/Rdnews
No local, churrasco está sendo feito e há tendas com lanches para os manifestantes. O grupo não informou quem está bancando os custos para manter os trabalhadores no local.
Alguns manifestantes falaram que o movimento não é de caminhoneiros, sim do agronegócio e que só sairiam de lá quando o “o patrão mandasse”. Outros, no entanto, corrigiram e afirmaram que a maioria dos caminhoneiros presentes são autônomos.
Nesse domingo (6), o grupo interditou parte da pista na Avenida do CPA.
Há manifestantes de Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Sinop e Sorriso, entre outras cidades. Os grupos afirmam que no interior do estado o movimento está bem mais forte que na capital.
Protestos nas estradas
Conforme a Polícia Rodoviária Federal (PRF), 52 pontos de rodovias federais foram desbloqueados em Mato Grosso, desde o início das obstruções no domingo (30). Durante as atividades, foram necessárias 3 ações da tropa de choque, 938 autuações e 4 prisões.
Veja abaixo os trechos que estão sob bloqueio nesta segunda-feira (07):
BR-158
Km 565, Trevo do Martinão, Água Boa
Km 141, saída para Vila Rica, Confresa
BR-163
Km 1037- Matupá- manifestantes às margens da rodovia
Km 594, em Nova Mutum- manifestantes às margens da rodovia
Km 691, em Lucas do Rio Verde- manifestantes às margens da rodovia
Km 835, em Sinop-manifestantes às margens da rodovia
Km 1068- Guarantã do Norte- manifestantes às margens da rodovia
Km-691 Lucas do Rio Verde- totalmente interditado
BR 174
Km 485- Comodoro- manifestantes às margens da rodovia
Km 288 em Pontes e Lacerda- manifestantes às margens da rodovia
BR 364
Km 1037-Rondonópolis- manifestantes às margens da rodovia
Km 835- Sapezal- manifestantes às margens da rodovia
Km 1176 Campos de Júlio- Interdição total.
Extremismo radical
As manifestações e a ideia de formação de uma "resistência civil" contra a vitória do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a derrota do atual presidente Jair Bolsonaro (PL) mostram um extremismo radical da direita conservadora, que foge das ideias reais do movimento de direita brasileiro. Essa é a análise feita pelo cientista político João Edisom de Souza.
Na visão do cientista político, o movimento nas ruas deixa claro e consolida a concepção de um Brasil totalitário, que caminhe de acordo com os pensamentos de "família tradicional", ideais religiosos e uma crença de segurança punitiva e mais rígida, com o uso de armas pelo cidadão comum. Segundo ele, nos últimos dias, o conservadorismo no país tem mostrado a que veio.