Entre tiros e despedidas: jovem de VG conta como é lutar na guerra da Ucrânia
Natural de Várzea Grande, o militar Alan Dias compartilha sua experiência em meio a uma das maiores guerras da atualidade na Europa
O várzea-grandense Alan Dias, de 30 anos, é um dos brasileiros que trocaram a vida em Mato Grosso para lutar do lado ucraniano no conflito contra a Rússia. Em entrevista ao #rdnews, o jovem, que retornou à Europa pela segunda vez para seguir como militar, detalha como tem sido sua experiência vivendo em meio a uma guerra entre países que pouca afinidade têm com o Brasil.
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"Foi uma escolha difícil, que envolveu deixar minha família, meus amigos e minha terra para enfrentar uma realidade completamente diferente. Vir para cá significou assumir riscos e lidar com desafios que poucas pessoas conseguem compreender de longe. É uma experiência que mudou minha maneira de enxergar a vida, a coragem e o valor de estar perto de quem amamos", explicou.
Alan relata que, para ele, tornar-se militar era um sonho. Após sua primeira ida para a Ucrânia, o mato-grossense retornou ao Brasil, onde ficou cerca de sete meses, até ser chamado novamente para combate. "Foi aqui na Ucrânia que achei meu objetivo e tive uma experiência surreal", conta.
O jovem afirma também que já saiu do Brasil "preparado", pois entende que o desfecho da guerra nem sempre será favorável. Alan ressalta que tem consciência dos perigos que sofre, como fortes ferimentos e até a perda da própria vida.
"Muita gente que vem do Brasil para cá, quando chega aqui, é que se toca de que não dá mais para voltar atrás", pontua.
Alan revela ainda sobre sua rotina no ambiente de guerra. O militar explica que o dia a dia é dividido entre sua vida como civil e seu trabalho em combate. Nesse meio tempo, muitas vezes o jovem fica sem contato com a família, que é avisada sobre suas missões antes de começarem.
"A gente fica de 20 a 25 dias em missão e 20 a 25 dias em descanso. Eu falo para minha família que estou indo e para não se preocuparem, mas que, se eu não der notícias em determinado período, algo pode ter acontecido comigo", afirma Alan.
O militar explica também que orienta a todos os brasileiros que decidam ir para o conflito que não saiam de seu país sem que suas famílias estejam avisadas sobre o destino. O jovem reforça o quão complicada é a comunicação com a família, em caso de perdas no local.