Cuiabá, 01/11/2026

Escolas de samba de Cuiabá morreram e estão enterradas, lamenta carnavalesca

Gilberto Leite

Carnavalesca e presidente da Abloc Cleomance Saldanha, a “Pretinha”, há mais de 34 anos trabalha com o Carnaval

Carnavalesca e presidente da Associação de Blocos de Cuiabá (Abloc), Cleomance Saldanha, popularmente conhecida como “Pretinha”, há mais de 34 anos trabalhando com o Carnaval, acredita que as escolas de samba de Cuiabá morreram e estão "enterradas".

Pretinha argumenta que a falta de apoio financeiro fez com que as escolas fossem diminuindo até restarem somente os blocos. Junto com as escolas, foram embora a história e o glamour do carnaval de antigamente. A última escola de samba a retirar o seu time da avenida foi a Império de Casa Nova.

“Exatamente há três anos não temos escolas. É muito caro, não temos estrutura. Para se ter uma ideia, temos que trabalhar o ano todo buscando apoio financeiro para sair com os blocos. No ano passado, gastamos em média R$ 138 mil, para receber uma premiação de 40 mil. Temos que realmente amar o Carnaval para conseguir desfilar”, reflete.

Pretinha destaca que, em 1950, uma fase de equilíbrio entre o carnaval de rua e o dos clubes marca a história do carnaval cuiabano, ganhando novas dimensões com grande número de blocos, carros alegóricos luxuosos e o aparecimento das primeiras escolas de samba.

Mario Okamura

Programação da prefeitura para a Orla do Porto tem 5 dias de festa e segue até terça com o desfile dos blocos carnavalescos

“Na época que as escolas surgiram em Cuiabá, além de mostrar o Carnaval na Capital, também buscávamos o glamour das escolas do Rio de Janeiro. Só que a verba das escolas de lá, eram e são infinitamente maiores do que as que recebíamos “, compara.

A carnavalesca destaca que a Prefeitura de Cuiabá sempre ajudou com uma importância em dinheiro, que não resolvia o problema, mas que ajudava as escolas, para que elas pudessem desfilar. “Mas as escolas de samba sempre foram fracas em Cuiabá, porque o potencial econômico nunca deu condições. Atualmente, a história não mudou. Não temos condições para isso, é tudo muito caro”, lamenta.

Por conta desta situação, os blocos foram ganhando mais força na busca de não deixar os festejos de cinco dias morrerem. Os tradicionais blocos da Capital, Afoxé Olá Olá, Boca Suja, Império de Casa Nova, Melados, Unidos do Araés e Vaidade entram na avenida nesta terça (13). Os quatro primeiros lugares vão dividir um prêmio de R$ 180 mil.

Apesar da redução de 13 para seis, os blocos carnavalescos de Cuiabá tem uma história especial. O ‘Unidos do Araés’, por exemplo, foi formado neste ano. O mais antigo da cidade, Boca Suja, surgiu há 23 anos, com a torcida do Mixto. Segundo o presidente Gabriel Augusto Moraes, o grupo será representado por 673 componentes. Império de Casa Nova, nascido em 2000, vem do bairro CPA III, e já chegou a desfilar com cerca de 1.100 componentes. Berenice Carmem da Silva é a presidente.

Gilberto Leite

Carnavalesco prepara para desfile o Boca Suja, o mais antigo da Capital, que surgiu há 23 anos com a torcida do Mixto

Três anos depois, em 2003, nasce o Melados, no Dom Aquino, após uma partida de futebol. O bloco se estruturou em Bom Sucesso, e, este ano, optou por homenagear a mãe da presidente, Cibele Matos que é “Mãe de Santo”.

Afoxé Olá, Olá, por fim, surge em 2014 com o objetivo de desconstruir a discriminação religiosa e social, ritmados ao som dos atabaques e com 128 componentes na avenida. O Bloco tem como presidente, o ex-candidato a vereador por Cuiabá, Jorge Baranjak.

Com quase tudo pronto, os grupos já adiantam algumas novidades para este ano, resultado do sucesso do evento no ano passado. O Império de Casa Nova, extinta escola de samba, relata a história do Fundo do Mar e da Rainha Iemanjá.

“Vencemos a última vez em 2011 e vamos buscar mais um”

Os blocos Melados e Unidos do Araés, a junção de dois grupos após a extinção do Banana da Terra, vai contar na avenida a história do Flor Ribeirinha. “Nós temos cinco alas, com pelo menos 1.300 participantes, contando toda a história desse grupo lindo campeão mundial em Büyükçekmece, na Turquia. Vamos mostrar o rosto deste vencedores, acredito que a população vai aprovar”, afirmou.

O Boca suja vem contando a história das escolas de samba do Rio de Janeiro e da cidade do Samba. O presidente do bloco Gabriel Augusto Moraes conta que a expectativa é grande em busca do hexa campeonato. “Vencemos a última vez em 2011 e vamos buscar mais um. Intensificamos nos últimos três meses os trabalhos para contar essa história bonita na avenida. Tenho que agradecer a comunidade que nos ajudou, pois não tivemos apoio. No total gastamos pelo menos R$ 50 mil”, afirmou.

O circuito de carnaval da Orla do Porto é todo fechado, tendo três acessos, sendo pela rua Barão de Melgaço (saindo em frente à Vila Cuiabana), avenida Oito de Abril e pela praça Luiz de Albuquerque (ao lado da Ponte Velha, sentido Várzea Grande).