Cuiabá, 01/11/2026

Em tendas improvisadas na rua, camelôs lutam para recomeçar do zero; vídeo

Sem água e energia, com banheiros emprestados e pouca mercadoria, trabalhadores se adaptam na avenida Carmindo de Campos

Rodinei Crescêncio/Rdnews

Após o grande incêndio que destruiu mais de 600 lojas no Shopping Popular, alguns comerciantes decidiram recomeçar e retomar suas vendas em tendas improvisadas na Avenida Carmindo de Campos, em frente ao estacionamento do Complexo. Uma espécie de feira de rua está funcionando no local, e uma das pistas da avenida está bloqueada.

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Tatiana Luz, dona de uma loja de bolsas estava há 9 anos atuano no Shopping Popular

Nesta terça (23), cerca de 70 bancas estão embaixo das tendas e guarda-sóis na avenida. Alguns deles começaram a se instalar no local desde quarta-feira (17), mas a maioria vem chegando desde sexta (19). As tendas e objetos usados na estrutura foram compradas pelos próprios comerciantes para o funcionamento, já que a maioria perdeu tudo. Além das tendas próprias, seis tendas grandes e com melhor estrutura foram doadas por um grupo de moto clubes, para abrigar alguns lojistas.

"A expectativa é grande, estamos aqui para recomeçar, porque foram sonhos. Estamos continuando nossos sonhos de poder voltar a trabalhar, de poder ter fé e acreditar que o dia melhor vai chegar. As pessoas já estão começando a vir, já estão começando a ser solidários", conta Tatiana Luz, dona de uma loja de bolsas que está há nove anos no Shopping Popular.

A maioria dos lojistas está chegando às 7h e saindo depois das 18h do local. O trânsito ficou parcialmente interditado com o bloqueio de parte da via, mas o trânsito segue fluindo, apenas com mais lentidão. Luciana Maria Pereira, comerciantes de copos, garrafas térmicas e outros itens, trabalha no local desde o início do Shopping Popular, há 28 anos. Ela relata que a feira a céu aberto lembra ela do início de sua história como camelô.

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Luciana Maria Pereira comercializa copos, garrafas térmicas: poucos itens sobraram

"Voltamos para o início, como camelô mesmo, em barracas, sem estrutura, por isso é luta, é batalha. As pessoas pensam que tem mercadoria, mas tudo isso aqui está fiado. Alguns tinham um pouco no carro, ou em casa, mas a maioria todo o estoque estava guardado no shopping", conta.

Luciana tinha um pequeno estoque dos seus produtos guardados em seu carro e é essa mercadoria que cabe em uma mesa que ela está vendendo. "Agora, como tem os créditos sendo liberados, vamos começar usar para adquirir estoque. Mas para isso temos que pagar, para poder girar, temos que vender", esclarece. A empreendedora Juceliny, dona de uma loja de capas e equipamentos para celular, estava há 20 anos no complexo comercial e também perdeu todo o estoque. "O meu estava a caminho e o que eu estou vendendo aqui são esses que estavam para chegar. E precisamos vender para começar de novo. Temos clientes, mas sem mercadoria é difícil", relata.

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Rhuan Henrique Prudente Santos tem uma banca na "mini praça de alimentação" montada

Na calçada em frente à via onde estão as tendas, foram instalados os estabelecimentos que ficavam no segundo andar do Shopping, na Praça de Alimentação. Agora, uma mini "Praça de Alimentação" improvisada funciona em frente às lojas e auto peças já instaladas no local. O Rhuan Henrique Prudente Santos é dono de uma dessas bancas e foi um dos primeiros a se instalar na área, na quarta (17).

"Chegamos cedo aqui, por volta de 5h30 e vamos até às 19h. A população de Cuiabá está nos ajudando bastante nesse momento. Um ajudando o outro aqui", relata. A loja vende sucos, açaís e outros alimentos rápidos. No entanto, as dificuldades de estrutura acabam dificultando o trabalho.

"Nós que mexemos com alimentação não funcionamos sem água e energia. Ainda bem que estamos com parceiros nos ajudando. A energia estamos puxando vizinho, a água estamos pegando da pia do shopping, enchendo galões grandes. Tudo improvisado, porque não tem como ficar sem", explica.

No improviso, os lojistas também estão utilizando os banheiros do Ginásio Dom Aquino. O almoço estão levando de casa e a água precisa de caixa térmica.

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Adriano Maia também está entre os comerciantes que tiveram sua loja atingida pelo incêndio; ele aposta no online, mas incertezas causam preocupação

"Esse impasse de ainda não saber para onde vamos está nos deixando mais preocupado porque a realidade já é difícil. Você não tem pra onde ir. Você trabalhar sem saber o que vai acontecer amanhã e depois, já basta olhar para o prédio destruído todos os dia", lamenta Adriano Maia, de uma loja de som.

O comerciante também se adaptou e está vendendo os produtos de forma online, com entrega. Ele conta que paga a metade da taxa para incentivar o cliente a pedir. Adriano relata que as pessoas estão sendo solidária e ajudando bastante. "A população está fazendo um acolhimento bem legal com a gente, está vindo aqui, mesmo no sol. Estão nos ajudando a recomeçar", diz.

O caso

O incêndio que deixou a construção completamente destruída aconteceu no dia 15. Durante a semana, comerciantes do estabelecimento, junto do presidente da Associação do Shopping Popular, Misael Galvão, se reuniram várias vezes e decidiram que iriam instalar as lojas temporárias no campo de futebol do Complexo Dom Aquino. O local foi sugerido pelo prefeito Emanuel Pinheiro (MDB).

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No entanto, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) emitiu posicionamento informando que as bancas provisórias dos lojistas devem ser posicionadas no espaço destinado ao estacionamento do local, e não no Complexo Dom Aquino, como planejado, já que o ginásio é um espaço de uso coletivo e público.

Na manhã desta terça (23), o prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) afirmou aos comerciantes que eles poderão atuar - temporariamente - no campo de futebol e pista de atlestismo do Complexo Esportivo Dom Aquino. O gestor anunciou ainda que na quarta-feira (24) irá assinar no local  o projeto de lei que será enviado à Câmara Municipal  em regime de urgência, permitindo o uso do espaço pela Associação do Shopping Popular.

O complexo está sob responsabilidade da Defesa Civil municipal, que aguarda a conclusão da perícia e os trabalhos da Politec, para decidir os próximos passos. O Município e a Associação dos Camelôs também discutem medidas para resolver de forma paliativa o problema, encontrando um local adequado para os comerciantes.