Esperada há anos, obra da Rodoviária de VG deve sair do papel neste ano
Projeto e área já foram escolhidos e dependem de aval do Estado; orçamento estimado entre R$ 12 mi e R$ 18 mi
Rodinei Crescêncio/RDNews
Área escolhida para a construção da Rodoviária de Várzea Grande fica em uma rotatória da Rodovia Mário Andreazza, do lado direito após o Posto Papito
Há anos na pauta do Executivo Municipal, o tão sonhado Terminal Rodoviário de Várzea Grande deve começar a ser construído ainda no segundo semestre de 2023. Com o local e o projeto da obra já escolhidos, a estrutura deverá ser erguida na Rodovia Mário Andreazza, na rotatória seguinte à do Posto Papito. Conforme apurou o #rdnews, no momento, o investimento é estimado entre R$ 12 milhões e R$ 18 milhões.
O maior desafio do Município era achar o local ideal para construção da rodoviária, além de conseguir a verba orçamentária necessária para custear os altos valores de desapropriação das áreas consideradas propensas para receber a obra.
A solução foi encontrada justamente em um antigo terreno da Prefeitura, doado anos atrás ao Governo do Estado. Próximo ao Trevo do Lagarto, com saídas para as regiões Norte e Sul do Estado por meio das BRs 163, 364 e 070, a extensa área já é urbanizada e possibilita o início rápido das obras. Além disso, o local é de fácil acesso e ainda ficaria próximo do Centro de Várzea Grande e a uma distância razoável da Rodoviária de Cuiabá.
Após checar que o Governo estaria usando o local para eventos pontuais, o prefeito Kalil Baracat (MDB) solicitou a devolução do terreno, pedido que não teria encontrado resistência por parte do Executivo Estadual. A área possui, em uma parte, instalações voltadas à agricultura familiar. Conforme o Município, mesmo que só fosse possível a devolução parcial do terreno, a construção da rodoviária não seria prejudicada, uma vez que o projeto escolhido não tomaria todo o espaço.
A negociação está avançada e a expectativa é de que a formalização da devolução ocorra até o aniversário da cidade, no dia 15 de maio. A partir daí será possível iniciar o processo de licitação, esperado ainda para o primeiro semestre.
Verba e demanda
Em entrevista recente ao Rdtv, o assessor de Assuntos Estratégicos de Várzea Grande, Enodes Soares, explicou que os trâmites para concessão fundiária estão em andamento. Os recursos para a execução do projeto sairão de emendas parlamentares destinadas pelo então senador e agora ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD, e pelo senador Jayme Campos (União Brasil), além de recursos estaduais e uma contrapartida da Prefeitura de Várzea Grande.
Não há um número exato de quantos usuários serão beneficiados com a rodoviária, uma vez que, por nunca ter existido o serviço regularizado no Município, não há o mapeamento da demanda reprimida do município ou monitoramente da quantidade de usuário do serviço que precisam se deslocar de Várzea Grande para a Rodoviária de Cuiabá. A reportagem chegou a entrar em contato com a Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados (Ager) para saber se já há um levantamento a respeito, mas não obteve resposta.
Davi Valle/RDNews
Restaurante Alvorada, na Avenida Governador Júlio Campos, por muitos anos foi usado como uma "rodoviária" improvisada em Várzea Grande
Ponto de parada desativado
Por muitos anos, o Restaurante e Lanchonete Alvorada, na região do Mapim, funcionou como um "terminal improvisado" em Várzea Grande. No local, que na verdade era visto como um ponto de parada privado, é apontado que os usuários não pagariam o valor usual de taxa de embarque e, inclusive, preferiam pegar ônibus ali.
No entanto, em abril de 2022, o estabelecimento teve seu funcionamento e estrutura interditados pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Em ação movida pelo Ministério Público Estadual (MPE-MT) ficou comprovado que o local precisaria se adequar a normas e resolver irregularidades para atender a população como um ponto de trânsito rodoviário. Conforme a Justiça, o restaurante cobrava taxas de embarque e desembarque, mas não tinha estrutura para atuar.
“A nossa pretensão é que a gente tenha nossa rodoviária, de fato, na região da Mário Andreazza. A expectativa é que esse processo comece até o final deste ano”
Enodes SoaresA proprietária do restaurante respondeu ao Poder Público que não possuía interesse em transformar seu um comércio particular em terminal. Na época, a empresária ainda solicitou que empresas de ônibus interrompessem as suas atividades no local e que os veículos deixassem de fazer parada para embarque e desembarque de passageiros na lanchonete. Desta forma, as empresas de transporte rodoviário instaladas no local foram intimadas a retirarem os seus guichês do local.
Desde então, Várzea Grande voltou ao marco zero, sem uma estação de embarque e desembarque. “O Alvorada, que o pessoal carinhosamente chamava de rodoviária, nunca foi uma rodoviária e sim um ponto de parada. E por uma questão judicial teve que ser fechada. A gente teve um prejuízo para a população neste sentido. A nossa pretensão é que a gente tenha nossa rodoviária, de fato, na região da Mário Andreazza. A expectativa é que esse processo comece até o final deste ano”, afirmou Enodes Soares.